Ainda as miragens – Informação

Em 25 de abril de 1961, o presidente Jânio Quadros assinou a Lei 3.890-A, autorizando a União a constituir a Eletrobras. A instalação da empresa ocorreu oficialmente no dia 11 de junho de 1962, em sessão solene do Conselho Nacional de Águas e Energia Elétrica (CNAEE), no Palácio Laranjeiras, no Rio de Janeiro, com a presença do presidente João Goulart.

 A Eletrobras recebeu a atribuição de promover estudos, projetos de construção e operação de usinas geradoras, linhas de transmissão e subestações destinadas ao suprimento de energia elétrica do país. A nova empresa passou a contribuir decisivamente para a expansão da oferta de energia elétrica e o desenvolvimento do país.

Aqueles que não conhecem a evolução do nosso sistema, sugerimos pesquisar como conseguimos implantar um sistema interligado que, até as reformas da década de 90, conseguiam entregar energia pela metade do preço atual. Seria impossível sem a Eletrobras.

Sendo uma empresa de caráter técnico, responsável por coordenar a expansão do sistema, nesses 57 anos de existência, teve 24 presidentes. Em média, em pouco mais de 2 anos, já ocorria a mudança de nomes.

Como a tabela abaixo mostra, apenas dois técnicos oriundos da empresa (em amarelo) ocuparam a gerência da mesma. Sendo uma empresa que exige conhecimento técnico da área, é um índice muito baixo, pois chega a ser bizarro que apenas 8% dos seus presidentes tenham sido formados na própria empresaEvidentemente, alguns nomes externos à empresa foram também responsáveis pelo seu crescimento, mas outros impuseram políticas que nada tinham a ver com a natureza de uma empresa pública. Infelizmente, essa foi a trajetória que levou a Eletrobras à situação atual.

Essa característica é um sintoma de que o Brasil não entendeu que uma “estatal”, para exercer sua função sem interferências políticas, deveria ter sua diretoria protegida por mandato. Bastaria haver vontade política e estratégica para elaborar mecanismos que permitam essa blindagem. Contratos de gestão que definissem exatamente o que o governo pode exigir da estatal e vice versa! Se tivéssemos esse simples documento legal, teríamos um outro país.

Portanto, para aqueles que continuam a atribuir ineficiência à empresa, que essa informação básica possa trazer, pelo menos, a desconfiança de que os problemas não se originam dentro da empresa, mas sim no governo que a comanda. Condenar a Eletrobras é ver miragens.

Triste o país que não consegue diferenciar estado de governo. Infelizmente, não temos estatais! Temos apenas empresas “do governo”.

 

 

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