Brasil: País que não sabe privatizar – mais evidências

Daqui a poucos dias estaremos assistindo a mais uma jabuticaba brasileira. As distribuidoras que estão sob administração da Eletrobras serão privatizadas gerando PREJUÍZO.

Como elas são deficitárias, é impossível ser contra sua venda na essência. Entretanto, o ILUMINA se sente na obrigação de denunciar a velha forma de conduzir o processo.

  • Em primeiro lugar, se a sociedade brasileira desconhece que isso decorre de uma grande falha das privatizações da década de 90, está completamente “por fora”.
  • A Eletrobras herdou essas empresas pelo reincidente sistema do “filé e o osso”. Como já aconteceu em outros setores, o Brasil vende o filé e fica com o osso.
  • O espírito público seria preservado se, por exemplo, ao vender a Eletropaulo, o comprador fosse obrigado a comprar também a Eletroacre. Simples compensações.
  • Mas a filosofia “filé e osso” jogou em cima da Eletrobras o osso que ninguém quis, e, agora, desprezando todas a trajetória e condicionantes desses estados, o discurso passou a ser o da “ineficiência” da estatal.
  • Acoplado ao discurso da ineficiência, convenientemente ocluso, vêm os “benefícios” ao comprador.
  • Se você fosse a empresa privada que estivesse comprando essas distribuidoras, evidentemente o discurso que desvaloriza o ativo vem a calhar.
  • Se você fosse a empresa privada que estivesse comprando essas distribuidoras, você preferiria que os investimentos recentes feitos nas empresas não fossem revelados, pois esses podem ter o potencial de reverter a expectativa negativa desse negócio.

Pois é! Os números abaixo são a perfeita e concreta tradução de que o Brasil não sabe privatizar no sentido positivo e público da palavra. Mais uma vez seremos iludidos com uma falsa “pujança” do setor privado.

A Eletrobras Distribuição Rondônia deu continuidade à construção de obras importantes e fundamentais para a melhoria do atendimento energético no estado, quais sejam:

  • Subestação Triunfo Entroncamento 69/34,5/13,8 kV – 2 x 6,25 MVA;
  • Subestação Itapuã 69/13,8 kV – 2 x 12,5 MVA;
  • Subestação Triunfo 34,5/13,8 kV – 6,25 MVA;
  • Subestação Centro 69/13,8 kV – 3 x 26 MVA;
  • Subestação Ariquemes II – 69/13,8 kV – 2 x 12,5 MVA;
  • Entrada de linha 69 kV na SE-Ariquemes Eletronorte;
  • Entrada de linha 69 kV na SE-Areal;
  • Linha de Distribuição 69 kV SE-Porto Velho / SE-Itapuã;
  • Linha de Distribuição 69 kV SE-Ariquemes ELN / SE-Ariquemes II;e,
  • Linha de Distribuição 34,5 kV SE-Entroncamento / SE-Triunfo.
  • Construção de 30 km de redes de MT 34,5kV para interligação da subestação Triunfo e desativação de Usina Térmica;
  • Construção de 205 km de redes MT, 13,8 kV, e 100 km de BT 220V;
  • Seccionamento de circuitos, com instalação de 350 novos transformadores de 45 kVA;
  • Instalação de 50 bancos de capacitores nas redes MT 13,8 kV (Projeto energia+ BIRD);
  • Instalação de 50 bancos de Reguladores de tensão nas redes MT de 13,8 e 34,5 kV (Projeto energia+ BIRD);e,
  • Instalação de 80 Religadores nas redes MT de 13,8 e 34,5 kV (Projeto energia+ BIRD).

Além disso, para preparar a privatização, o governo concedeu reajustes tarifários extraordinários como mostra a tabela abaixo. Portaria nº 346, de 31 de agosto de 2017, determinou que, no processo tarifário de 2017, a ANEEL flexibilizasse, de forma transitória, os parâmetros regulatórios referentes aos custos operacionais e as perdas não técnicas, com o objetivo de permitir o equilíbrio econômico das concessões do serviço público de distribuição de energia elétrica da qual as companhias distribuidoras eram titulares;

Portanto, qualquer redução tarifária que se seguir do processo de privatização, deve ser descontada dessa benesse.

 A Eletrobras ficaria livre de dívidas dessas distribuidoras? Não!

A Eletrobras deverá, previamente à efetivação da transferência do controle acionário, realizar ajustes nas distribuidoras mediante conversão de dívida em capital social ou assunção de dívidas das distribuidoras junto à Eletrobras e/ou terceiros, nos seguintes montantes:

  • Amazonas Energia 8.911.866.558,94
  • Boa Vista 342.120.486,20
  • Ceal 50.000,00
  • Cepisa 50.000,00
  • Ceron 1.872.522.463,42
  • Eletroacre 113.779.871,99
  • Total 11.240.389.380,55

Portanto, a Eletrobrás vende as empresas e fica devendo mais de R$ 11 bilhões tendo investido de 2005 até 2017 mais de R$ 2,5 bilhões!

Esse é só o caso de Rondônia!

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      1 comentário para “Brasil: País que não sabe privatizar – mais evidências

    1. Pedro
      27 de agosto de 2018 at 17:14

      Não precisa vender o “osso”, basta valorizar corretamente o “filé”, porém parte da renda deveria ficar com a ELETROBRAS que fica com o “osso”

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