Brasil, um país que, mesmo sem saber fazer direito, acha que privatizar é a solução.

Análise do ILUMINA: Repetimos a frase: Não se trata de demonizar a privatização. Trata-se de saber se o Brasil sabe executar esse processo sob interesse público ou sabe apenas vender empresas.

Vejam abaixo o caso da empresa estatal CELG destruída em nome da solução privatização, começando pela venda da usina Cachoeira Dourada. A usina foi privatizada no dia 5 de setembro de 1997, por meio de leilão público, pelo valor de R$ 820 milhões.

Hoje, o que sobrou, a CelgPar, é uma Sociedade de Economia Mista e de capital autorizado cujos acionistas são o Estado de Goiás, que possui 99,70% do capital, além de outros pequenos acionistas, como a Eletrobrás, municípios e investidores privados.

Sem a usina , a CELG GT permaneceu no negócio de geração e transmissão de energia. Ela possui 3 pequenas hidroelétricas com capacidade instalada de 18,68 MW, 722,6 Km de linhas em 230 Kv ligadas ao Sistema Interligado Nacional – SIN e 11 subestações nesta mesma tensão.

Agora, o governador Caiado aposta na estatal Celg GT para solucionar crise energética em Goiás causada pela empresa privada no Brasil ENEL (estatal na Itália) que comprou a rede de distribuição e agora presta um péssimo serviço. Segundo a ANEEL, em termos de qualidade as últimas classificadas são a Companhia de Eletricidade do Amapá (CEA), em 36º, a Companhia Energética de Goiás (Celg-D), em 35º lugar, e a Eletropaulo Metropolitana Eletricidade de São Paulo, em 34º. 

Para mostrar a pouca importância que a agência reguladora dá ao tema, consultem a página onde a ANEEL divulga os resultados e vejam a péssima qualidade da imagem que mostra a classificação da CELG. Chega a ser inacreditável. Reproduzimos abaixo:

Não consegue ler? Acha que estamos exagerando? Pois confira abaixo!

http://www.aneel.gov.br/sala-de-imprensa-exibicao-2/-/asset_publisher/zXQREz8EVlZ6/content/aneel-divulga-ranking-de-qualidade-das-distribuidoras-de-energia/656877

E assim, o Brasil, com pouco caso da agência reguladora, mostra que apenas vender empresas não garante que o poder público se livre dos fardos. Muito ao contrário! A privatização da CELG vai exigir recursos do estado de Goiás e BNDES.

A privatização da Eletrobras vem ai…mesmo com esse péssimo exemplo.


Jornal Opção

07/08/2019 08:44  Por Lívia Barbosa

Em reunião com a bancada goiana, governador falou da possibilidade de usar empresa para reduzir danos causados pela Enel.

Em reunião com a bancada goiana no Congresso Nacional, o governador Ronaldo Caiado discutiu a possibilidade de usar a Celg GT, de forma emergencial, para atuar na distribuição de energia no Estado. O encontro realizado nesta terça-feira, 6, em Brasília, teve como pauta a busca de soluções para a crise energética causada pela ineficiência da Enel.

A Celg GT, que é uma geradora de energia, se encarregaria de investir também na rede de distribuição com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Sustentável (BNDES). A empresa que cuida da geração teria acesso à rede da Enel e passaria a ter a responsabilidade de fazer as ampliações necessárias. Para isso, o BNDES daria uma linha de crédito de até R$ 2 bilhões.

Com esse investimento na rede, 480 megawatts seriam recuperados, dentro de uma ação emergencial. Em contrapartida, a Enel deverá aumentar a parte da tarifa que hoje é transferida para a Celg GT, de forma proporcional ao investimento realizado. “Haveria um reequilíbrio na repartição dessa tarifa. Assim a Celg GT recuperaria o investimento, sendo ressarcida ao longo do tempo”, explicou o secretário de Desenvolvimento Econômico e Inovação, Adriano da Rocha Lima.

A reunião com a bancada foi realizada logo após o encontro do governador com o presidente da Câmara dos Deputados, deputado federal Rodrigo Maia, e com o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque.

Em busca de apoio

Após as reuniões realizadas com Maia, Bento e os deputados e senadores, o governador avaliou que o Governo de Goiás está avançando na solução do caso. “Foi uma reunião extremamente produtiva. Primeiro porque discutimos uma realidade do nosso Estado de Goiás e que tem nos inquietado enormemente. Hoje pela manhã estive também com o Ministro de Minas e Energia [Bento Albuquerque] e estamos avançando em uma proposta que vai ficar difícil para a Enel recusar aquilo que Goiás propõe”, disse, ao se referir à Celg GT.

Para o sucesso da proposta, a bancada goiana na Câmara dos Deputados e no Senado é fundamental. Em reunião com os parlamentares, o governador reforçou a importância do apoio dos parlamentares na solução do caso. Os próximos passos serão a formalização da proposta e a espera pelo posicionamento da Enel. A bancada e o governador ainda devem se reunir com o presidente Bolsonaro para discutir o assunto.

A reportagem entrou em contato com a Enel que não quis se posicionar sobre o assunto.

Compartilhe

    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *