Clientes com maior consumo de energia já podem aderir à tarifa branca – Estadão

Análise do ILUMINA: Os valores mostrados abaixo são os que serão válidos no estado do Ceará, mas já é suficiente para mostrar que consumidores residenciais correm um grande risco se optarem pela tarifa branca.

É preciso salientar os seguintes aspectos:

  • O desconto fora da ponta é de 43%.
  • O sobre-preço na hora da ponta pode chegar a 150%!

Portanto, quem optar pela tarifa branca deve estar ciente que aquele consumo que não puder ser deslocado para fora desse horário (vermelho), equivale a aproximadamente 4 horas de consumo fora da ponta (verde). Como, na maioria dos casos, uma residência tem como principais consumidores de kWh a geladeira e o ar condicionado, só com muito sacrifício pessoal é possível evitar o uso desses eletrodomésticos no período vermelho.

O outro ponto a salientar é que tarifas diferenciadas por horário existem em vários países, mas uma rápida pesquisa mostra que os valores on peak no Canadá equivalem ao o nosso valor off-peak. Nos Estados Unidos e na França o valor on-peak é a metade do nosso.


 

Anne Warth, O Estado de S.Paulo

02 Janeiro 2018 | 12h33

BRASÍLIA – Clientes que consomem mais que 500 quilowatts-hora por mês e que concentram seu consumo fora do horário de pico já podem aderir à tarifa branca e gastar menos com a conta de luz. O novo regime está em vigor deste ontem (1º). Os consumidores que tiverem interesse no novo regime de cobrança devem procurar a distribuidora que atende sua região.

A tarifa branca é um regime tarifário que considera o horário do consumo para definir do preço da energia. O modelo só é vantajoso para quem consegue gerenciar seu consumo e concentrar o uso de eletrodomésticos e chuveiro elétrico entre 22 horas de um dia e 17 horas do dia seguinte. Em contrapartida, entre 17h e 22h, a energia pode ficar até cinco vezes mais cara.

Conta de Luz

Para famílias que trabalham ou estudam o dia todo e chegam em casa no fim da tarde, é melhor continuar no regime atual, por meio do qual o consumidor paga o mesmo valor pela energia em todos os horários do dia, seja manhã, tarde, noite e madrugada. Já escritórios que só funcionam em horário comercial e pessoas que estudam ou trabalham à noite podem se beneficiar com a mudança.

Neste ano, apenas clientes com consumo médio mensal acima de 500 kWh poderão migrar, ou cerca de quatro milhões de unidades consumidoras. Nessa faixa de consumo, estão consumidores de renda mais alta, além de comércios e indústrias de menor porte. O consumo médio mensal do brasileiro é de 160 kWh.

Entenda como é calculada a sua conta de luz

O objetivo da tarifa branca é desestimular o consumo no horário de pico, para dar mais segurança ao sistema elétrico. Os valores da energia cobrada por cada empresa, bem como os horários de pico de cada uma, estão disponíveis no site da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A partir de janeiro de 2019, consumidores com consumo médio mensal acima de 250 kWh poderão migrar. Finalmente, a partir de janeiro de 2020, todos poderão migrar.

 

 

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      6 comentários para “Clientes com maior consumo de energia já podem aderir à tarifa branca – Estadão

    1. RUDERICO F PIMENTEL
      3 de Janeiro de 2018 at 9:07

      Roberto, você mostra bem que os impactos podem ser até negativos para quem migrar, mas acho que cabe uma ressalva, já que essa mudança tem um sinal positivo ao indicar um movimento na direção dos preços horários. Claro que falta muito para isso (incluindo as redes inteligentes…), mas é uma direção necessária se queremos ter a energia corretamente valorizada.

      Do ponto de vista da tarife média para as distribuidoras ela deve mesmo afetar pouco; essa componente tarifaria será sempre reajustada para manter um dado nível de remuneração e portanto, pelo menos em tese, a receita global das distribuidoras não ficará afetada.

      Algum dia essa sinalização terá que chegar na geração; infelizmente quando isso acontecer penalizará as formas renováveis intermitentes, tão necessárias se queremos escapar dos combustíveis fósseis. Mas, acho que sempre é melhor trabalharmos com relações custo-preço corretas do que construirmos mais algumas distorções (tipo as do “net metering”), que depois de estabelecidas dificilmente se corrige. Entre outras vantagens, com preços horários quem sabe conheceremos o valor dos “estoques”… e das usinas reversíveis.

      • Roberto D'Araujo
        3 de Janeiro de 2018 at 9:33

        Ruderico:

        A tarifa brasileira está tão alta que tenho dúvidas se a tarifa branca não vai afetar a receita das distribuidoras negativamente. Imagine o comércio como padaria, tinturaria, oficinas e todas as atividades que podem deslocar consumo intensivo de energia para o período com desconto de 43%. Pequenas indústrias também.
        O que é quase certo é que o setor residencial não deve entrar nessa.
        O que me parece urgente é discutir o papel das distribuidoras na expansão. Se forem transformadas em empresas fio, quem vai contratar o longo prazo? Não vai ter mais contrato de longo prazo?
        Abcs

        • RUDERICO F PIMENTEL
          4 de Janeiro de 2018 at 10:58

          Amigo, para o bem e para o mal, o tempo das hidrelétricas e dos grandes projetos, e que sem contratos de longo prazo não são financiáveis, parece estar se esmaecendo… independentemente de sua lógica, os atores políticos que as defendiam (estatais e empreiteiras…) estão mal… e os grandes projetos sempre afetam o seu em torno e enfrentam resistências, principalmente na Amazônia, onde as usinas estariam chegando…

          e será que as múltiplas pequenas renováveis darão conta? tomara que sim, mas temo que sem muito apoio veremos uma invasão de térmicas (na melhor hipótese a gás) sujando a matriz e indo contra os esforços contra as mudanças climáticas.

          Ou quem sabe, nossos antigos apagões reaparecem…

          Enfim torço pelas renováveis e bem que poderíamos investir em gente, para pegarmos algum pedacinho das evoluções tecnológicas correlatas…

          • Roberto D'Araujo
            4 de Janeiro de 2018 at 11:13

            Apesar de não acreditar em torcida, eu também torço pelas renováveis.
            Quanto à diminuição dos contratos de longo prazo, reconheço que não teremos mais tantas hidroelétricas para serem construídas, ainda mais com essa visão mercantilista. Só acho que somos um país que precisa de crescimento e que vai precisar de muito mais energia. Tenho muitas dúvidas se o mercado de curto prazo pode atender nossas necessidades.
            Mas, é isso o que precisavámos debater.

    2. José Antonio Feijó de Melo
      5 de Janeiro de 2018 at 16:54

      Roberto e Ruderico
      Me permitam entrar no debate para chamar atenção para outros aspectos da questão, que considero significativos e pertinentes. No meu entender a chamada “tarifa branca” é inoportuna e inadequada, pelo simples fato de que ela não corresponde à realidade do nosso sistema elétrico.
      A verdade é que o horário de ponta do sistema interligado nacional (o SIN), nos dias úteis, não é mais o “horário de ponta” tradicional que todos nós conhecíamos num passado que já vai ficando para trás, isto é, mais ou menos entre dezessete e vinte horas, e que na essência foi considerado pela ANEEL para fixar o período de aplicação da nova tarifa (16:30h a 21:30h, no total).
      Como tem sido observado já há alguns anos, a ponta do sistema interligado nacional, nos dias úteis, deslocou-se para o período da tarde, geralmente em torno da 15:00 horas.
      Por exemplo, nesse três primeiros dias úteis do ano a ponta coincidente do SIN não aconteceu no período considerado como de ponta pela ANEEL, mas efetivamente nos seguintes horários: dia 02 – às 22:29h; dia 03 – às 15:38h e no dia 04 – às 16:05h. E existe ainda um outro aspecto igualmente importante, se não até mais. Refiro-me ao Fator de Carga do sistema, que dá ideia sobre a forma da curva diária de carga.
      Note-se, o Fator de Carga do SIN, nesses mesmos três dias, foram os seguintes: dia 02 – 88,8 %; dia 03 – 89,8 %; dia 04 – 90,4 %. Então pergunto. Com que diabos se vai mais achatar essa curva de carga, deslocando consumo da hora de ponta para fora da ponta? Como se viabilizará semelhante milagre.
      Observe-se que a tarifa off-peck já existe e em geral é aplicada a todos os consumidores faturados em tarifa binômia. Isto é, todos consumidores atendidos em 13.8 kV e acima já estão sujeitos a pagarem pesados valores pelo consumo no horário de ponta, que, aliás, ironicamente não é mais o horário de ponta. Certamente, estas pesadíssimas tarifas do horário de ponta atual devem ter sido responsáveis, pelo menos em parte, pelo deslocamento do mesmo. Conheço casos que fizeram este deslocamento.
      Registre-se que esta mudança da ponta já vem ocorrendo faz alguns anos. Em 2012, escrevemos artigo publicado no site do Ilumina em que mostrávamos que não havia prova de que o horário de verão produzia economia de energia e muito menos de que reduzia a ponta do sistema. Na verdade, o que ocorria é que a ponta do sistema estava mesmo acontecendo à tarde, em torno das quinze horas e que, de fato, no ano, acaba sendo a maior.

      • Roberto D'Araujo
        5 de Janeiro de 2018 at 19:48

        Perfeito Feijó!
        Isso reforça a minha desconfiança que essa tarifa branca esconde outras fragilidades do sistema. Qualquer engenheiro eletricista sabe que as fontes de energia que melhor atendem à variações de ponta são as hidroelétricas. Só que, se o sistema brasileiro não consegue mais encher os reservatórios e, ainda por cima, o sistema de transmissão apresenta gargalos advindos de tantos leilões vazios, essa vantagem se perde. Talvez seja isso.

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