Como Eram Simples os Meus Electrons

Disse o sr. Pedro Parente que o sistema elétrico brasileiro é um dos mais complexos que existem. Por todas as manifestações do ministro nos últimos tempos, só poderíamos analisar tal declaração e diagnosticá-la como sintoma de pasmice contraditória, para dizer o mínimo. Ora bem ! De um lado os de boa fé interpretariam a fala do ministro como sintoma de alto conhecimento técnico. De fato um sistema como o brasileiro, de usinas hidrelétricas de grande capacidade e enormes reservatórios, linhas de transmissão muito longas de alta e extra alta tensão interligando-as entre si e aos centros de consumo, exigiram conhecimentos profundos e formação continua de recursos humanos técnicos e gerenciais ao longo de quatro décadas. Os profissionais de engenharia brasileiros ganharam notoriedade internacional planejando, estudando, projetando, especificando, construindo e operando tal sistema. Essa é a parte real e positiva da história que certamente os conhecimentos do ministro apenas tangenciam.


Mas, por outro lado, também podemos afirmar que, da maneira como o sistema cresceu e atendeu as necessidades crescentes de energia elétrica nos últimos 40 anos, ele , olhado pelo lado do consumidor -cidadão- leigo, tornou-se uma das coisas mais simples do país.


O consumidor-cidadão-leigo não precisaria – e não desejaria – conhecer as profundezas da teoria eletromagnética, nem os sofisticados modêlos matemáticos usados pelos especialistas, para buscar os caminhos do controle político e gestionário das empresa elétricas de serviço público pela sociedade. Essa busca não começou. Foi impedida nas quatro décadas pelo autoritarimo-fisiológico dos governos da ditadura militar e, mantendo incólumes sutilmente tais características, os que se seguiram.


Contudo, reiteramos, planejou-se, estudou-se, projetou-se, especificou-se, construiu-se e operou-se um sistema que, com simplicidade, tudo teve a ver com o regime e as diversidades pluviométricas e hídrológicas entre as regiões do Pindorama tropical e as grandes distâncias entre as usinas e os centros de consumo.


Em outras palavras, como era simples gerar, transmitir, distribuir e consumir energia elétrica até que desabou sobre o país, para complicar tudo, a avalanche neoliberal temperada ao paroxismo pela servidão voluntária e predatória dos dirigentes encarregados de aplicá-la.”

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