Brigando com o sol

O vídeo abaixo mostra uma análise do ILUMINA sobre as recentes notícias de alterações na legislação que desincentivam o uso dos telhados solares. Na realidade, o conflito com distribuidoras está imerso no equivocado, instável e incompleto modelo mercantil adotado no Brasil, que, até agora só conseguiu elevar tarifas.

  8 comentários para “Brigando com o sol

  1. Joaquim de Carvalho
    28 de outubro de 2019 at 12:14

    Tanto o ministro da economia quanto o de energia são leigos em matéria de energia. Daí que o governo adota, para o setor elétrico, uma política que resultará em aumento das emissões de CO2 e elevação das tarifas de energia elétrica, ou seja, com vistas à privatização do que restou das estatais de energia elétrica, o governo prejudica os consumidores.
    Roberto D’Araújo está certíssimo

  2. Olga Simbalista
    28 de outubro de 2019 at 12:37

    Olga Simbalista
    Quanto ao paradoxo fotovoltaico gostaria de fazer duas considerações:
    1. A tarifa de enrtgia Elétrica do Brasil e uma das mais caras do mundo, principalmente , porque embute uma carga tributária superior a 40%;
    2. O uso de painéis solares, sem sistema de armazenamento, só é possível porque a concessionária funciona como backup. A saída do auto produtor do fornecimento da distribuidora deixa seu custo fixo rateado entre aqueles q não tem capacidade de geração e a tendência é tal custo crescer de forma injusta. Há q se introduzir uma forma de balancear as duas pontas, como estava sendo cogitado em Nova Iorque. Não acompanhei s solução. Com o preço atual da fotovoltaica (160 R$/Mwh) no último leilão, o patamar de incentivo n precisa ser como no início

    • Roberto D'Araujo
      28 de outubro de 2019 at 13:07

      Olga:
      1. Verdade! A tarifa brasileira tem muito imposto! É o único país que taxa pesadamente a energia elétrica? Não! Veja abaixo.
      http://www.ilumina.org.br/tarifas-brasileiras-caras-ou-baratas/
      2. A regra de pagamento da TUSD é proporcional ao consumo de cada consumidor. Portanto, quem tem fotovoltaicas reduz seu consumo e paga menos TUSD. Só que está sendo comum que distribuidoras cobrem X pela energia fornecida e devolvam X – Y pela energia injetada.
      3. Claro que essa redução existe e, pela pressão das distribuidoras, pode ser colocada no colo dos “sem GD”. Mas a questão não se resume ao espaço distribuidoras e painéis solares. Para o sistema de estoque controlado pelo ONS com efeitos comerciais no PLD, há um alívio. Para um sistema que só está conseguindo armazenar menos da metade da capacidade há quase 5 anos, não há sentido em não reconhecer esse benefício.
      4. É justamente essa ausência de reconhecimento de que as fontes de energia interagem com o sistema que tem a gestão da reserva no centro do modelo que está sendo mostrada no vídeo.
      5. Essa “cegueira” em perceber o sistema cooperativo tem origem no modelo mercantil que, até hoje, não sabe o que é exatamente GF, GSF, Risco Hidrológico o que agrada muito aos advogados.
      Portanto, concordo com o seu texto, mas digo que há outros efeitos que estão fora do debate.
      Abcs

  3. Joaquim de Carvalho
    28 de outubro de 2019 at 17:29

    As térmicas não são a única “bateria” disponível para “armazenar” a energia fotovoltáica.
    Os reservatórios costituem uma “bateria” ainda melhor.

  4. Erico Martins
    28 de outubro de 2019 at 21:28

    Num dos estados da Austrália (Austrália do Sul) eles tinham um gráfico parecido de consumo. Agora a geração distribuída não só acabou com a elevação de consumo no meio do dia como causou uma inversão da curva nesse período:
    https://reneweconomy.com.au/wp-content/uploads/2019/10/aemo-south-australia-min-demand.jpg

  5. Roberto D'Araujo
    29 de outubro de 2019 at 9:02

    Erico:

    Grato pela informação. Repare que a Austrália não tem hidroeletricidade em proporção significativa. Quem tem que aguentar o tranco da entrada e saída do sol são usinas a gás. Elas têm que ficar à postos para a chegada da noite.
    Quem faz isso mais eficientemente? Hidráulicas. Quem tem? Brasil! O que precisa chamar a atenção? Linhas de transmissão. Que grupo já percebeu essa competição e já faz lobby? Usinas termoelétricas.

    • Erico Martins
      29 de outubro de 2019 at 23:43

      Sempre que converso sobre esse assunto tento explicar como o Brasil tem um dos maiores sistemas baterias do mundo, que são perfeitas para funcionar com a energia distribuída de origem solar e eólica.
      Em todos os países as companhias de energia estão tentando criar dificuldades para a instalação dos sistemas solares e eólicos.
      Esse vídeo de humor é bem informativo sobre o caso australiano:
      https://www.youtube.com/watch?v=sitPeRlTdNs

  6. 29 de outubro de 2019 at 12:27

    A questão fundamental é a dimensão sistêmica do problema. Dimensão esta incontornável quando se trata de setor elétrico. Superar a visão fragmentada e específica, natural das pressões dos interesses dos agentes (fragmentados e específicos), é a tarefa mais difícil. Tarefa que exige um Estado com visão estratégica. Ter visão estratégica é algo que não tem nada de simples em momentos de transformações profundas, em que as bases do sistema estão em drástica mutação. Será que existe alguém que acredita realmente que o atual Estado brasileiro tem condições de exercer esse papel? Portanto, estamos condenados à Babel da disputa entre interesses imediatos e específicos. Até que a dramaticidade das crises e desastres imponha a disciplina necessária às reconstruções sofridas, mas, ao que parece, inevitáveis.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *