Contas de luz poderão ter reajuste adicional de 33% – Valor

http://www.valor.com.br/brasil/4026664/contas-de-luz-poderao-ter-reajuste-adicional-de-33

A reportagem descreve o estudo da consultoria PSR mostrando que a insanidade está longe de terminar. Resumidamente, esses são os itens que poderão elevar ainda mais a tarifa brasileira, que mostra características explosivas:

  1. Custos de térmicas ainda superiores às bandeiras tarifárias – R$ 6,1 bilhões
  2. Indenizações de ativos de geração ainda não pagos – R$ 9,7 bilhões
  3. Indenização de ativos de transmissão existentes antes de 2000 – 17,9 bilhões
  4. Contas da CCC não pagas por conta da extinção da CDE – R$ 8,1 bilhões
  5. Insuficiência de geração das hidráulicas para atingir o certificado de garantia física – R$ 10,5 bilhões
  6. Medidas do governo para reforçar a geração – R$ 11, 5 bilhões.

Infelizmente, após confundir o Ilumina com empresas de clipping, o jornal Valor resolveu não mais aceitar nossos artigos. Pior! Parece que essa decisão também se estendeu às reportagens. Se ainda tivéssemos o contato que mantínhamos com o melhor jornal sobre economia do Brasil, o ILUMINA poderia ter informado outro item não listado no preocupante cenário.

Esse item já apareceu em documentos do TCU e já está nos balanços das empresas da Eletrobras. Trata-se de insuficiências das tarifas de O&M fixadas pela MP 579, cujo relatório do TCU TC 011.223/2014 de 6 de junho de 2014 já apontava perdas financeiras de R$ 792 milhões na rubrica  de provisões operacionais. O balanço de FURNAS acaba de informar R$ 970 milhões como “provisão para contrato oneroso”, total relacionado a usinas e sistema de transmissão atingidos pela MP 579 (Nota 27 – pag. 25). Considerando o valor mostrado no documento de TCU data de junho de 2014 e o valor contabilizado por FURNAS, podemos estimar mais R$ 2 bilhões num sétimo item não listado na reportagem.

O que é ridículo em todo esse quadro é que grande parte desse prejuízo, que já superou a receita da privatização do setor na década de 90, resultou da forma em conseguir redução da tarifa em 2012.  

Como já mostramos aqui, muitos outros países teriam muito mais razões de reduzir suas contas através do preço do kWh. Como se pode ver no gráfico abaixo, poucos países tinham a composição de custos que o Brasil tinha em 2011, antes da MP 579 (apenas 31% de uma conta média se referia ao custo de geração). Como se pode verificar, qualquer país listado teria mais razões do que o Brasil para intervir nesse item como estratégia de redução de seu custo final de energia. Por exemplo, o Reino Unido tem mais de 70% de seu custo no valor do kWh. Nenhum deles adotou esse caminho.

Fonte: Energy Prices Statistics – Eurostat -2012

(http://epp.eurostat.ec.europa.eu/statistics_explained/index.php/Energy_price_statistics#Further_Eurostat_information).

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