Crise do setor elétrico provocará alta na tarifa de energia até 2020 – Estado de São Paulo

http://economia.estadao.com.br/noticias/negocios,crise-do-setor-eletrico-provocara-alta-na-tarifa-de-energia-ate-2020,1632983

Comentário: A reportagem mostra estimativas de uma consultoria sobre os prejuízos já causados pela política vigente no setor elétrico.

  • Aumentos da ordem de 68,15% em São Paulo
  • Aumentos sucessivos até 2020.
  • A crise energética já gerou um custo de R$ 115,7 bilhões para o País.
  • Em 2020 a tarifa será em média 22% maior do que em 2014.
  • Aumento de 42% no custo da energia para a indústria em 2015.

Como essa lista digna de filme de horror não provoca nenhuma reação nem dos órgãos reguladores e nem da própria sociedade brasileira, o ILUMINA lamenta, mas lembra que alguns itens ainda ficaram faltando. Nessa conta não está incluída:

  • O prejuízo das geradoras hidroelétricas que não conseguem gerar a sua “garantia física”, um número inventado pelo governo e que o ILUMINA vem denunciando o seu caráter subjetivo há pelo menos 12 anos. Estimativas dessa conta que, muito provavelmente, cairá no colo dos consumidores: R$ 21 bilhões.
  • Não vamos nos esquecer do que ocorre após um racionamento! Para refrescar a memória dos cidadãos, vejam as figuras abaixo.

Após o racionamento de 2001 a carga permaneceu 15% abaixo da “tendência” anterior, como mostra a linha vermelha em relação à preta. 

Como essa tendência era a expectativa de evolução do consumo que suportaria as despesas das distribuidoras, vejam na tabela abaixo os aumentos concedidos logo após o racionamento “para compensar” a redução do consumo.

Portanto, cuidado! Se, ultrapassado o provável racionamento de 2015, mais uma vez, nós consumidores decepcionarmos as expectativas de receita das empresas, algo semelhante ainda virá em adição a tudo o que foi apontado na reportagem. Aumentos da ordem de 30% podem não estar na conta dos consultores.

É como o ditado: Se correr o bicho pega e se ficar o bicho come.

  7 comentários para “Crise do setor elétrico provocará alta na tarifa de energia até 2020 – Estado de São Paulo

  1. José Carlos Rosa e Silva de Abreu Vasconcelos
    13 de fevereiro de 2015 at 11:41

    Roberto,

    Complementado o seu artigo, lembramos a incidência dos impostos ICMS, PIS e Confins que são de interesse dos governos estaduais e federal, assim quando maior o aumento da tarifa maior a arrecadação dos mesmos e menores rombos nas suas contas. Lembramos, também, que a bandeira para reduzir/inibir o consumo representa um aumento na conta, e que o valor a ser cobrado dos consumidores não é só aquele informado pelo governo, pois sobre ele incide os impostos mencionados anteriormente, ou seja, o governo está matando dois coelhos com uma única cajadada, ao transferir para o consumidor as responsabilidades das concessionárias e indiretamente aumentando a sua arrecadação.
    A título de exemplo citamos o caso de um consumidor que consumiu 333 KWh que em função da bandeira teria um acréscimo de na conta de R$ 9,99, mas em virtude dos impostos viu este valor aumentar para R$ 15,13.
    O problema é que do jeito que as coisas estão evoluindo, com a manutenção do atual modelo fundamentado na estrutura formada pelo ONS. EPE e ANEEL, eles podem está matando a galinha dos ovos de ouro.

    • Roberto D'Araujo
      13 de fevereiro de 2015 at 12:23

      José Carlos

      Grato pelo seu comentário lembrando essa alta carga tributária sobre um serviço público essencial. O que é também preocupante é que a complexidade da atual estrutura do modelo, além de fazer do consumidor uma vítima, também impossibilita a ação dos orgãos fiscalizadores, como TCU, MPF e até a ANEEL. A crise é gravíssima, eminente e parece um assunto secundário.

  2. José Antonio Feijó de Melo
    13 de fevereiro de 2015 at 13:19

    Roberto, com sua permissão, lembro que a revisão tarifária da CELPE em 2005 não foi de apenas 24,43%, mas sim de 34,54%. A verdade é que naquela ocasião a ANEEL, para reduzir o impacto, resolveu conceder somente os 24,34% e deixar os 10,11% restantes para cobrança dividida nos três anos seguintes (cerca de 3,4% a cada ano), naturalmente com juros e correção monetária pelo IGPM e em adição aos reajustes anuais regulares.
    Além disso, permito-me também registrar que você esqueceu o chamado “Acordão”, pelo qual resolveram cobrar dos consumidores a energia que de fato não foi consumida no período do racionamento (nem faturada, evidentemente), mas que havia sido prevista nos “mercados” das distribuidoras para fixação das respectivas tarifas. Se não me falha a memória, esse montante atingiu a bagatela de R$ 7,0 bilhões, que foi adiantado pelo BNDES como um empréstimo, a ser quitado pelos tomadores com a receita específica de um adicional tarifário que vigorou por cerca de seis anos, até a liquidação total do citado empréstimo. Em outras palavras, isto significou que para as distribuidoras de energia elétrica o racionamento não existiu. Coisa do nosso belo Modelo Mercantil.

    • Roberto D'Araujo
      13 de fevereiro de 2015 at 13:26

      Feijó:

      A tabela de aumentos foi publicada pelo DIEESE. Deve mesmo estar errada no caso da CELPE. Acho que não esqueci do Acordão. O gráfico da carga mostra indiretamente a “receita esperada” que seria frustrada pela nossa economia. Exatamente como você disse, a energia economizada foi paga. Basta consultar os dados de valorização das distribuidoras na Bolsa de valores nesse período.

  3. SILVANA
    19 de maio de 2015 at 11:55

    O FATO É QUE TEMOS QUE TIRAR ESTA MULHERZINHA DA PRESIDENCIA,ELA ESTÁ ACABANDO COM O BRASIL.
    ODEIO A DILMA ESTOU REVOLTADA COM TUDO QUE ELA ESTÁ FAZENDO COM NÓS BRASILEIROS.

    • Roberto D'Araujo
      19 de maio de 2015 at 12:16

      Silvana;

      O que os consumidores de energia elétrica precisam entender é que a lambança na energia elétrica deixou sequelas muito mais sérias e difíceis de reverter do que as da Petrobras, que domina a mídia. A razão disso é que poucas pessoas entendem como se formam os custos do setor. Não adianta odiar. A solução é se conscientizar. Divulgue o Ilumina, que tenta explicar essa confusão.

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