Curto Circuito no Setor Elétrico LUÍS NASSIF Setor em curto-circuito O governo federal não está avaliando corretamente os problemas que podem acontecer no setor de energia pela falta de definiç&otil …

Curto Circuito no Setor Elétrico



LUÍS NASSIF


Setor em curto-circuito


O governo federal não está avaliando corretamente os problemas que podem acontecer no setor de energia pela falta de definições sobre o modelo elétrico. Recentemente foi lançado com algum estardalhaço o plano de construção de termelétricas movidas a gás. Apenas a Petrobras se habilitou e por razões muito particulares: ela é a dona do gás. A principal razão dessa indecisão do setor privado é não saber o que ocorrerá com o mercado a partir de 2003, quando a competição será livre. Aliás, não se sabe nem agora. Nos últimos tempos a Copel, do Paraná, tem entrado no mercado paulista oferecendo energia a preços inferiores aos cobrados no Paraná. Pode fazer isso porque tem geração. Mas é sinal de que não existe critério para a definição de preço -se se cobra tarifa (que tem que ser a mesma para todo consumidor) ou livre preço.


No setor de telecomunicações, partiu-se para um modelo competitivo vitorioso. Mas nessa área as tecnologias estão em constante mutação e são de fácil implementação. No setor elétrico, o jogo é diferente, exigem-se horizontes de longo prazo. Entre a tomada de decisão e a entrada em operação de uma hidrelétrica, passam anos. No caso das termelétricas, o prazo é mínimo. Em outros países, as termelétricas entram como complementação para as hidrelétricas, para suprir necessidades sazonais. No Brasil a integração entre as bacias do Norte e do Sul permite essa complementação. Quando num canto tem estiagem, no outro chove. Essa integração é única no mundo.


Ocorre que a falta de regras no mercado levou a um quadro complicado. Em 2003 haverá competição, e as geradoras de energia poderão fixar seus preços livremente. Quando ocorreu a privatização, o governo fixou contratos de concessão com as empresas privatizadas levando em conta o preço subavaliado da geração. Com a liberação, os preços de geração terão nível internacional. Para preservar o equilíbrio financeiro dos contratos de concessão (que serviram de base para os lances dados pelos compradores), poderá haver reajustes substanciais nas tarifas. Aí entra a falta de definições. Como não se sabe como será a competição em 2003, nenhuma distribuidora quer se amarrar a contratos de longo prazo com as geradoras ou candidatas a geradoras. Sem esses contratos, ninguém se aventura a investir na área. Não se investe nem no longo prazo das hidrelétricas nem no curto prazo das termelétricas. Assinaram protocolo de intenção para as termelétricas a gás 49 empresas, e só a Petrobras construiu, por ser a dona do gás. Seu custo de produção é de US$ 0,10 por milhão de btu. Na térmica, sai a US$ 2,43. No custo da tarifa, o gás sai a US$ 0,20, e investimentos e pessoal, a US$ 15. Portanto há uma grande margem para a Petrobras até reduzir preços, em caso de competição com outras formas de energia. Mas não se pode apostar em um modelo que tem uma perna apenas de investimento -a Petrobras. A cada dia que passa sem definições sobre o "day after" de 2003, é menos investimento na área.



O ILUMINA comenta:


Mais uma vez o cronista toca na questão do setor elétrico. A imprensa anda meio silenciosa mas quem anda conversando com os industriais sabe que a coisa está ficando complicada. Luís Nassif tenta até explicar os problemas particulares do setor elétrico brasileiro mas apenas tangencia a questão por não conhece-lo profundamente. Talvez se ele acessace a página do ILUMINA pudesse compreender melhor o que está ocorrendo.


Quando comenta sobre a complementariedade das usinas térmicas, não acerta. Em outros países, Nassif ,é o contrário: As hidroelétricas entram em complementação às térmicas. Os únicos lugares importantes que têm usinas hidro "na base" são Quebec, o Noroeste Americano, o Valle do Tenesse, a Noruega e o Brasil.


Tem mais! O país precisa de complementação térmica sim! Não basta a diversidade hidrológica. Mas usinas a gás com contratos "take or pay" não servem! Óleo combustivel, Carvão, Bagaço de Cana, Lenha, e até Nucleares servem. Agora, usinas que queimam gás o tempo todo não serve pois deslocam a geração hidráullica mesmo quando sobra água. Um contracenso!


O preço do MAE está bastante estranho pois, a nosso ver, os parametros que contabilizam economicamente a situação furtura de abastecimento estão sub-avaliados! O ONS e o MAE estão usando um valor para o custo do déficit de apenas R$ 600/MWh. Nos Estados Unidos e Candá esse valor atinge US$ 3000/MWh. Tá certo que não sejamos as potências econômicas dos acima mencionados mas um valor dez vezes menor é absurdo.


Na página do ILUMINA é encontrada explicação sobre o que está acontecendo com o nível de garantia. Na realidade, não há sobras! Estamos é vendendo hoje por um preço barato a energia de 2001, 2002, etc., o que vai agravar ainda mais a situação de 2003!


Teremos competição sem oferta!


O que é que acontece com os preços nesse caso?










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