Déficit dobra custo da energia desde 2012 – Valor

Análise do ILUMINA: Infelizmente, a notícia é um exemplo típico de “partial News” ou “biased News”. Anuncia uma série de más notícias sem ir ao cerne do problema. Leia a reportagem e, depois, O ILUMINA pode esclarecer com 3 figuras:

Por que?

Simples: Quando alguém paga muito barato, outros pagam a diferença.

E permanece a dúvida sobre o déficit hidrológico das cotizadas ser quase o dobro das não cotizadas.


Por Camila Maia e Rodrigo Polito |

Além de travar o mercado à vista de energia, o déficit de geração das hidrelétricas (GSF) praticamente dobrou o valor da energia colocada no regime de cotas, criado pela então presidente Dilma Rousseff em 2012 a fim de baixar as tarifas.

Levantamento da Comerc Energia mostra que as cotas custaram aos consumidores cerca de R$ 22 bilhões entre 2013 e abril deste ano, e o GSF das cotas chegou a R$ 20 bilhões no mesmo período — impondo à tarifa quase o dobro do custo.

No ano passado, por exemplo, o GSF das cotas custou R$ 8,3 bilhões, enquanto as cotas em si tiveram custo de R$ 6,7 bilhões. Nas cotas, o risco hidrológico é repassado ao consumidor, enquanto em contratos regulares o GSF fica com os geradores. Na prática, isso quer dizer que, sem o modelo adotado em 2012, esse custo de R$ 8,3 bilhões ficaria não com o consumidor, mas com as geradoras.

Diferentemente dos geradores, que conseguem administrar o risco hidrológico por meio da compra e venda de energia, as distribuidoras têm uma gestão passiva, repassando o custo total aos consumidores.

“Qual o interesse da distribuidora em se proteger? Ela repassa tudo ao consumidor. Assim, a administração do risco fica nas mãos de alguém que não tenha interesse nem o direito a fazer gestão de proteção”, disse Cristopher Vlavianos, presidente da Comerc.

Foram enquadradas no regime de cotas as hidrelétricas cujas concessões estavam próximas de vencer em 2012. A ideia era antecipar a renovação, mas com uma nova tarifa, que cobrisse apenas custos de operação e manutenção dos ativos. Na época, o risco hidrológico não era o problema que se tornou de 2014 para cá, quando uma seca grave afetou o país e obrigou o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) a determinar que as usinas gerassem menos que suas garantias físicas para preservar os níveis dos reservatórios. No seu lugar, entraram térmicas mais caras, além das novas fontes renováveis como usinas eólicas e solares.

Na prática, a tarifa das cotas custou o dobro do que deveria aos consumidores por conta do GSF. Neste ano, o custo do GSF deve crescer ainda mais a partir de agora. A Comerc prevê que o déficit das hidrelétricas, hoje próximo de 30%, chegará a 40% entre agosto e setembro — vão produzir 40% abaixo da garantia física. A consultoria GV Energy também projeta um GSF elevado para o segundo semestre, na faixa de 30% no período de julho a outubro deste ano. Segundo a empresa, o déficit pode ser zerado no início do período chuvoso, a partir de novembro. Como no período chuvoso normalmente os preços de energia caem, as hidrelétricas “sazonalizam” contratos para os meses mais secos, quando os preços ficam mais altos. Isso é possível porque o mundo físico das usinas é separado do contratual.

No início do ano, quando a hidrologia estava favorável, o sistema chegou a ter ganho de energia secundária — quando a geração das usinas é superior à vendida. A sazonalização dos contratos estava entre 80% e 90% das garantias físicas. No segundo semestre, o cenário se inverte, com as usinas contratando até 120% das suas garantias físicas no mercado de energia. Isso ajuda a mitigar o efeito adverso do GSF. Por isso, o custo da GSF nas cotas foi relativamente baixo de janeiro a abril, como mostra o levantamento da Comerc. No período, o custo médio das cotas foi de R$ 84,47/MWh, enquanto o GSF pago pelos consumidores foi de R$ 10,35/MWh. Com o início do período seco, em maio, a tendência é que o cenário mude e o custo do GSF nas cotas suba ainda mais. Em 2017, a energia cotizada custou em média R$ 147,21/MWh, sendo que mais da metade, R$ 81,25/ MWh, veio do GSF.

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      5 comentários para “Déficit dobra custo da energia desde 2012 – Valor

    1. José Antonio Feijó de Melo
      6 de julho de 2018 at 11:56

      Pois é Roberto
      A desinformação de sempre. Não sabemos se por falta de conhecimentos técnicos suficientes para avaliar os fatos corretamente, ou mesmo se por opção de esconder a verdade. Como você diz, a “partial news”.
      Nos seus gráficos está claríssimo ver quem abocanhou o filé quando se usou abusivamente da água que parecia sobrar, mas que pelo menos em parte deveria ter sido represada nos reservatórios para uso nos possíveis momentos de seca futuros (para isto os reservatórios foram construídos). Então, para o “nobre público em geral” sobraram apenas os ossos.

    2. Caio
      6 de julho de 2018 at 14:10

      Prezado Roberto, uma dúvida.
      Para o consumidor, qual o custo final das cotas?
      Por exemplo, se a cota está a $15, e o gsf apresenta aproximadamente o mesmo valor do custo, a energia final das cotas estaria saindo a $30? Ou seja, se $7 bi representam x mwh de custo das cotas e $8 bi é o custo do gsf, o custo final das cotas seria de $15 bi por xxx mwh?
      Pro consumidor nao estaria ainda saindo mais barato q os $180 R$/mwh do “mercado” não cota?

      • Roberto D'Araujo
        6 de julho de 2018 at 14:41

        Caio
        O custo das cotas para o consumidor já é maior do que o valor que você cita. A GAG é mais ou menos 15, mas a RAG fica por uns 40.
        Depende muito de cada distribuidora mas o déficit das cotizadas está muito alto. Surpreendentemente é quase o dobro das não cotizadas. Pedi uma análise do ONS mas até agora não obtivemos resposta.

    3. 18 de julho de 2018 at 19:39

      Quanto de energia exportamos na forma de alumínio e lingotes usando energia de usinas já amortizadas?
      O que sobra para o povo?
      O mercado livre continua sendo privilégio de alguns?

      • Roberto D'Araujo
        18 de julho de 2018 at 19:57

        Perfeitas observações e perguntas Cascaes

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