Desinformação.gov.br III

Roberto Pereira D’Araujo

Vejam esse vídeo do Diogo Mac Cord, secretário de desestatização no site do Instituto Milenium.

Observem o dado falso. Os investimentos totais do setor público (governos e empresas públicas) na primeira década de 90 foi de aproximadamente 5% do PIB e não 2% como o secretário afirma. Ele precisa explicar que investimento público é esse.

No público, linha vermelha, estão incluídos investimentos dos governos central, estadual, municipal e das empresas estatais.

Como se pode constatar no gráfico, na realidade, o processo de privatização da década de 90 destruiu o investimento público e o investimento privado se estabilizou no entorno de 12% do PIB. Isso significa que, ao contrário do que afirma o senhor Diogo, o setor privado nunca ocupou o espaço da queda do investimento público. Na verdade, a Formação Bruta de Capital Fixo total (soma dos dois), se reduziu!

Além disso é preciso chamar a atenção da série de desembolsos do BNDES, que coincide justamente com as diversas sociedades de propósito específico da Eletrobras.

Reparem que de 1997 até 2006 o BNDES ofereceu aproximadamente R$ 100 bilhões/ano. No período 2007 – 2015, a média foi de R$ 250 bilhões/ano. Só o setor elétrico absorveu mais de R$ 1 trilhão a preços de 2020.

Ao citar exemplos onde “não é necessário mais o setor público”, surpreendentemente, ele cita a presença do BNDES, que, só com uma visão muito distorcida estaria fora do setor público. Afinal, por que o capital não busca financiamento em bancos privados?

É impressionante que, apesar do desastre de Mariana e Brumadinho, ele cite a Vale como exemplo de privatização bem sucedida. É de pasmar que com tanto aumento de empregos, ninguém foi capaz de evitar uma destruição mais do que avisada.

O discurso do senhor Diego para privatizar a Eletrobras fica mais fácil porque não estamos mostrando que o setor privado só “investiu” na compra de usinas hidrelétricas prontas ou em parceria com a Eletrobras. http://www.ilumina.org.br/ultima-chance-v/

O discurso de redução tarifária também fica fácil porque não estamos mostrando que a tarifa brasileira já é a 2ª colocada na lista de preços altos e estamos aceitando o uso de outros encargos como se fosse redução de custo.

Ao contrário do discurso, o setor privado investiu principalmente em térmicas em leilões decididos às pressas para resolver problemas de desequilíbrio do modelo, como já mostramos anteriormente. http://www.ilumina.org.br/ultima-chance-ii/

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