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Roberto Pereira D’Araujo

Como já mostramos aqui, principalmente em entrevistas do Secretário de Desestatização Diogo Mc Cord, o governo adotou uma campanha de desmonte e demonização de instituições estatais.

Em primeiro lugar, é preciso salientar com veemência que nenhum país que tenha optado por privatizar empresas públicas antecedeu esse processo com uma campanha de desvalorização das empresas. Difícil não ficar desconfiado….

Em segundo, aproveitando-se do elevado grau de desinformação da sociedade brasileira, fruto da desigualdade, baixo nível de escolaridade, mas também de posições ideológicas da maioria da mídia brasileira, tenta de todas as maneiras colocar a sociedade contra os funcionários dessas instituições.

No caso da Eletrobrás, essa política tangencia um imenso grau de irresponsabilidade, pois adota a política pública de desinformar. Despreza a história da Eletrobrás, que num passado não muito distante, exerceu com eficiência o papel hoje desempenhado pelo Operador Nacional do Sistema, pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica e pela Empresa de Pesquisa Energética. Basta mencionar que fez isso tudo conseguindo praticar uma tarifa que era a metade da atual.

Como praticar essa política suicida que só desvaloriza a empresa perante os olhos agradecidos dos investidores, que, na verdade, sabem que grande parte da campanha é falsa? Com publicações desse tipo que estão mostradas abaixo e que, por enquanto, vamos apontar o desprezo pela inteligência do cidadão.

São listados “benefícios” aos empregados das estatais sem, ao menos, citar que, alguns, são frequentes em qualquer empresa que cumpra a lei, como 13o salário, periculosidade, gratificação de férias, direitos sindicais e outras “vantagens” que, na verdade, são pagas pelos empregados.

Mas o que chama a atenção e denuncia a má fé é a citação das remunerações:

Maior Salário:  R$ 71.154

Menor Salário:  R$ 1.926

Média salarial:  R$ 11. 227

Ao invés de mostrar a verdadeira distribuição de vencimentos, publica apenas 3 valores. Ora, qualquer pessoa com uma máquina de calcular pode perceber que, para que a média seja R$ 11.227, com esses máximos e mínimos, MAIS DE 80% DOS SALÁRIOS DA ELETROBRÁS ESTÃO ABAIXO DA MÉDIA. Assim, confiando na falta de curiosidade e falta de informação, tenta-se passar a ideia de que a Eletrobrás é um celeiro de marajás, lembrando o governo Collor.

Sobre os altos salários, seria interessante rememorar o grande período de politização de cargos nas estatais. Aqueles que desprezam todas as razões ligadas à políticas públicas responsáveis e focam somente a interferência política para justificar a privatização, se tivessem um mínimo de curiosidade e honestidade intelectual, veriam que tal “invasão” foi feita desrespeitando a lei das S. A. e estatutos da empresa. Geralmente esses cargos não resultaram só em votos no congresso, mas também em políticas financeiramente suicidas!

Outras desinformações serão mostradas logo.

 

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