Dr. Adriano Pires e suas considerações analisadas.

Roberto Pereira D´Araujo

A pedidos de um dos leitores de artigos no Ilumina, faço uma análise do seguinte texto de autoria do Dr. Adriano Pires. Ler antes.

https://www.poder360.com.br/opiniao/a-capitalizacao-da-eletrobras-nao-tem-jabutis-e-sim-corujas-adriano-pires/

O Sr. Adriano Pires sempre esteve a favor, tanto do modelo mercantil, que hoje ele recrimina, como a favor da privatização da Eletrobras. Se, como ele afirma, “não é de hoje que discute a privatização da Eletrobras”, é porque algo está muito errado nas premissas que ele sempre acreditou. Não me parece que “antiguidade” seja um argumento válido.

Repare que a tese principal defendida é que a Eletrobras só exercerá um “papel de protagonista” se passar a ser controlada pelo capital privado. O que ele não consegue entender é que o problema da empresa pública que imaginou, coordenou e implantou a arquitetura do nosso sistema, foi exatamente ter que assumir um papel de “protagonismo” para reparar os defeitos do modelo privado mercantil que ele tanto admira.

Senão, vejamos:

  1. Sem ser sua área de atuação, a Eletrobras assumiu empresas distribuidoras rejeitadas pelo capital privado assumindo dívidas e contrariando seu estatuto.
  2. O racionamento, que não foi obra exclusiva de São Pedro, mas sim da falta de investimento do capital que aguardava a confortável situação de comprar usinas prontas, preparou outras armadilhas para a Eletrobras.
  3. Com a queda de consumo, a Eletrobras perdeu seus contratos, apesar de mais baratos, e continuou sendo obrigada a gerar energia hidroelétrica. Foi proibida de atuar no mercado livre liquidando seus MWh a preços irrisórios.
  4. Enquanto isso, tão ao gosto do Dr. Adriano, o plano prioritário de térmicas lançava 14 GW de usinas. Exerceram um papel inútil por mais de 8 anos, pois sua geração média não passou de 2 GW médios, já que o consumo caiu 15%.
  5. O mercado livre, viciado em preços irrisórios, atinge 30% da carga e não contrata expansão nem para a sua parcela de energia. Outro leilão de térmicas contrata mais de 10 GW a partir de 2008.
  6. Já que o capital mostrou não ter iniciativa e nem interesse por construir hidroelétricas, a Eletrobras foi obrigada a oferecer parcerias majoritárias ao capital para construir quase 17 GW de projetos hidroelétricos.
  7. Sem qualquer diagnóstico das razões da verdadeira explosão tarifária brasileira, o governo, atendendo campanhas da FIESP, faz uma redução tarifária a fórceps nas usinas da Eletrobras. A maioria das usinas privadas não foi atingida.
  8. Agora, se aproveitando de erros conceituais, o governo faz uma redução do certificado matemático de garantia física nas usinas atingidas pelo processo de cotização, outra vez atingindo usinas da Eletrobrás. O Dr. Adriano faz considerações totalmente equivocadas sobre o MRE e o GSF, parte da “sopa de letrinhas” do modelo mercantil que não se enquadra no mundo físico brasileiro.
  9. Como se vê, a Eletrobras foi a “protagonista” de vítima nessa irônica comédia. Mas, infelizmente, como já é tradição do Brasil, ninguém conhece esses detalhes.

Todas as explicações detalhadas se encontram na postagem abaixo, que, até hoje, 23/03 não foram respondidas pela audiência do BNDES sobre o processo de capitalização.

http://www.ilumina.org.br/consulta-publica-sobre-a-privatizacao-da-eletrobras-bndes/

 

 

  2 comentários para “Dr. Adriano Pires e suas considerações analisadas.

  1. Sérgio Fernandes
    25 de março de 2022 at 22:35

    Realmente um país com abundância de recursos naturais precisar realizar:

    “A construção de 8GW de geração térmica a gás natural nas regiões Norte, Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste vai trazer confiabilidade à matriz elétrica brasileira hoje muito refém do clima, produzir empregos com a construção de gasodutos e levar desenvolvimento regional através da chegada dos gasodutos….”

    A que custo? Vivemos uma verdadeira distopia neste país.

  2. Uriel
    19 de abril de 2022 at 11:04

    Impressionante! Uma quantidade tão grande de desinformação não pode ser desconhecimento, ainda mais vindo de uma pessoa tão influente no setor, ao ponto de ter sido indicado para a presidência da Petrobrás.

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