Eletrobras lança plano para aposentar até 4,6 mil empregados – Folha de SP

Análise do ILUMINA: O artigo é de maio de 2017. Mas, dada a volúpia de “despejo” de mão de obra qualificada que tomou conta da direção da Eletrobras, vele a pena reler:

O grupo Eletrobras tinha cerca de 23.000 funcionários, segundo dados de 2016. As empresas estão listadas no final do comentário. Cerca de 5.000 empregados estão nas distribuidoras, empresas “empurradas” para cima da estatal pela falta de interesse do capital privado na década de 90 que preferiam o “filé mignon”, deixando as distribuidoras deficitárias com a Eletrobras. Portanto, excluindo esse “apêndice”, são 18.000 funcionários.

Como saber se é exagerado ou não? Empresas de energia elétrica podem ser muito diferentes no mundo. Mas, chama atenção o estudo Renewable Energy and Jobs do International Renewable Energy Agency (IRENA) com dados dos países da OCDE.

Segundo esse estudo, apenas para as atividades de Operação e Manutenção de empresas que operam grandes usinas hidroelétricas, cada MW instalado gera 0,3 empregos nessa atividade. A Eletrobras é responsável por aproximadamente 45.000 MW de geração de energia. Portanto, considerando essa média dos países da OCDE, seriam necessários 13.500 empregados apenas para operar e manter suas usinas.

Fica evidente que os 18.000 empregados são um número baixo, porque seria uma tolice achar que todas as outras atividades de uma empresa de energia ocupariam apenas 25% do total e 1/3 do necessário para operar as usinas.

Outras fontes que mostram que a Eletrobras não é o “cabide de emprego” que está por trás do processo de desmonte lento, gradual e agora nos seus capítulos finais, estão abaixo.

http://www.investopedia.com/articles/investing/022516/worlds-top-10-utility-companies.asp

http://www.power-technology.com/features/featurethe-top-10-biggest-power-companies-of-2014-4385942/

Abaixo, o índice número de empregados por MW instalado de algumas empresas mundiais.


Como se vê, mesmo com os empregados das distribuidoras, a Eletrobras é a de índice mais baixo. Na realidade, estamos assistindo a continuidade do lento desmonte da Eletrobras, iniciada há mais de 30 anos.

É difícil compreender como um país decide demolir uma instituição que, apesar de sofrer todos os tipos de interferências políticas, elevou a capacidade de geração de cerca de 6.000 MW para cerca de 100.000 MW sem perceber o que isso significa para seu futuro. Como sempre, o critério de dispensa de funcionários nada têm a ver com suas funções. Parece mais um despejo de excessos decorrentes do desmonte.

 


 

NICOLA PAMPLONA

DO RIO

 

A Eletrobras anunciou nesta segunda (22) o lançamento de um plano de incentivos para o desligamento de empregados que já tenham condições de se aposentar. Segundo a empresa, até 4.600 empregados preenchem os requisitos para adesão.

Chamada de Plano de Aposentadoria Extraordinária (PAE), a iniciativa tem o objetivo de reduzir custos e adequar o quadro de empregados à nova realidade do setor elétrico, informou a empresa.

No balanço do primeiro trimestre, a empresa informou ter fechado março com 23.358 mil empregados.

Podem aderir ao PAE empregados com 55 anos ou mais e pelo menos dez anos de vínculo com a empresa que já tenham se aposentado pelo INSS ou estejam em idade de requerer o benefício no momento do desligamento. A ideia é concluir o processo de adesão até o fim de julho.

Em apresentação de seu plano de negócios, a empresa diz que, caso à adesão chegue à metade do número de empregados elegíveis, a economia será de R$ 920 milhões por ano. Já o custo com o pagamento de benefícios é de R$ 1,5 bilhão.

A companhia fechou 2016 com dívida líquida de R$ 23,4 bilhões e o indicador que mede a relação entre dívida e EBITDA em 6,7 vezes. A meta do plano de negócios é baixar este número para 4 vezes.

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      6 comentários para “Eletrobras lança plano para aposentar até 4,6 mil empregados – Folha de SP

    1. Agamenon R E. Oliveira
      23 de Maio de 2017 at 16:06

      Roberto e demais:
      Não existe excesso de empregados no Cepel, que atualmente conta com 377 empregados, salvo um pequeno engano. O Cepel foi extremamente penalizado em 2013 quando sairam cerca de 40 pesquisadores e 30 técnicos, ou seja uma perda técnica considerável. Nas conversas que temos tido com o Márcio Schzertman, atual diretor geral do Cepel, temos afirmado que a instituição já foi excessivamente penalizada e que deveria ficar fora da degola. Também temos discordado da orientação da Eletrobrás em fazer tamanho enxugamento no setor. Eles usam o eufemismo de reestruturação para esconder o lado perverso do processo. Última observação, numa época em que a inovação tecnológica deveria ser uma preocupação da alta direção do setor, ela é relegada a uma remanescência qualquer. Um exemplo, a Alemanha tem cerca de 60 centros como o Cepel. Cada um tem em torno de 300 a 400 pessoas nos mais variados campos do desenvolvimento tecnológico e sendo irrigados com rios de dinheiro. Talvez eles até desconheçam este fato.

      • Roberto D'Araujo
        23 de Maio de 2017 at 16:23

        Perfeito Agamenon. E, mais uma vez, vemos um desinteresse total do setor privado na ocupação desse espaço que no mundo desenvolvido é obrigação.

    2. José Antonio Feijó de Melo
      24 de Maio de 2017 at 17:22

      Pois é Roberto:
      A melhor palavra para definir tudo isto você já usou no “Assunto” da mensagem que me enviou a respeito: DESMONTE. É isto mesmo o que pretendem, desmontar a estrutura estatal que sustentou o setor e ajudou o crescimento do País a partir dos anos 1950 até pelo menos 1995, quando teve início esse DESMONTE.
      Desde então, já são mais de vinte anos de erros sucessivos que conduziram simplesmente ao seguinte: – tarifas cada vez mais altas (passamos das menores do mundo, para o lado das maiores); – o maior racionamento de energia elétrica do mundo em tempos de paz (20% da carga, durante nove meses), seguindo-se permanente ameaça de repetição; – baixa qualidade do serviço; – e precarização das condições de trabalho dos eletricitários.
      Entretanto, como diria o Conselheiro Acácio, “as consequências vêm sempre depois”, como, aliás, já vieram. Mas então não nos venham falar em “custo Brasil”.

    3. Olavo Cabral Ramos Filho
      29 de Março de 2018 at 10:44

      É sempre salutar lembrar que essa mania de planos de demissão (PSEUDO) voluntaria iniciou se em 1990/91 na Eletrobrás e
      suas controladas.

      Desde então muitos outros PD(P)V’s foram executados. Foram tantos que até parece estranho que as empresas ainda
      tenham quadros a defenestrar.

      Quanto ao CEPEL, é uma fixação por destruí lo em governos tucanos ou similares. Xisto quase conseguiu.

      • Luiz Carlos Campbell
        30 de Março de 2018 at 1:14

        Olavo poderia escrever muito mais sobre esse desmonte! Pois sabe muito bem o quanto foi difícil firmar quadris tanto em Furnas como nas Consultorias como a PROMON e a IESA. Estou em Furnas só a 14 anos como concursado público mas trabalho paro o sistema Eletrobrás desde 1966, mais de 50 anos.

    4. Olavo Cabral Ramos Filho
      1 de Abril de 2018 at 12:45

      Luiz Carlos,

      Sempre achei uma façanha gloriosa e muito corajosa você ter feito concurso publico para Furnas e lá estar há 14 anos,
      a metade menos um ano do tempo que dediquei a Furnas.

      Principalmente quando , por razões lesa patria o governo Collor iniciou o processo que levou ao desaparecmento
      das empresas brasileiras de engenharia de projeto nas quais você trabalhou.

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