Energia eólica


Abeeólica e EPE reúnem-se para debater viabilidade de energia eólica
Leilão exclusivo seria ponto de partida de programa de longo prazo, que permitiria investimentos de R$ 40 bilhões em dez anos, disse Lauro Fiúza


Fábio Couto, da Agência CanalEnergia, Negócios



A inserção das eólicas na matriz energética teve mais um passo rumo. Nesta quarta-feira, 10 de setembro, o presidente da Empresa de Pesquisa Energética, Mauricio Tolmasquim, reuniu-se com executivos da Associação Brasileira de Energia Eólica para iniciar análises sobre a viabilidade de projetos dessa fonte. Segundo o presidente da Abeeólica, Lauro Fiúza Jr, a reunião foi a primeira de uma série, para desenvolver um programa de longo prazo para a fonte.


O executivo contou que a realização de um leilão exclusivo para a fonte eólica, que estaria previstapara o primeiro semestre do próximo ano,seria o ponto de partida para o programa. Fiúza explicou que o objetivo não é obter subsídios ou tratamento diferenciado para a indústria eólica, mas implementar um ambiente atrativo para investidores com o uso de regras já existentes, aplicadas em outros setores.


A isonomia abriria espaço para redução de custos de implantação, o que significaria uma tarifa mais competitiva frente a outras fontes. Com a viabilização, ele estima investimentos da ordem de R$ 4 bilhões por ano num período de dez anos, com a adição de cerca de 400 MWmed por ano no mesmo período – ou seja, R$ 40 bilhões em dez anos.


Um dos exemplos, destacou, poderia ser o enquadramento de projetos eólicos previstos em leilão nas condições de financiamento e de tratamento tributário do Programa de Aceleração do Crescimento. Segundo ele, os empreendimentos poderiam ter ainda redução do Imposto de Importação e revisão do índice de nacionalização de equipamentos para taxas que não inviabilizem a produção nacional, mas que permita a competitividade do setor.


Outras propostas incluem adoção do conceito de conexão compartilhada (ICGs) aos empreendimentos eólicos, com possibilidade de uso de contratos de prazo mais longo. Fiúza avalia que a criação de um ambiente isonômico abre espaço para entrada de mais investimentos e colocará o país numa condição privilegiada para esse mercado.


Isso porque, salientou, no mundo há uma previsão de avanço do parque gerador de 100 GW para 700 GW num curto espaço de tempo. “O Brasil pode ser até exportador de equipamentos”, afirmou, acrescentando que já há consumidores livres comprando energia a R$ 180 por MWh, próximo da faixa de preços que atualmente situa-se a geração eólica.


Fiúza destacou que Tolmasquim pediu estudos à Abeeólica para tratar de aspectos técnicos da fonte e que a geração eólica é um empreendimento de rápida implementação – com obras que podem demandar até 18 meses de duração. “Além disso, essas usinas podem utilizar recursos de créditos de carbono e resultantes de resoluções da Organização para Cooperação de Desenvolvimento Econômico”, contou.


O diretor-executivo da Abeeólica, Paulo Ludmer, participou de reunião no Conselho de Infra-Estrutura da Confederação Nacional da Indústria, na qual debateu-se os cenários futuros e os planos da energia eólica no país. Ludmer comentou que o conselho está produzindo um documento com o encaminhamento político que será dado ao tema e que a CNI tem se mostrado sensível á energia eólica.


Usina eólica Econergy Beberibe é inaugurada após investimento de R$ 150 milhões
Energia do empreendimento, contratado pelo Proinfa, será repassada ao sistema por R$ 231 por MWh


Alexandre Canazio, da Agência CanalEnergia, de Fortaleza (CE)*, Expansão



Foram necessários apenas 15 meses para erguer a usina eólica Econergy Beberibe, no Ceará, um projeto de R$ 150 milhões. O parque eólico tem capacidade instalada de 25,6 MW, distribuídos entre 32 aerogeradores de 800 kW cada. “O maior desafio foi construir as torres em dunas movéis”, disse nesta quarta-feira, dia 10 de setembro, Eduardo Frota,gerente do projeto da usina.


A éolica, contratada pelo Programa Nacional de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica, entregará a energia ao sistema por uma linha de transmissão de 24 quilômetros, conectada a uma subestação da Coelce (CE). “Não há planos de expansão da usina com a linha projetada para transmitir a capacidade instalada”, explicou Frota.


A Eletrobrás, que adquiriu a energia do Proinfa, vai pagar R$ 231 por MWh pelos cerca de 85 mil MWh/ano contratados por 20 anos. A aquisição de equipamentos foi praticamente toda nacional, com os aerogeradores fabricados pela Wobben e as torres e pás feitas por fornecedores instalados no Ceará. “A proporção foi de 99% adquiridos no país”, ressaltou Frota.


O projeto foi financiado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, que repassou R$ 94,9 milhões. A construção da usina gerou 600 empregos diretos no município de Beberibe, localizado a 83 km de Fortaleza. A cerimônia oficial de inaguração será realizada nesta quinta-feira, 11, e marcará também o fim dos trabalhos de comissionamento. “Beberibe é o primeiro projeto totalmente pertecente à Econergy International e representa uma grande conquista para o crescimento da empresa”, afirmou Tom Stoner, CEO da companhia.


* O repórter Alexandre Canazio viajou a Fortaleza a convite da GDF Suez

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