Equatorial compra a Cepisa e projeta investimento de R$ 1 bi nos próximos 5 anos – Estadão

Análise do ILUMINA: Vamos deixar claro:

  1. O ILUMINA não é contra a privatização das distribuidoras “da Eletrobras”.
  2. Elas caíram “no colo” da holding por defeitos do programa de privatização da década de 90.
  3. É verdade que o governo Lula e Dilma, ao invés de tentar sanear a empresa da melhor maneira possível, usou cargos para nomeações políticas.
  4. O nível e o tipo de inadimplência nessas empresas envolvem os diversos órgãos de poderes públicos estaduais e municipais. Ao contrário do que diz a mídia, não é apenas um problema de “ineficiência”.
  5. Apesar desses problemas, a Eletrobras investiu R$ 8 bilhões nessas distribuidoras nos últimos 6 anos. Portanto, a promessa de aportes feita pela Equatorial de R$ 1 bilhão nos próximos 5 anos pode significar até uma redução de investimentos!
  6. Apenas como paradigma, alguém acha que a refinaria de Pasadena recebeu investimentos antes de ser comprada pela Petrobras?
  7. A CELG, recém privatizada, piorou todos os seus indicadores de qualidade. Nada a ver?
  8. A Equatorial comprou 90% das ações. 10% continua com a Eletrobras que “pode aumentar seu capital até 30% na CEPISA”.
  9. Estranha privatização essa que aponta para mais uma “parceria” amiguinha como as demais que foram empurradas em cima da Eletrobras.
  10. Na realidade, as reduções tarifárias se darão sob um aumento concedido antes e com diversas isenções que serão pagas pelos consumidores do país.

A impressão que temos é que, em algum lugar escondido, riem do Brasil.

Roberto Pereira D’Araujo


O Estado de S.Paulo

26 Julho 2018 | 14h02

A Equatorial Energia venceu nesta quinta-feira, 26, o leilão pela Companhia de Energia do Piauí (Cepisa), tendo sido a única a fazer proposta pela distribuidora da Eletrobrás. A empresa vislumbra investimentos perto de R$ 1 bilhão na distribuidora nos próximos cinco anos.

O número foi apontado pelo diretor Financeiro e de Relações com Investidores da Equatorial Energia, Eduardo Haiama, durante teleconferência com analistas e investidores. Ele salientou, no entanto, que o número deve oscilar, a depender da evolução operacional da distribuidora, no que diz respeito ao crescimento do mercado e expansão do número de consumidores

A Equatorial informou que adquiriu 89,94% do capital da Cepisa, pagando R$ 45.521,52 à Eletrobrás. A empresa também vai realizar pagamento de um bônus de outorga de R$ 95 milhões ao governo.

O governo federal ainda pretende privatizar outras cinco empresas da estatal.

Apesar da falta de competição no leilão realizado na sede da bolsa paulista B3, o resultado foi comemorado pelo governo e pela Eletrobrás, uma vez que a Cepisa é fortemente deficitária, assim como outras cinco distribuidoras da estatal que atuam no Norte e Nordeste, que também devem ser vendidas.

A realização da licitação, para a qual outros grupos haviam chegado a demonstrar interesse, também superou temores de decisões judiciais que pudessem paralisar o processo, em meio a uma forte oposição de sindicatos de trabalhadores e partidos de esquerda aos planos do governo e da Eletrobrás para as privatizações.

Na prática, o lance da Equatorial, que já controla distribuidoras no Maranhão e no Pará, ainda significará uma redução de 8,5% nas tarifas praticadas pela Cepisa, o que deverá entrar em vigor em 45 dias após a transferência do controle da elétrica.

Além dessa fatia, a Equatorial celebrará acordo de acionistas com a Eletrobrás e contrato de concessão do serviço público de distribuição de energia elétrica com a União, e a conclusão da compra depende das aprovações do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

De acordo com os termos do edital, a Equatorial deverá adquirir eventuais sobras da porção que será ofertada aos empregados e aposentados da Cepisa, de 10,06%, sendo 74.790.616 ações ordinárias e 3.582.784 preferenciais.

A Eletrobrás tem o direito de, dentro de 6 meses da liquidação da operação, realizar um aumento de capital, podendo elevar a sua participação societária em até 30% no capital total da Cepisa.

Pelo regulamento do leilão, venceria a disputa pela empresa quem oferecesse a maior combinação entre redução das tarifas e bônus de outorga. As regras também preveem que a Equatorial precisará fazer um aporte de cerca de 720 milhões de reais na Cepisa e assumir as dívidas da empresa.

De acordo com o edital preparado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para o leilão, a Cepisa fechou 2016 com dívida de 1,68 bilhão de reais. Na ocasião, a distribuidora acumulava 1,5 bilhão em prejuízos em um período de cinco anos.

A Cepisa e a Ceal, do Alagoas, eram consideradas por especialistas como as mais atrativas para investidores dentre as distribuidoras que serão colocadas à venda pela Eletrobrás.

Agora, as elétricas que atuam no Acre, Amazonas, Roraima e Rondônia têm leilão agendado para 30 de agosto, embora o sucesso na venda das empresas seja apontado por muitos como associado à aprovação de um projeto de lei em discussão no Senado, que resolve passivos delas junto a fundos do setor elétrico.

Apenas a Ceal ainda não tem data para ser vendida, devido a uma decisão judicial do ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), que proibiu a privatização da empresa após uma ação movida pelo governo alagoano.

As ações da Equatorial subiam mais de 2 por cento, por volta das 12h30, enquanto as da Eletrobrás recuavam cerca de 4 por cento, no mesmo horário.

A Equatorial tem como principais investidores fundos e gestoras de recursos, como Squadra Investimentos, Opportunity e BlackRock.

Prorrogação da prestação de serviços

O presidente da Eletrobrás, Wilson Ferreira Junior, destacou que o leilão da Cepisa “é uma demonstração de que (a venda das distribuidoras do grupo) é a solução melhor para todos”.

A declaração foi feita quando jornalistas questionavam o executivo sobre a assembleia de acionistas da Eletrobrás marcada para o próximo dia 30 e que vai deliberar sobre uma nova prorrogação do prazo para a venda das distribuidoras do grupo, para até o fim do ano, de modo a evitar a liquidação imediata dessas empresas, que levaria a maiores prejuízos para a estatal.

É preciso convencer os acionistas da Eletrobrás a votar a favor da prorrogação da prestação temporária de serviços das distribuidoras. O prazo se encerra em 31 de julho e é preciso estendê-lo até 31 de dezembro.

Anteriormente, quando a perspectiva era de que o leilão ocorresse até o final de abril, os acionistas votaram para que a operação das distribuidoras fosse feita até 31 de julho, data a partir da qual a diretoria da estatal deveria realizar a operação de liquidação das empresas.

O presidente da estatal lembrou que o conselho de administração da Eletrobrás já fez uma recomendação expressa para assembleia, pela prorrogação até o fim do ano, ou 90 dias após a privatização, o que ocorrer primeiro, desde que garantidas algumas “neutralidades”.

Mesmo com a eventual aprovação de prorrogação do prazo pelos acionistas da Eletrobrás, o cenário é desafiador, já que para vender as quatro distribuidoras do Norte operadas pela estatal ainda é necessário que o Senado aprove o projeto de lei que saneia essas empresas, um tema que tem gerado polêmica no Congresso, mas que é considerado essencial para dar atratividade aos ativos.

Para Ferreira Junior, a “situação ideal” é que o projeto de lei seja aprovado no máximo até a data do aporte de garantias para o leilão, que deve ser marcada para cinco dias antes do certame, marcado para 30 de agosto. / LUANA PAVANI, LUCIANA COLLET E EDUARDO LAGUNA, COM REUTERS

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