Está chovendo bastante, mas…..

Apesar dos bons índices pluviométricos dos últimos meses, a nossa “poupança” energética está longe de ser confortável.

Curva vermelha – Carga Total em GWh

Curva Azul – Armazenamento total em GWh

Não é muito difícil perceber que não se consegue mais encher os reservatórios. A poupança, que já foi 5X a carga, agora não passa de 1X.

Olhando com um “microscópio”, percebe-se que a “quebra” se deu no final de 2012. Outro evento desse período foi a MP 579, que reduziu tarifas artificialmente às custas da Eletrobras. Nada a ver?

A natureza também está nos avisando que há algo muito errado, mas….

 

 

 

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      3 comentários para “Está chovendo bastante, mas…..

    1. José Antonio Feijó de Melo
      24 de Janeiro de 2018 at 14:24

      Roberto
      Muito oportuna esta sua chamada para os fatos e para a situação atual. Acompanho diariamente os resultados da operação do sistema interligado nacional pelo site do ONS.
      Nestas circunstâncias, é bom que se atente para a realidade. Afirmar que chove bastante atualmente seria leviano. A observação real do que está acontecendo com as vazões, neste momento, mostra que de fato não é isto o que se vê. Não pode haver otimismo, embora também não se deva ser pessimista. Devemos continuar acompanhando o período úmido que de fato já não se mostra tão bom.
      Por exemplo, neste momento apenas o sistema Sul apresenta vazões acima da MLT (cerca de 170%). Mas, como sabemos, o armazenamento do Sistema Sul é muito pequeno, não dá para acumular muita coisa.
      Já o Sistema Sudeste/Centro Oeste, a verdadeira caixa d’água que acumula perto de 70% do armazenamento do SIN, no momento está com vazões da ordem da MLT, o que não é mal, mas também não oferece sobra. Porque neste caso observa-se que o armazenamento nesse subsistema está apenas com cerca de 30 %, portanto abaixo do que seria desejável para uma boa segurança e sem muita perspectiva de subir, se as vazões afluentes não melhorarem muito.
      Por sua vez, no Subsistema Norte as coisas também não andam tão bem do ponto de vista hidráulico. O Tocantins tem apresentado vazões abaixo da média. Assim, no referido subsistema, as vazões afluentes aos reservatórios estão apenas no entorno de 60% da MLT, com armazenamento acumulado sem muita expressão.
      Enquanto isto, no velho Chico, que segura a geração hídrica do Nordeste e possui capacidade de armazenamento de cerca de 18% do SIN, observam-se vazões afluentes atuais da ordem de apenas 40% da MLT, sendo que o armazenamento atualmente acumulado está na faixa de tão somente 12%. Isto é, observa-se uma ligeira melhora, mas muito abaixo do que seria desejável para o momento.
      Cabe observar ainda que já se passaram quase três meses do período úmido, que deve estender-se até o final de abril. Assim, a probabilidade de que ainda se possa vir a acumular grandes volumes d’água em todo o SIN não é mais muito significativa, embora possa vir a ocorrer pois, como se sabe, a natureza é caprichosa e incerta. Mas, tecnicamente, hoje já se pode afirmar que dificilmente os reservatórios do sistema chegariam ao final de maio cheios.
      Faço questão de registrar que confio plenamente na competência e seriedade técnica do ONS e de seu pessoal. Não tenho dúvida que eles fizeram e estão fazendo o melhor, mas certamente dentro das regras estabelecidas pelo Modelo e de acordo com a realidade do que a natureza impõe.
      É forçoso lembrar, porém, que o sistema hidrelétrico brasileiro continua sendo de fato o grande responsável pelo abastecimento da energia elétrica no Brasil. Para não ir muito longe, vejamos o que ocorreu ontem, dia 23/01/2018, para o abastecimento de toda a carga do sistema elétrico interligado nacional, o SIN.
      Em percentuais, a geração hidrelétrica foi responsável pela cobertura de 80% da carga do sistema interligado nacional. O restante ficou dividido entre Térmicas Convencionais, Nucleares, Eólicas e já uma pequena bem vinda contribuição de 0,3% de Energia Solar
      Note-se, porém, que a atual capacidade instalada do sistema hidrelétrico nacional já representa menos de 70% do total no País. Não obstante, tão logo aparece qualquer sinal de vazões razoáveis o sistema logo procura otimizar a sua operação com a geração hidrelétrica.
      Veja-se, portanto, que ontem 80% da carga foram cobertos por energia de origem hídrica. Na verdade, pessoalmente acredito que isto somente se tornou possível em virtude da recente entrada em operação de novas hidrelétrica no subsistema Norte, especialmente Belo Monte, que nesta geração de ontem contribuíram com importante parcela transferida para o Nordeste e para o Sudeste.

      • Roberto D'Araujo
        24 de Janeiro de 2018 at 20:39

        Feijó:

        O que tentei chamar a atenção é que há 8 anos, o sistema não eche mais. O período outubro 17 – janeiro 18 comparado com os últimos 15 anos está entre os 4 melhores. Não é dilúvio, mas está bem melhor do que os anteriores. E tem mais! A carga está quase estagnada. Quando se aumenta a oferta com base em térmicas caras, como foi feito nos últimos 10 anos, ao mesmo tempo, você contrata esvaziamento de reservatório, pois, para liga-las o valor da água (CMO) tem que subir muito. Certamente temos uma ajuda de Belo Monte, mas ainda não apareceu.

    2. Olavo Cabral Ramos Filho
      24 de Janeiro de 2018 at 14:58

      Fiquei, com boas razões, maníaco pelo reservatório de Serra da Mesa.

      Ele, o maior acumulador bruto e útil de agua no sistema elétrico brasileiro, é um paradigma e vitima trágica

      do cenário plurianual mostrado no gráfico.

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