Estadão 31/8/2000 Encontro quer regras para MAE KELLY LIMA RIBEIRÃO PRETO – O Mercado Atacadista de Energia (MAE), que entra em operação na próxima sexta-feira, monopolizou boa parte dos debat …



Estadão 31/8/2000


Encontro quer regras para MAE

KELLY LIMA


RIBEIRÃO PRETO – O Mercado Atacadista de Energia (MAE), que entra em operação na próxima sexta-feira, monopolizou boa parte dos debates do I Encontro de Negócios de Energia, iniciado ontem em Ribeirão Preto com a participação de cerca de 250 empresários e técnicos do setor. "É urgente a necessidade de regulamentação deste setor, que está uma verdadeira confusão", alertou o diretor de Infra-Estrutura da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Pio Gavazzi.


Para ele, a ausência de regulamentação é um dos maiores empecilhos para o MAE deslanchar de fato. "Faltam garantias ao investidor de que o seu negócio ao longo prazo terá retorno", comentou. Mas criticou a tentativa do governo de atrelar as tarifas ao dólar. "O gás comprado pelo Brasil da Argentina é pago em real e reajustado anualmente. Por que a tarifa de energia produzida em térmica dentro País teria que ser em dólar?", questionou Gavazzi.


Impostos – O diretor executivo da Abrace (Associação Brasileira de Grandes Consumidores de Energia), Paulo Ludmer, chamou a atenção para os impostos. (AE) Estadão 31/8


Tourinho nega `dolarização’ da energia

Repasse da variação cambial terá impacto de 20% nas tarifas das térmicas a gás natural


SÔNIA RACY e EUGÊNIO MELLONI


O ministro das Minas e Energia, Rodolpho Tourinho, garantiu ontem, em entrevista exclusiva ao Estado, que as tarifas de energia elétrica não serão dolarizadas. Tourinho ressaltou que o ministério está estudando a periodicidade com que será feito o repasse para os preços da energia elétrica de eventuais variações no câmbio, que teriam um impacto de apenas 20% na composição tarifária deste segmento, de acordo com cálculo médio realizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). "Se houver uma variação cambial de 10%, o impacto na tarifa seria de 1%, tanto para cima, como para baixo; a regra vale para os dois lados", disse Tourinho, enfatizando: "Eu nunca falei em dolarização.".


Segundo o ministro, o repasse para as tarifas da variação cambial é uma medida imprescindível para que os projetos de mais de 50 usinas termoelétricas a gás natural relacionados no Programa Prioritário de Termoeletricidade do governo federal decolem. Sem o repasse, segundo ele, os investidores privados não conseguirão obter financiamentos para as usinas.


Os investidores privados estão encontrando dificuldades para equacionar os investimentos tendo o gás natural com tarifas em dólar e a energia elétrica com preços em real.


Tourinho lembra que hoje esse mecanismo já existe, permitindo o repasse para as tarifas de impactos produzidos pela variação cambial também na eletricidade produzida por usinas hidroelétricas. A eletricidade de Itaipu Binacional, por exemplo, é tarifada em dólar e é repassada para o consumidor pelas distribuidoras.


"O reajuste acordado, no entanto, é anual", diz Tourinho. "O que estamos analisando é a periodicidade com que esse repasse será feito para o caso das termoelétricas." A expectativa do ministro é de que o reajuste seja trimestral para a energia das térmicas. "Se não equacionarmos essa periodicidade, dificilmente haverá algum banco disposto a financiar projetos nesta áreas", disse o ministro. "Não pode haver desencaixe financeiro em um investimento desse porte."


Dolarização – As informações, negadas pelo ministro, de que as tarifas de energia elétrica seriam dolarizadas havia provocado grande descontentamento entre os setores da indústria com maior consumo. "Os preços dos nossos produtos não são dolarizados", afirma Mário Cilento, vice-presidente executivo da Carbocloro e diretor da Associação Brasileira dos Grandes Consumidores de Energia (Abrace). "A dolarização significaria renegar as regras de mercado."










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