Ex-diretor da Caixa denuncia propinas do setor de energia – Estadão

Análise do ILUMINA: Independentemente de haver ou não corrupção, a notícia revela mais uma vez a pujança “fake” do setor privado, sempre com uma dependência dissimulada de recurso público. Querem nos convencer que isso é que iria salvar os brasileiros da terrível Eletrobras. O atual presidente da empresa diz frequentemente que ela está perdendo “relevância” pois não consegue manter os investimentos. Ora, o setor elétrico já é majoritariamente privado na geração, transmissão e distribuição. Por que a Eletrobras foi obrigada a entrar em parceria minoritária em 178 projetos privados, já que, segundo ele, o setor privado é capaz de assumir tudo?


Fabio Serapião, O Estado de S.Paulo

03 Junho 2018 | 05h00

BRASÍLIA – O ex-superintendente de Fundos de Investimento Especiais da Caixa Roberto Madoglio confessou ter recebido propina para favorecer empresas do setor elétrico interessadas em obter aportes do fundo de investimento do FGTS. Madoglio assinou acordo de delação dentro das operações Sépsis e Cui Bono?, que investigam desvios no banco estatal. Assumiu ter recebido propina do Grupo Rede, da J. Malucelli Energia e da Hidrotérmica. Juntas, as três empresas receberam R$ 1,2 bilhão do FI-FGTS.

O ex-superintendente entregou cópias dos recibos de contas mantidas no exterior que foram usadas para receber propina. Madoglio se comprometeu a devolver R$ 39,2 milhões que recebeu de forma irregular na Suíça e no Uruguai. No caso dessas três empresas do setor elétrico, a propina teria somado R$ 10 milhões.

Um dos casos citados por Madoglio envolve a Hidrotérmica S/A, do Grupo Bolognesi. Em 2010, segundo o FI-FGTS, a empresa tinha projetos de hidrelétricas no Rio Grande do Sul, Minas Gerais, São Paulo e Mato Grosso. O fundo gerido pela Caixa injetou R$ 360 milhões na empresa. 

Dono de distribuidoras de energia como Enersul (MS), Companhia Força e Luz do Oeste (PR), Caiuá (SP), Cemat (MT) e Celtins (TO), o Grupo Rede quebrou em 2013. Com 25% de participação, o FI-FGTS conseguiu evitar prejuízo ao acionar cláusulas contratuais que garantiram condições privilegiadas na recuperação judicial.

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