Fazemos nossas, as palavras de: CLÓVIS ROSSI (Estado de São Paulo, 31/01) A moratória do PTVou à Folha, pela Internet, e topo com Tarso Genro, tido como um dos ideólogos do PT e, agora, secretário- …

Fazemos nossas, as palavras de:


CLÓVIS ROSSI (Estado de São Paulo, 31/01)

A moratória do PT


Vou à Folha, pela Internet, e topo com Tarso Genro, tido como um dos ideólogos do PT e, agora, secretário-executivo do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social. Tarso propõe "uma espécie de moratória da utopia". Claro que toma o cuidado de ressalvar: "Não para esquecê-la, mas para regenerá-la".


Assim mesmo, de novo, estamos diante de mais um pouco do mesmo remédio do governo anterior. Fernando Henrique Cardoso cunhou a expressão "utopia do possível". Cansei de escrever que "utopia do possível" é a quintessência da mediocridade, pelo óbvio fato de que o possível qualquer um alcança.


O que um país como o Brasil precisa é da busca da utopia, sem penduricalhos e sem moratória. É inalcançável por definição, mas ou se põe o impossível como meta ou a gente vai ter que se conformar eternamente com conquistas medíocres, avanços milimétricos, quando não dois passos atrás e um adiante ou vice-versa -tudo insuficiente para o grau de necessidades e urgências do país. Tarso Genro poderia ter tido ao menos a delicadeza de anunciar de quanto tempo será a moratória da utopia. Um ano? Quatro? O que resta do século?


Chega a ser inacreditável que um governo que nem sequer começou já peça que o sonho seja posto no congelador e que a esperança seja declarada em moratória.


Não é à toa que muito petista de carteirinha e coração (coração apertado, aliás) anda achando, como relatou Paulo Nogueira Batista Jr., ontem, que, bem feitas as contas, o medo está vencendo a esperança.


Dívida da Celg pode ser paga pelo governo


Perillo apresentou proposta para honrar os R$ 950 milhões devidos à Eletrobrás

GERUSA MARQUES


BRASÍLIA – O governador de Goiás, Marconi Perillo, entregou ontem à ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff, proposta para solucionar os problemas financeiros da Companhia Energética de Goiás (Celg). A proposta do governo goiano, que controla a Celg, prevê prazo de carência de três anos e outros 15 anos para pagamento da dívida, de cerca de R$ 950 milhões, que a empresa tem com a Eletrobrás. "Já conseguimos o equilíbrio operacional, falta o equilíbrio financeiro", disse Perillo. "Com essa regularização a Celg tem condições de pagar suas contas."

Segundo o governador, a proposta ainda será avaliada pela ministra. "Ela (Dilma Rousseff) tem interesse em que uma empresa estatal como a Celg seja saneada."


Negociação – Ontem, Dilma reuniu-se com o presidente da Eletrobrás, Luiz Pinguelli Rosa, e com o presidente do BNDES, Carlos Lessa, para discutir uma saída para a crise financeira que atinge as empresas do setor elétrico.


De acordo com o presidente da Celg, José Paulo Loureiro, a dívida pode ser reduzida para R$ 600 milhões, se forem abatidos alguns créditos com a Eletrobrás. As receitas atuais da empresa, diz ele, são suficientes para cobrir as despesas, mas a Celg não tem condição de pagar os juros, que chegam a R$ 30 milhões por mês. Ele insiste em que a empresa não está reivindicando aporte financeiro. "A Celg só precisa de prazo para pagar a dívida", afirmou Loureiro. Em novembro, o governo goiano desistiu da idéia de federalizar a empresa. (Estado de São Paulo 31/01/03)


Os problemas da Celg, começaram em 1998, com a venda da usina Cachoeira Dourada, de 450 MW de potência, para a espanhola Endesa. Antes da venda, a concessionária tinha a energia pelo custo de produção, ou seja, por um valor bastante baixo. Hoje, o preço está mais de 50% acima do de Furnas.


Dívida da AES Elpa com BNDES vence hoje

Este é o segundo vencimento do grupo com o banco estatal esta semana

RENÉE PEREIRA

Três dias após adiar o pagamento de uma dívida de US$ 336 milhões da Transgás com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o grupo AES enfrenta hoje mais um desafio: renegociar o vencimento de US$ 85 milhões devidos pela AES Elpa à mesma instituição. Os débito das duas acionistas da Eletropaulo Metropolitana referem-se à compra das ações ordinárias e preferenciais da distribuidora.


Segundo dados do mercado, as empresas devem ao banco estatal, US$ 1,23 bilhão, sendo US$ 934 milhões vencendo neste ano. Para 2004, restarão US$ 281 milhões a serem desembolsados. O problema, na avaliação de especialistas, é que Transgás e AES Elpa dependem de dividendos da Eletropaulo ou de aporte de capital da controladora americana para honrar seus compromissos.


Nos dois casos, porém, a obtenção de recursos está cada vez mais difícil. Os resultados da concessionária ainda estão no vermelho e a AES Corp já demonstrou em várias ocasiões que não injetará mais recursos em seus ativos no País. "A AES acreditava que os resultados da Eletropaulo seriam suficientes para pagar a dívida, mas não contava com os problemas de câmbio e racionamento", afirma a diretora de Ratings Industriais da Standard & Poor’s, Milena Zaniboni.


Para completar o quadro, as duas acionistas da Eletropaulo deram como garantia do financiamento do BNDES, as ações da distribuidora. Isso significa que em caso de não pagamento do valor devido, o controle da empresa vai para as mãos do BNDES, ou seja, a concessão volta para o Estado.


Daí, surge outro problema, afirma o analista do Unibanco Sérgio Tamashiro.

Segundo ele, o valor de mercado da Eletropaulo caiu de US$ 1,2 bilhão para cerca de R$ 138 milhões – cerca de 1/10 do que AES pagou em 2000 pelas ações preferenciais da empresa. Isso poderia prejudicar a capacidade de oferta de crédito do banco, pois impactaria o patrimônio líquido da empresa, diz ele.


"O BNDES realizaria um grande prejuízo."


Para o analista da Tendências Armando Franco, a solução, não só para o caso da AES, mas de todas as empresas do setor elétrico, seria dividir os prejuízos entre Estado, iniciativa privada e, até mesmo, consumidor.


"Ninguém agüenta pagar sozinho essa conta." Mas ele reconhece que politicamente essa seria uma decisão muito complicada principalmente para um governo do PT. (Estado de São Paulo 31/01/03)

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