França retoma seu programa nuclear

Olga Simbalista*

O Presidente Francês, Emmanuel Macron, anunciou, no dia 9/11, a retomada da construção de seis usinas nucleares do tipo EPR (European Pressurized Reactor) depois de haver anunciado, em meados de outubro deste ano, investimentos da ordem de um bilhão de Euros, em pequenos reatores nucleares SNR – Small Nuclear Reactor.

De acordo com pronunciamento do presidente Macron, “Pela primeira vez depois de décadas, iremos relançar a construção de reatores nucleares, no nosso país e continuar desenvolvendo as energias renováveis”

Disse também: “Se nós quisermos pagar nossa energia a tarifas razoáveis é necessário continuar a economizar energia e investir em energias descarbonizadas sobre o nosso solo”.

Tal afirmação, segundo ele, seria para garantir a neutralidade de carbono em 2050 e garantir o suprimento de eletricidade no país com tarífas razoáveis.

A frança produz a maior parte de sua eletricidade a partir da energia nuclear, inclusive exportando para países vizinhos que desativam suas nucleares, como Alemanha e Itália.Cerca de 70%, sendo em 2020 apenas 67%, o menor percentual, desde 1985. No passado a contribuição de geração nuclear chegou a cerca de 85%.

Ainda de acordo com o presidente Macron, “Esses investimentos nos permitirão estar de acordo com os nossos compromissos atuais que serão firmados no encerramento da COP26, em Glasgow”.

Atualmente, a França só está construindo um reator nuclear, o EPR de Flammanville da Electricité de France – EdF, iniciado em 2007, mas ainda não em operação comercial.

Na primavera passada, a Edf enviou um relatório ao Governo, sobre a viabilidade de construir seis novos reatores da nova geração (EPR 2), a um custo de 46 bilhões de Euros.

O anúncio foi criticado por um deputado ecologista, bem como pelo Greenpeace. A energia nuclear é um dos temas da pré-campanha presidencial de 2022, com uma posição contrária de ecologistas e partidos menores, mas com posição favorável de partidos da direita, extrema direita e também pelo partido comunista.

Esse anúncio ocorre no momento em que a China, atualmente a segunda ecoomia mundial, aumentou a participação anual da energia nuclear em 4,4%, enquanto a França recuou 12%. Em 2020 a China se tornou o segundo maior

produtor mundial de eletricidade de origem nuclear, atrás apenas dos Estados Unidos, posição esta ocupada, até então, pela França.

Entretanto, apesar dos Estados Unidos continuarem a ser o maior produtor mundial de eletricidade de origem nuclear, por meio de reatores com uma vida média de 41 anos, a construção de novas plantas é incipiente e o não fechamento antecipado de quatro usinas, recentemente, se deu por meio de subsídios governamentais.

Atualmente, a produção nuclear no mundo é de 10%, contra 17% vinte anos atrás. Entretanto, o parque gerador mundial atingiu um novo recorde , em meados de 2021, mesmo com um número menor de unidades em operação, pois as instalações recentes possuem potências muito superiores àquelas das unidades desligadas.

Fonte: Edições de 28/09/21 e 9/11/21 do francês Le Figarro.

* Olga Simbalista é engenheira eletricista e nuclear e membro da Diretoria do Instituto ILUMINA.

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