Furnas não era só um prédio em Botafogo – Artigo

Roberto Pereira D’Araujo

Quando se ouve a notícia sobre a anunciada mudança de sede de Furnas para o centro do Rio através de uma das mais importantes rádios da cidade, infelizmente, se percebe a preocupante superficialidade da reportagem sobre o real significado dessa decisão.

O principal comentário foi sobre o impacto que essa mudança de sede significaria para o bairro de Botafogo, com tantos restaurantes e serviços, que, segundo a explicação, sofreriam sem a presença da empresa que está há décadas na Rua Real Grandeza.

Quem dera se essa notícia significasse apenas uma redução de demanda por almoços no bairro. Na realidade essa mudança está associada à um desmonte da empresa que, lentamente, vai abandonando seu papel histórico com uma enorme redução de quadros e se preparando para ser vendida.

Como se sabe, estamos imersos na filosofia do estado mínimo. Só que, no Brasil, essa forma de pensar não é sequer parecida com qualquer experiência mundial. Aqui, há uma crença de que, vendendo instituições estatais, reduz-se o efeito maléfico do estado! Isso significa dizer que a sociedade brasileira reconhece que o estado é nocivo e continuará nocivo. A venda de empresas estatais tenta apenas reduzir os malefícios e pagar uma parte da dívida desse mesmo estado!

A sociedade brasileira sequer está informada que, se não fosse Furnas, provavelmente não teríamos criado a indústria automobilística, pois o país não tinha a energia necessária para a metalurgia necessária para esse e outros setores.

Em 1955, John Cotrim, um excelente engenheiro, passou a integrar a equipe de governo de Juscelino Kubistchek. Em 28 de fevereiro de 1957, assinou o decreto 41.066 e criou uma das maiores obras do seu governo: a Central Elétrica de Furnas, com sede em Passos, Minas Gerais. Toda essa transformação, ao contrário do que muitos pensam, necessitou muito estudo e muito trabalho.

A geografia brasileira e o conhecimento dos seus rios possibilitaram que o setor elétrico, comandado pela Eletrobrás, desenvolvesse um sistema integrado de transmissão e geração que é único no mundo. Só para ter uma vaga ideia, esse sistema  consegue transportar grande quantidade de energia entre regiões distantes mais de 2.000 km. A usina de Itumbiara no rio Paranaíba é a 9ª maior usina brasileira. Pois, figurativamente, é como se 5 usinas como essa pudessem ser deslocadas pelas quatro regiões desse país continental evitando o uso de fontes térmicas. Que país tem esse sistema?

Como convencer a sociedade brasileira de que, sem Furnas e Eletrobrás, o Brasil estaria mais atrasado do que já está e seus cidadãos pagariam muito mais caro pela sua eletricidade? Como convencer o cidadão que o “pujante” capital brasileiro só atua com muito BNDES e Eletrobras?

Hoje, toda essa história está prestes a valer zero. O próprio presidente da Eletrobrás, frequentemente, acusa a sua própria empresa como “cabide de emprego”. Mesmo mostrando com dados que, comparada com grandes empresas mundiais, a empresa, é a que tem o menor índice empregado por capacidade de geração, o argumento é inútil. Esse é o mundo da desinformação.

Quem realmente conhece os “bastidores” sabe que a crescente deterioração das empresas do grupo Eletrobrás foi causada exatamente por defeitos do modelo de privatização e mercantilização. Não fosse a Eletrobrás, os investimentos seriam insuficientes para atender a crescente demanda por energia. A tarifa seria ainda mais alta! A desinformação é de tal ordem que o brasileiro ainda pensa que sua cara e insegura eletricidade é estatal, quando, na realidade, já se pode dizer que o setor elétrico brasileiro é privado.

Essa sequência de políticas suicidas já dura mais de 25 anos e perpassa vários governos teoricamente adversários quanto ao papel do estado. Na realidade, as empresas não são de estado brasileiro. São de governos. Como exemplo podemos dizer que a Eletrobrás, em seus 57 anos de existência teve apenas dois presidentes originados de sua própria equipe. Transformá-las em instituições verdadeiramente de estado é possível através de contratos públicos que limitem o que os governos podem exigir das empresas e vice-versa. Os Estados Unidos praticam isso. Mas o Brasil prefere colocar esse assunto debaixo do tapete.

Também não adianta dizer que a privatização de Furnas colocará o Brasil como o único sistema com predomínio hidroelétrico que privatiza suas usinas. Também não adianta dizer que a experiência da onda de privatização da década de 90 só aumentou a dívida pública e a carga fiscal. Será que adianta chamar a atenção sobre o impacto no bairro de Botafogo?

Obs: Quem quiser se aprofundar sobre as razões do desmonte de longo prazo, consulte   http://www.ilumina.org.br/e-ai-brasil-vai-ficar-por-isso-mesmo/

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      57 comentários para “Furnas não era só um prédio em Botafogo – Artigo

    1. Renato Queiroz
      28 de junho de 2019 at 12:16

      Roberto. Há ativos que são intangíveis. Marcas por exemplo. Os escritórios de Furnas com 3 blocos tem nomes relevantes de ex presidentes que dedicaram suas vidas para a Empresa. Foi ali finado uma história do Brasil. Há um desconhecimento do que reapresenta uma Empresa Estatal com inserção no interior desse extenso País. Há desinformação de que uma Estatal do porte de Furnas não é uma SPE para construir uma obra. E talvez essa mudança de endereço ou a destruição do símbolo tenha motivos iguais a destruição do Palácio Monroe pois simbolizava o Senado quando da capital no RJ e o “poder” da época queria apagar símbolos anteriores. Acho que os militares hj ni poder ,que sempre foram nacionalistas , não estão atentos a essa decisão.

      • João Carlos
        28 de junho de 2019 at 19:30

        Os militares já não são mais os mesmos, desde que passaram a complementar suas formações em cursos de MBA, alguns deles criados por uma escola (IBMEC) da qual o atual ministro da economia já foi um dos donos. Aprenderam a ser neoliberais. Verdadeiros “Chicago Boys”.

      • Sebastiao L Machado
        28 de junho de 2019 at 23:45

        Os militares de hoje que cercam o poder não são os mesmos de 64. São piores e são descartáveis. Falta-lhes cultura, educação, senso do ridiculo. Descarta-se um a cada dois meses. Ignorantes e lesa-patrias não são classificáveis. E dinheiro é pouco para satisfazer as hienas que invadem o mercado em busca de “estatais”abatidas pela sanha privatizante do presidente tosco. Vão todos para o rodapé da história como Joaquim Silvério dos Reis.

        • Hugo dos Reis
          30 de junho de 2019 at 0:12

          É uma tristeza o que estão fazendo com Furnas, patrimônio Brasileiro. Ajudei a construir este Pais, quando a Light abandonou S.P. e Furnas entrou com 40 MW, noite histórica de 1963 com 3 pessoas (eu em Furnas) Renato London e o magnifico Dr Agustinho P. Ferreira. Estamos profundamente sentidos pela falta total de Patriotismo desse atual mandatário , que só pensa em dinheiro e não no desenvolvimento do Pais. Fui do primeiro grupo de técnicos da Usina de Furnas (1962/1983) Esperamos que os Generais relembrem seus sentimentos Patriota.

        • Hugo dos Reis
          30 de junho de 2019 at 0:15

          Gostei, Sebastiao Lacerda

      • Ronaldo Bicalho
        1 de julho de 2019 at 13:18

        Roberto, Furnas sintetiza a história da intervenção do Estado brasileiro no setor elétrico. Tanto no passado quanto no presente. Essa intervenção nasceu do reconhecimento de que o setor privado não era capaz de garantir a expansão da oferta de energia elétrica necessária à industrialização brasileira.

        Desde 1957, quando a empresa foi criada, até hoje, esse diagnóstico permanece válido. Para isso, basta ver a importância dos investimentos do setor estatal, diretamente ou via SPEs, na manutenção da segurança do abastecimento elétrico do país nas últimas décadas.

        No entanto, diante da inapetência histórica do setor privado brasileiro em correr os riscos envolvidos na expansão da atividade elétrica, agravados dramaticamente no mundo pela interdição do uso dos combustíveis fósseis e aqui pelo esgotamento do modelo hídrico, o Estado brasileiro, em um movimento completamente irresponsável, decide deixar de atuar diretamente no setor.

        O abandono completo do papel estratégico do Estado na manutenção direta da segurança energética, associado a uma criminalização tosca da relação público-privado, deságua em uma privatização que não tem nenhum compromisso com a qualidade dos serviços públicos privatizados. Nem mesmo, as preocupações dos liberais dos anos 1990s com as falhas de mercado e a necessidade de maior regulação estão presentes na atual onda liberalizante.

        Nesse sentido, a saída de Furnas de seu local histórico, sintetiza esse momento melancólico e, acima de tudo, medíocre da trajetória do setor elétrico brasileiro, no qual, a cereja desse bolo solado é a presença de dirigentes extremamente limitados, sem nenhuma visão estratégica do papel do Estado na garantia da segurança do abastecimento elétrico em um momento de transformações dramáticas, que se apegam a estratégias pedestres de enxugamento de custos e otimização de recursos no curto prazo que se, por um lado, ornam seus currículos de CEOs diante do mercado, por outro, destroem o futuro das empresas que esses senhores dirigem.

        O momento é difícil, mas seguimos, com serenidade, lutando por um setor elétrico que contribua de forma decisiva para o desenvolvimento econômico e o bem-estar da sociedade brasileira.

    2. RUDERICO F PIMENTEL
      28 de junho de 2019 at 12:49

      Sem estatais e sem inventários e projetos de hidrelétricas (mesmo que cada vez mais distantes e complicados), hoje ninguém fala seriamente nas reversíveis (tão necessárias, mas cadê a remuneração pelo estoque??) e só se ouve sobre o lobby do gás natural (solução mágica, mesmo que emitindo mais gases)… mudaram apenas os lobbistas, já que os anteriores se perderam no mar de corrupção, e com eles as hidrelétricas …

      e sem braço estatal ficamos mais que nunca dependentes do curto-prazismo … em um pais ainda culturalmente marcado pela escravidão – tanto pelos escravos como pelos escravocratas e seus privilégios – vamos seguindo da ignorância e autoritarismo da esquerda para a mediocridade da direita burra…

      se as estatais costumam ser incompetentes e dominadas pelos interesses políticos (verdade…), a solução simplista vêm pela visão inevitavelmente limitada do mercado…, e como corrigir os (inevitáveis) erros regulatórios do passado? hoje os contratos existentes bloqueiam os preços horários… e o valor do estoque não aparece… hidrelétricas além de seus problemas reais perderam seus lobistas… e o gás que no mundo é bom para substituir carvão, aqui substitui a expansão de novas hidrelétricas …

      e cadê a expansão solar (e eólica) que precisa de armazenamento para crescer mais… cadê os recursos setoriais transferidos pela Dilma para agradar a Fiesp e embutidos nas cotas? voltarão para o setor ou para o Tesouro??… difícil seguir com tranquilidade essa geléia geral… e dá-lhe, mais combustível fóssil na matriz…

      com regulação complexa e torta e sem empresa estatal para garantir… viva a recessão que hoje não nos deixa sofrer a falta de energia… pelo menos para aqueles que hoje tem emprego e podem pagas suas contas… se as empresas se agitarem e os outros que hoje no máximo sobrevivem quiserem consumir… bom, para isso,mesmo que com algum atraso, acabaremos por conseguir gerar mais com combustíveis fósseis .. e o aquecimento fica para nossos netos… que ainda não votam…

      • Roberto D'Araujo
        28 de junho de 2019 at 15:45

        Ruderico

        O que mais me impressiona é que o Brasil não construiu sequer um sistema regulatório estável para que, ao menos, possa dizer que está preparado para privatizar preservando o interesse público.

    3. Bartolomeu A Arruda
      28 de junho de 2019 at 13:34

      Lamentável saber que uma empresa da importancia de Furnas para o país esteja nessa situação de desmonte. É de fazer chorar, aqueles que conhecem a sua história e nela tiveram suas vidas transformadas por terem tido a oportunidade de nela laborar. É como se estivéssemos presenciando as suas represas minguando os níveis de água até entrar em colapso. É muito triste.

      • Roberto D'Araujo
        28 de junho de 2019 at 15:45

        Bartolomeu

        Compartilho a mesma tristeza.

      • Rômulo Ciarlini
        28 de junho de 2019 at 21:03

        Compartilho com o mesmo sentimento.

      • Cristina Helena Lima Lopes
        28 de junho de 2019 at 23:07

        É realmente lamentável…..
        Eu como aposentada de FURNAS, trabalhei por 34 anos com orgulho de ser “furniana” hoje vejo a empresa prestes a ser sucateada.
        É muito triste…..😢

    4. Maria Lúcia B Velasco Barroso
      28 de junho de 2019 at 16:55

      Furnas, não está acabando agora. Seu fim começou faz tempo. Com Lula , Eduardo Cunha e a escória colocada lá dentro. Onde até chefias de divisão eram dadas à analfabetos. Ou se entrava no “esquema” ou caia fora. É uma VERGONHA. Todos sabiam disso , agora aguenta. Muitos se locupretaram com grandes salários e incapazes em suas funções. Vaidosos intangíveis , incompetentes. Pior é que os velhos aposentados que realmente orgulhavam a Empresa e se orgulhavam dela participar, então aí, a mingua, em sua grande maioria. LAMENTÁVEL.

      • Sergio Vieira de Mello
        28 de junho de 2019 at 23:07

        Perfeito!

      • Sebastiao Laércio Machado
        28 de junho de 2019 at 23:54

        Maria Lúcia, você certamente não conhece a empresa e o que a fez grande e respeitável. Certamente a conheceu pela imprensa. Certamente não sabe quem foi Cotrin, depois de presidente de Furnas, tornou-se presidente de Itaipu Binacional. Não conhece a história de seus respeitáveis e grandes engenheiros, advogados, economistas, administradores. Heróis sem rosto.
        Que pena saber tão pouco como a maioria da classe média brasileira.

        • MARIA LUCIA BORGES DE VELASCO BARROSO
          29 de junho de 2019 at 13:01

          Talvez o Senhor não tenha entendido. Disse a partir de Lula e Eduardo Cunha. Dentre outros não citados. Ou o Senhor nunca viu Lula fazendo discursos na porta de Furnas, com muitos funcionários o apoiando?

          • Renato Queiroz
            30 de junho de 2019 at 21:00

            Uma ressalva. O modelo eletrico que iniciou a derrocada da Eletrobras e empresas foi nos anos 90. Tivemos indicações no governo Collor q poderiam ser mais compatíveis com a grandeza de Furnas . E depois veio o modelo inglês na era FHC para iniciar a derrocada . E aí veio no 2o governo Lula o Eduardo Cunha por trás. E a MP 579 de Dilma. E agora a guilhotina final. A história tem q ser completa. Agora no âmbito da história de Furnas a Empresa é uma marca de sucesso. Laboratórios especializados, capacitação técnica invejável: olha o sistema de CC. Isso incomodou. Agora desmobilizar as equipes acabando o Escritório Central q é o símbolo é uma estratégia de acabar com a história do setor Elétrico brasileiro.

          • José Pereira
            2 de julho de 2019 at 17:35

            Prezada Sra. Maria Lucia, certamente a senhora demonstra total desconhecimento do que significa para nossa nação a empresa Furnas Centrais Elétricas e também, infelizmente, parece ser mais uma cidadã contaminada pela onda d “bolsominion” de que “tudo é culpa do PT”.
            Gostaria de lembrar a senhora que a derrocada de Furnas começou em 1996, com o então presidente Fernando Henrique Cardoso, que que na onda de desestatização de grandes ativos, como a CSN e Vale do Rio Doce, estipulou como meta a privatização de Furnas. A época, o falecido ex-presidente Itamar Franco, então governador do Estado de Minas Gerais, um dos poucos políticos conscientes da importância da manutenção da soberania do Estado sobre as fontes de águas de uma nação, assumiu a vanguarda na oposição a este projeto, que foi então engavetado até agora.
            Os grandes conglomerados internacionais sempre tiveram interesse na aquisição de ativos preciosos como as empresas elétricas brasileiras, responsáveis pela geração à base hídrica (de baixíssimo custo operacional, logo capaz de proporcionar enormes lucros).
            Os “chicago boys” defensores do estado mínimo, insistem em adotar o modelo britânico (utilizado pela então primeira ministra Margaret Thatcher na década de 80) como um exemplo de sucesso! Esquecem no entanto de mencionar que neste caso, os ativos britânicos foram adquiridos por CAPITAL NACIONAL E NÃO POR GRUPOS ESTRANGEIROS, interessados apenas em enviar dividendos para o exterior.
            A desinformação tem sido a principal arma de manipulação utilizada pelos grupos econômicos que agora assumiram o poder em nosso país.
            Sinceramente, é uma enorme tristeza ver a desconstrução de tudo o que sustenta a indústria de base de nosso país ser feita de uma forma tão descabida, sob o pretexto de “otimização” do estado.
            A estratégia daqueles que, como os atuais presidente da Eletrobrás e o Ministro da Economia, são representantes do capital privado e conglomerados econômicos internacionais, adotam é sempre a mesma: primeiro sucateiam a empresa, tornando-a inviável economicamente, depois vão à imprensa dizer que a empresa é deficitária, manipulando a opinião pública (que por sinal é tarefa fácil diante da atual “geração BBB”), depois entregam os ativos à preço de banana para o capital externo.

      • Valter R. Andrade
        29 de junho de 2019 at 10:33

        Realmente!
        Grande e maravilhosa empresa nas mãos de bandidos políticos corruptos. Era realmente gigantesca cabine de empregos, onde os diretores e chefes de setores tinham cargos políticos e montavam panelas e muitos faziam de suas salas seus escritórios particulares. Muita roubalheira qua agora será realmente corrigido e benéfico ao Brasil.

        • Roberto D'Araujo
          29 de junho de 2019 at 10:47

          Com todo o respeito à sua opinião, sugiro estender sua análise e examinar se o Brasil tem realmente as estruturas regulatórias e de fiscalização para ter atividades com tanta influência na vida das pessoas entregue à iniciativa privada. O caso VALE deveria nos alertar que estamos num beco sem saída. Instituições públicas não prestam e as privadas, confiando na incompetência das agências, chegam a matar dois rios sem uma punição proporcional.

      • Zaira
        30 de junho de 2019 at 10:18

        Parabéns pelo comentario!!

      • Celso
        30 de junho de 2019 at 18:24

        Acompanho e aprovo o relato da Maria Lúcia. Trabalhei vinculado a Furnas por 25 anos e mais uma dezena como terceirizado. Nesse tempo, vi a degradação progressiva da empresa, principalmente, pelo famigerado “cabide de emprego”. Eu era técnico e participei de várias tarefas onde três faziam o trabalho e sete assistiam para preenchimento de relatórios, já que era a única coisa que sabiam fazer, todos apadrinhados de alguém.

      • Geraldo Pereira
        1 de julho de 2019 at 22:34

        Verdade, analfabetos petistas alçando cargos de diretoria e chefia de divisão , ditetorias e divisões criadas exatamente para acomoda-los. Ali Furnas começou a morrer. Fui furniano por 35 anos em turnos …. fica a saudade.

    5. Sueli Belem Varella
      28 de junho de 2019 at 18:49

      É triste!! Inimaginável que um patrimônio como FURNAS, o que ela representou e representa, passe, hoje, pela consequência do descaso de décadas!!! Adoraria poder ver um movimento nacional, de peso, que pudesse impedir mais esse desastre!!!!

    6. Adonias Ferreira dos Santos
      28 de junho de 2019 at 19:02

      …….NÃO tenho o porque comentar esclarecimentos que esvaziam em parte minha INDGNAÇÅO .

      PARABENS pelo Relese ……….

    7. Luiz Carlos Campbell
      28 de junho de 2019 at 20:58

      Roberto queria reforçar a importância inicial da SE de Jacarepaguá energizada em 1967 que trouxe a energia da UHE de Furnas via Itutinga em 60 Hz quando ainda a Light era única geradora para o RJ…em 50 Hz e em 1984 o sistema HVDC para trazer 50% da energia gerada de Itaipu pelo turnkey do consórcio ASEA-Promon muito ineditismo.

      • Roberto D'Araujo
        28 de junho de 2019 at 22:38

        Bem lembrado Campbell

    8. Mario Herdade
      28 de junho de 2019 at 21:04

      O objetivo é acabar com os nossos ídolos, as referências que despertam nosso orgulho.
      E FURNAS é mais um.

      Aos poucos estamos perdendo TODAS AS nossas referencias!

      Há pouco foi o Museu Nacional, na Quinta da Boavista.
      Até nosso futebol foi morar na Europa o que fez esqueceram como se dá um “lençol” no adversário!

      Imagina uma Alemanha sem a Bayer, sem a Siemens?
      Imagina os EUA sem uma GE? Sem uma Boeing e muitas outras?

      É muita falta de amor, de patriotismo! Destruir o que temos de bom por 30 dinares, porque é isso.
      Os militares de hoje trazem saudades do Castelo Branco, do Médici, de Costa e Silva, do Figueiredo. Erraram, mataram, mas amavam o nosso país.

      Os de agora não fazem nem uma coisa nem outra. Levam cocaína para a Europa.

      Está doendo muito o que estão fazendo com FURNAS. Tem que impedir.

      • Valter
        29 de junho de 2019 at 10:41

        Quem levou cocaína para a Europa não foram nossos militares e sim um bandido travestido de militar que está a acostumado a fazer isso nos governos do PT, com Lula e dilma. A casa dele caiu. O Brasil está mudando e essas transformações é o fim dessas mamárias.

    9. Tereza Figueiredo
      28 de junho de 2019 at 21:46

      Compartilho da mesma tristeza do Bartolomeu.
      Vivi 30 anos de minha vida, em FURNAS, o que representa a metade da minha vida. Sou do tempo que os funcionários amavam a Empresa, vestiam a camisa e a abraçavam.
      É lamentável vê o fim de uma Empresa da importância de Furnas….

    10. JOSE CARLOS MARTINS I
      28 de junho de 2019 at 21:55

      Furnas é importante para o setor elétrico do país. O problema foi o péssimo uso que fizeram da empresa como noticiado nos grandes escândalos que tivemos ao longo dos anos. Essa talvez seja a razão da privatização

      • Roberto D'Araujo
        28 de junho de 2019 at 22:40

        Martins

        E quem disse que nós sabemos privatizar? Vide VALE, vide CONCER!

      • valter
        29 de junho de 2019 at 10:47

        Isso mesmo! Se não tivesse nas mãos de bandidos corruptos, Furnas seria hoje dez vezes maior. Não perderemos Furnas, ela apenas será muito maior que essa teta política de hoje.

    11. Ana Paula
      28 de junho de 2019 at 22:39

      A Eletrobrás Furnas é um patrimônio do povo brasileiro….que por muitos anos foi saqueada por esses políticos corruptos!!! Vcs acreditam que essa venda aconteceria ainda esse ano, com tanta surpresa q temos desse atual governo…

    12. João Antônio da Silva
      28 de junho de 2019 at 22:45

      Vamos deixa-los entregar tudo em nome das sua teorias econômicas de estado mínimo, lá no futuro,quando não não sobrar mais nenhuma empresa pública para vender,para pagar as dívidas de suas incompetências,quem sabe não se vende um Estado completo,por inteiro,quem sabe não se venda o Brasil com os brasileiros como escravos.

    13. Antonio de Souza Lima
      28 de junho de 2019 at 22:46

      Quando ingressei na empresa em 1961, seu nome , era no singular , Central Eletrica de Furnas, acompanhei ano a ano o seu crescimento, para ver hoje ela se desmanchar como bolo de festa infantil . A que interesses essa privatização vai beneficiar, certamente, ao povo não será . Sinto meu coração despedaçar, quando leio comentários sobre esse crime contra o nosso patrimônio !

    14. Octavio Pieranti
      28 de junho de 2019 at 22:48

      Sou testemunha. Engenheiro eletricista iniciei carreira profissional em 1968 e aposentei em 2015. No período participei de projetos de hidroelétricas, termoelétricas e sistemas de transmissão para Furnas, Chesf, Eletrobras, Escelsa, Cemig , C3E e outras como engenheiro de projeto de duas únicas empresas de Engenharia, privadas, as duas únicas para as quais trabalhei. Sou testemunha. Não chegaríamos como País independente, como Nação livre , sem o suporte para infraestrutura do Setor Elétrico . Sou testemunha. Os quadros técnicos destas empresas eram constituídos por profissionais de muita competência. Sou testemunha. Durante anos exportamos consultoria para setores elétricos de países desenvolvidos e sub desenvolvidos , sempre com respeito considerável da comunidade internacional. Se estas empresas hoje são consideradas como deficientes certamente não o são pela capacidade técnica desenvolvida mas sim por gestai equivocada. E de onde vinham tais administradores ? Cabe ainda uma outra pergunta: e a soberania Nacional , onde está considerada? Será que sem controle do setor elétrico o Brasil poderá ser uma Nação livre? Infelizmente estou testemunhando um erro de planejamento.

    15. Marina Veiga
      28 de junho de 2019 at 23:19

      Infelizmente este triste capítulo faz parte da cartilha macabramente elaborada nos idos de 90 em prol da venda homeopática dos recursos naturais do Brasil..no entanto, foi escolha de nosso próprio povo…só lamento..

    16. Marco Araújo
      28 de junho de 2019 at 23:34

      Poucos com muito e muito com pouco! Bom, quero dizer que furnas esteve até hoje alimentando e pulvorizando as indicações políticas sem nenhum critério, deixando de ser uma empresa séria, para ser uma empresa paternalista. Hoje com contratos milionários para justificar os grandes salários de empregados contratados e indicados. A privatização infelizmente seria uma forma de punir e estancar na carne a política desacerbada em nosso país em novos tempos.

    17. Sebastiao Laércio Machado
      28 de junho de 2019 at 23:55

      Maria Lúcia, você certamente não conhece a empresa e o que a fez grande e respeitável. Certamente a conheceu pela imprensa. Certamente não sabe quem foi Cotrin, depois de presidente de Furnas, tornou-se presidente de Itaipu Binacional. Não conhece a história de seus respeitáveis e grandes engenheiros, advogados, economistas, administradores. Heróis sem rosto.
      Que pena saber tão pouco como a maioria da classe média brasileira.

    18. Antonio de Souza Lima
      28 de junho de 2019 at 23:59

      Essa privatização pretendida pelo governo, talvez se torne uma estatização para a China ! Me doi o coração , quando vejo essas notícias, eu que acompanhei o crescimento da empresa, pois ingressei em seu quadro de pessoal, quando ela ainda estava construindo sua primeira usina, FURNAS trabalhava-se com afinco e dedicação, e acompanhei seu incrível crescimento ano a ano

    19. Leandro Paulo Moreira
      29 de junho de 2019 at 0:13

      Quero ressaltar que além da importância energética, Furnas possui uma vasta rede de fibras ópticas em cabo OPGW possibilitando um sistema de telecomunicações capaz de levar a várias regiões do país uma rede de banda larga de altíssima qualidade.

    20. José de Araújo
      29 de junho de 2019 at 10:24

      Erros existiram e existirão. Se houve em Furnas, na CHESF, na Eletronorte ou Eletrosul e na Eletrobrás, seriam para se aprender com eles e não repeti-los. Erros existem nas grandes empresas privadas. Inúmeros erros. Estas quando consideradas estratégicas pelos governos dos países dos quais fazem parte, são devidamente capitalizadas ou protegidas. GM, Ford, Citybank, Krupp, etc.
      A história real é que o sistema elétrico brasileiro deve, e muito, à Eletrobrás e suas subsidiárias. Sem estas empresas teríamos um país praticamente só agrícola. Ainda agora, poucos privados investem seu capital para o desenvolvimento do parque energético. Sem BNDES, quem se aventuraria? Os que pensam que privatizar é solução, não conheceram ou querem se esquecer dos racionamentos de energia, ou das limitações de seu uso, que existiam em quase todo o país, quando o setor era totalmente privado. A história registra isso.
      Como é mais fácil e barato adquirir o que já está feito, espalhe-se que não somos competentes, como governo, para administrar empresas. Baixa-se, artificialmente seus preços, manipula-se seus resultados e, então, a preços módicos, vende-se o que temos de melhor, como se isso não fosse corrupção, talvez a maior dela.
      Antinacionalistas, alguns, analfabetos funcionais, outros.

    21. Ana Margulies
      29 de junho de 2019 at 11:07

      A ignorância nem sempre é uma benção. Em relação ao desmonte do setor elétrico brasileiro é uma catástrofe. É o sepultamento de um dos maiores símbolos da identidade brasileira.

    22. JOSÉ DIAS DE OLIVEIRA NETO
      29 de junho de 2019 at 11:52

      José Dias de Oliveira Neto; ingresso em FURNAS 1966, a 1a Usina iniciava operação. As Péssimas/Más decisões destes, que a boa maioria elegeu irresponsavelmente ainda não me desmobilizam e creio que temos os “Fundamentos e Amarras” tão bem constituídas para FURNAS, que serão Desfavoráveis para tamanho crime. Aqueles nossos técnicos excelentes, inteligentes e elegantes criadores e desenvolvedores das estruturas de FURNAS certamente movimentam-se contra esta “balbúrdia” que todos entendemos toda extensão do que representou, representa FURNAS e representará pro país e sociedade. Aqueles que foram incompetentes de visões politiqueiras não sentem o que sentimos, mas, “cada um terá o seu julgamento conforme sua obra”! “Façamos nossas vozes serem BEM ouvidas e acatadas pela imprensa nacionalista, estrategicamente, pois estes que aí estão “Não Passarão”. As lembranças dos bons nomes aqui, dão mais energias e disposição para formarmos nossa boa sinergia contra descomprometidos com o BRASIL. Lembremos que aqueles politiqueiros são oportunistas de plantão. Não Servem para Servir! “FURNIANOS UNAMO-NOS AGORA”

    23. Henrique Kinrys
      29 de junho de 2019 at 12:17

      Faço minhas as palavras dos Engos. Luiz Carlos Campbell e Octávio Pieranti Filho.
      A Engenharia Elétrica brasileira está sendo empobrecida pelo desmanche de Turmas.

    24. Henrique Kinrys
      29 de junho de 2019 at 12:21

      A Engenharia Elétrica brasileira está sendo empobrecida pelo desmanche de Furnas.
      Mas, passado e história cada vez tem menos valor no Brasil.

    25. EDNA MARIA
      29 de junho de 2019 at 13:59

      Lamentável, meu pai o o primeiro funcionário dessa grande Estatal, faleceu com 90 anos esperando receber o que de direito dele, são várias famílias a qual o provedor deu o sangue pra construir essa grande potência. Meu pai era motorista do Dr. John Coutrin, tanto que o livro de autor Átila Brandão citou ele junto com o Lelo e o. baiano, eram motoristas de confiança. Luis Carlos Barretos, engenheiros, técnicos viajaram muito com eles, meu pai passava meses fora de casa levando esses profissionais para construção das Torres e subestações de Furnas. A minha indignação é que tem um processo na justiça há mais de 30 anos e Furnas recorre e nunca paga. Mas dinheiro pra pagar licitações super faturas tem. Eles vão dar o calote nesses empregados? Hoje são muitas viúvas e filhos a espera de justiça. A última vez que meu pai pisou no escritório Central aí no Rio, foi tratado como cachorro por um dos diretores, tanto que ele disse que quando entrou pra trabalhar não tinha banco pra sentar e fazer a refeição, hoje esses bacanas acham que são donos desse patrimônio. O Brasil precisa acordar, e aí Bolsonaro vai tomar atitude pra melhor o nosso país.

    26. Leonardo di Iulio
      30 de junho de 2019 at 2:22

      O meu pensamento possivelmente careça de preciosidades numéricas e análises mais aprofundadas mas resume bem o sentimento de um profissional engenheiro que trabalhou em Furnas de 1967 a 1989 tendo exercido também varias funções de chefia.
      Furnas era considerada, no seu inicio e durante muitos anos, como uma emprêsa modêlo no sistema energético brasileiro e internacional.
      Modêlo tanto técnico como administrativo e também financeiro.
      A prova é que se dizia na época que a emprêsa tinha mais credibilidade no exterior que o proprio govêrno do país e muitas vêzes se tornava mais ágil o govêrno brasileiro conseguir empréstimos financeiros no exterior utilisando o nome de Furnas do que o seu proprio.
      Uma emprêsa que era considerada modêlo não poderia ser deficitária.
      As coisas começaram a mudar ao longo dos tempos com a ocupação de cargos importantes pelos politicos inescrupulosos que viam ali uma possibilidade grande de se locupletar com dinheiro indevido.
      Essa participação dos politicos e protegidos dos partidos, a meu ver começou bem antes do PT assumir o poder e perdurou até os dias atuais. As malversações vieram à tona na imprensa com a eclosao do mensalão por volta de 2005 e na época quase custou o cargo do presidente Lula.
      Agora os culpados por essa situação (politicos e apaniguados externos e internos à companhia) chegam à brilhante conclusão que para se corrigir o mal causado por êles, a melhor solução é vender a companhia, se desfazer de tudo que foi construido em mais de 60 anos e passar à iniciativa privada.
      Possivelmente por um valor contabil que vai ficar bem aquém do que foi realmente o custo atualizado de tudo que foi construido e realizado e mais importante ainda, sem se levar em conta o tempo que foi gasto na construção desta realidade que é hoje FURNAS.
      Atitude patife para corrigir patifarias feitas ao longo dos tempos pelos govêrnos que se sucederam um aos outros com matizes politicas de varias côres e que acima de tudo carecem de uma minima moral e inteligência técnica e empresarial que a possam justificar.
      Afastem os politicos e afilhados de Furnas, coloquem profissionais do ramo competentes no seus lugares e verão que os resultados serão outros em curto espaço de tempo.
      Se o capital privado está interessado em comprar Furnas, certamente é porque a galinha e os ovos de ouro ainda não morreram.

      • Roberto D'Araujo
        30 de junho de 2019 at 9:56

        Caro Leonardo:

        Excelente comentário e complementar ao artigo. Em 1978, ao fazer um estágio na Bonneville Power Company, estatal americana, eu e mais dois colegas ficamos impressionados com o interesse sobre o sistema de corrente contínua que Furnas integrava ao projeto de Itaipu. Confirma o respeito no exterior que você relata.
        Além da politização de cargos que você denuncia, as políticas suicidas que foram impostas às empresas da Eletrobras são um sintoma da fragilidade e dependência do nosso capitalismo que olha sempre com desconfiança para o futuro exigindo cada vez mais benesses do estado.
        Grato pelo comentário!

    27. Raimundo P Sousa
      30 de junho de 2019 at 10:53

      Furnas foi considerada uma grife. Uma referencia de competência. Não podemos deixar que fique apenas como lembrança do passado. Vamos reagir fortemente com já reagimos em outros memoráveis momentos para defender essa joia que pertence ao povo brasileiro.

    28. Armando Mario de Carvalho
      2 de julho de 2019 at 0:28

      Quando fez 80 anos, Cotrim com parceria de FURNAS, comemorou com amigos, funcionarios e familia, no térreo do Bloco A ( Hoje Edificio John Cotrim ) . Nesta ocasiao fez um discurso que certamente o Ilumina tem em seus aquivos e que sendo assim pode ser reeditado. Foi profetico, contundente pela ocasiao , ao ser lido para ‘o distinto publico presente diretamente e nas entre-linhas para os ausentes e outros menos interessados. Ja tinha causado impacto quando tambem proferiu outro discurso quando foi tirado de FURNAS .pelo governo militar da epoca. Roberto, da um jeito de publicar esses discursos.

    29. Walter
      2 de julho de 2019 at 5:16

      Impressionamte bee como ainda em 2019 pessoas defendem um estado enorme gerador de tudo p todos……..

      • Roberto D'Araujo
        2 de julho de 2019 at 8:28

        Procure saber porque Canadá, Noruega, Suécia e Estados Unidos preferem não vender suas hidroelétricas.

    30. Henrique
      3 de julho de 2019 at 2:02

      Me parece que para esse governo basta destruir todos os nomes e símbolos do país que algo novo e melhor vai surgir do nada. Basta esvaziar e derrubar esses três prédios brutalistas e mudar o escritório para um prédio open office e tudo irá se regenerar mais eficiente e melhor, é simples. Quanto ao impacto em Botafogo não se pode desprezar as pequenas tragédias pessoais, deve haver ao menos alguma família de comerciantes preocupada no momento.

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