Guedes quer Secretaria de Privatizações para acelerar venda de ativos, diz agência – Folha de São Paulo

Análise do ILUMINA: Não se trata de ser contra as privatizações.

O dilema é avaliar se sabemos privatizar em benefício do Brasil.

Cada um que julgue através dos números.

Eis a receita das privatizações realizadas de 1994 – 2006.

Fonte: BNDES

Estimando uma inflação acumulada do dólar em 50%, esses US$ 105 bilhões valeriam hoje ~ US$ 150 bilhões ou R$ 560 bilhões. Uma boa comparação é a renúncia fiscal brasileira (subsídios e desonerações) de 2017 que atingiu R$ 400 bilhões!

Eis a evolução da dívida pública:

Fonte: Banco Central

Amarelo – FHC, Vermelho – Lula, Azul – Dilma, Marrom – Temer

O nível atual da dívida pública atual atinge aproximadamente R$ 5 trilhões, ou R$ 5.000 bilhões ou US$ 1350 bilhões, quase 10 vezes toda a receita das privatizações da década de 90. Cada um decide o que pensar.


BRASÍLIA

O futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, pretende criar uma Secretaria de Privatizações no governo do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) para acelerar o programa de venda de ativos brasileiros como forma de tentar melhorar a saúde fiscal do país, afirmou uma pessoa com conhecimento do assunto à agência Reuters nesta segunda-feira (19).

Paulo Guedes, futuro ministro da Economia, e Onyx Lorenzoni, indicado para a Casa Civil; governo quer criar Secretaria de Privatizações

Paulo Guedes, futuro ministro da Economia, e Onyx Lorenzoni, indicado para a Casa Civil; governo quer criar Secretaria de Privatizações – Sergio Lima/AFP

Preliminarmente, a nova estrutura deverá se chamar Secretaria de Privatizações e Desinvestimento e será vinculada diretamente à superpasta da Economia que Guedes vai comandar a partir de janeiro.

Desde a campanha eleitoral, o guru econômico de Bolsonaro tem defendido a privatização de estatais e outros órgãos da burocracia como forma de fazer caixa a fim de reduzir o endividamento público do país –ele chegou a declarar, em entrevista, que há cerca de R$ 1 trilhão em ativos a ser privatizados.

A intenção de se criar esse órgão, segundo a fonte, é colocar a política de venda de ativos no centro das decisões do governo, sinalizando essa ação como uma das prioridades da futura gestão.

Essa fonte lembrou que ainda na década de 1980, antes do Plano Cruzado, Paulo Guedes já fazia uma defesa enfática da venda de ativos brasileiros para pagar a dívida do país, o que ajudaria a derrubar os juros e fazer o Brasil ingressar em um ciclo de grandes investimentos.

“Ele enxerga mais longe que todos”, disse a pessoa, que pediu anonimato.

Bolsonaro, por sua vez, tem dado respaldo ao plano de privatizações de Guedes, seu “posto Ipiranga”, mas sempre tem demonstrado que haverá limites para o projeto.

“Vai ser um grande plano de privatização? Sim, vai ser, mas com muita responsabilidade”, disse Bolsonaro em uma transmissão de vídeo no mês passado, voltando a especificar que não pensa em privatizar Furnas, subsidiária de geração controlada pela Eletrobras.

A estrutura na burocracia federal que atualmente mais se assemelha é a Secretaria Especial de Programa de Parcerias de Investimentos (SPPI), órgão vinculado à Secretaria-Geral da Presidência que gerencia, além de privatizações, concessões e parcerias público-privadas.

O PPI foi criado em 2016 por medida provisória no início do governo do atual presidente Michel Temer para garantir a ampliação e o fortalecimento da interação entre o Estado e a iniciativa privada para a celebração de contratos de parceria para a execução de empreendimentos públicos de infraestrutura e outras medidas de desestatização.

As privatizações ganharam impulso no país na década de 1990 com o Programa Nacional de Desestatização (PND) do governo do então presidente Fernando Collor de Mello.

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      4 comentários para “Guedes quer Secretaria de Privatizações para acelerar venda de ativos, diz agência – Folha de São Paulo

    1. Luis chiganer
      20 de novembro de 2018 at 10:51

      A privatização das estatais brasileiras deixou de ser um problema de caixa ou abatimento da dívida e sim uma medida de anticorrupção e troca de favores políticos

      • Roberto D'Araujo
        20 de novembro de 2018 at 11:00

        Chiganer:
        Troca de favores políticos podem ser feitas sem estatais. Você conhece as negociatas da Oderbrecht, OAS, JBS no congresso nacional? Além disso, não vejo o setor privado probo e independente do BNDES que você vê.
        Mas, foi bom você chamar a atenção sobre o fato de que as privatizações que restam não fazem nem cócegas na dívida.
        Pra mim, isso mostra que o Brasil não sabe privatizar.

    2. Carlos
      20 de novembro de 2018 at 23:50

      Ja q se falou em grandes empreiteiras vs Congresso, etc e tal, este “problema” e’ e sera’ recorrente, enquanto se tentar contemporizar a corrupçao com os benevolentes atuais contratos de leniencia. Ladroes natos sao incorrigiveis. Essas grandes gatas ainda vao continuar como se nada tivesse acontecido. Assim, na nova ordem politica, a inabilitaçao para qquer contrato com os governos, por longo prazo ( tipo uma geraçao inteira), e’ o unico meio q poderia corrigir e evitar novas iniciativas criminosas. Licitaçoes internacionais para os grandes projetos, sob rigida fiscalizaçao, em substituiçao, claro.
      O corte do mau pela raiz, e’ uma coisa q se propaga.

      • Roberto D'Araujo
        21 de novembro de 2018 at 7:56

        Carlos:
        Se me permite, penso que o problema está no fato de que o Brasil trata as estatais como entidades de governo, quando, na realidade, elas são entidades de estado. A diferença é que os cargos de diretoria têm mandato fixo e a estatal têm contrato de gestão que fixa o que o governo pode pedir à estatal e o que a estatal pode pedia ao governo. Pergunte ao Trump se ele consegue mudar a diretoria da Tenesse Valley Authority sem um motivo muito forte e embasado nos contratos.
        É preciso também mudar a legislação e aumentar bastante a punição a quem comete crimes em posições públicas. O grande problema brasileiro é a sensação de impunidade.

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