Mais Pobres Pinçamos algumas jóias de Mark Smith, vice-presidente da Câmara de Comércio dos EUA: "No setor de infra-estrutura, principalmente nos segmentos de energia elétrica e telefonia, enquan …

Mais Pobres


Pinçamos algumas jóias de Mark Smith, vice-presidente da Câmara de Comércio dos EUA:


"No setor de infra-estrutura, principalmente nos segmentos de energia elétrica e telefonia, enquanto não tivermos regras claras e novos modelos regulatórios , não haverá nenhum novo investimento. Pior. Muitas dessas companhias estão na verdade no limite de abandonarem as suas atividades no país dependendo das decisões que venham a ser tomadas pelo governo."


No dia 8/03 o mesmo Mark Smith afirmava: "O presidente Lula, que tanto assustou os investidores no ano passado e que, com isso, provocou a derrubada do mercado brasileiro, deveria se mostrar aberto a um diálogo franco sobre a questão da AES ", "Deve-se levar em consideração o quadro de expectativas sobre o mercado de energia. O setor está quebrado. Mas é melhor que continue sob o controle da iniciativa privada a ser reestatizado. "


Juntamos a opinião de Fernando Exel ,sócio da Economática.: "Só com o perdão de parte do débito essas empresas (distribuidoras) conseguiriam reestruturar sua situação financeira."


Pedimos que, apenas por um momento, esqueçam suas posições profissionais e pensem apenas como cidadãos pagadores de suas contas e impostos. Vocês acham justo que após o sacrifício de 2001, após aumentos tarifários recordes, após imposição de pagamento de seguro apagão e prejuízo de distribuidoras, depois de ver o BNDES balançar por conta de uma empresa privada que deve não trouxe um tostão para o país, termos de ouvir quietos ameaças de abandono? Acham justo que o único banco de fomento brasileiro sustentado com os seus impostos ceda a esse tipo de pressão?


Hoje em dia virou moda taxar todos que pensam com um mínimo de espírito público de radical. É um conceito relativo que mostra um posicionamento em total oposição a outro, por consequência, radical também. É tudo questão de ponto de vista. A verdade é que com todo esse processo ocorrido na década de 90, nós brasileiros, ficamos mais pobres. Independente das razões, o que o Dr. Smith está nos dizendo é que isso não é problema dele nem das companhias que representa. O que você acha que deveriamos fazer? Mande sua opinião para fadeout@globo.com.



Endividamento fecha saídas para distribuidoras (Estado de São Paulo)


Levantamento da Economática aponta dívida de R$ 56,8 bi e lucro de R$ 1,3 bi no 1.º trimestre

IRANY TEREZA


RIO – As dificuldades das distribuidoras de energia elétrica para honrar o pagamento de suas dívidas deixaram de ser problemas pontuais e configuram uma crise sistêmica do setor. Este é o resultado de um levantamento feito pela consultoria Economática, a pedido do Estado. Hoje, 1.º de junho, completam-se dois anos do início do racionamento, que durou nove meses e deu um nó na já problemática situação financeira das empresas do setor. Casos como o da americana AES, que declarou moratória da dívida para aquisição da Eletropaulo, podem se repetir com outras empresas.


A dívida total de 26 empresas de capital aberto pesquisadas pela Economática somou, no primeiro trimestre deste ano, R$ 56,8 bilhões, enquanto o lucro operacional no período foi de apenas R$ 1,3 bilhão. Nem mesmo a queda do dólar nos primeiros meses do ano foi capaz de garantir fôlego suficiente à tentativa de reversão da crise.


"É muito delicado administrar uma dívida de mais de R$ 56 bilhões. Mesmo admitindo-se que o dólar vai estacionar, esse número de endividamento globalizado mostra que o setor está passando por uma crise sistêmica. É impraticável o pagamento do serviço dessa dívida", diz Fernando Exel, sócio da Economática.


O saldo devedor da AES com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) chegou a R$ 4,1 bilhões em dezembro de 2002 e obrigou o banco a fazer uma provisão de R$ 1,2 bilhão para o balanço deste ano. Isso representou quase metade dos provisionamentos de dívidas de cerca de duas mil empresas, feitos pelo banco como prevenção a eventuais calotes. Ou seja, a AES sozinha foi responsável por uma redução significativa no lucro líquido do ano passado, que ficou em R$ 550 milhões.


O banco não divulga a informação sobre a dívida total do setor em sua carteira. Um executivo do BNDES informa, entretanto, que, embora existam outras empresas inadimplentes no setor, não há preocupação com a repetição de um caso do porte da AES. Em primeiro lugar, porque, segundo ele, não há endividamento nesse nível com outra empresa elétrica. Em segundo, porque praticamente toda a dívida da AES foi contraída com vinculação ao dólar e para a compra de ativos, o que não ocorre com empréstimos a outras empresas.


O mesmo executivo comenta que o endividamento das empresas elétricas está espalhado por todo o sistema financeiro. A Eletropaulo, que acumula dívidas em torno de R$ 6 bilhões, por exemplo, não tem quase nada financiado pelo BNDES. A Enron, outra empresa americana que investiu no setor de energia do País e enfrentou dificuldades que a levaram à falência, também não recorreu a financiamento do banco estatal.


Fernando Exel calcula que, para o nível de juros praticado atualmente no Brasil, o lucro operacional dessas empresas teria de ser, no mínimo, 30% superior à dívida. Pelos seus cálculos, essa relação está hoje em 9,1%. Ele não vê possibilidade de pagamento da dívida das elétricas, e acredita que s ó com o perdão de parte do débito essas empresas conseguiriam reestruturar sua situação financeira . O técnico do BNDES concorda e vai além: para ele, as empresas precisam de crédito, nova rolagem de dívida e uma reformulação regulatória para sobreviverem.


ELETRICIDADE

Corte começou neste ano e acaba em 2006; grandes consumidores pagarão entre 10,83% e 41,12% a mais

Sem subsídio, energia sobe para indústria


HUMBERTO MEDINA

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O consumidor residencial vem pagando, em média, 12,38% a mais pelo preço da energia elétrica por causa dos subsídios tarifários concedidos ao setor industrial. O dado consta de estudo feito pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica).


A conclusão do processo de extinção desses subsídios deverá provocar reajuste entre 10,83% e 41,12% na tarifa dos grandes consumidores de energia.

O subsídio à indústria começou a ser reduzido neste ano, mas o processo só acaba em 2006. Na prática, a retirada dos subsídios significará aumentos menores para os consumidores residenciais e reajustes ainda maiores para os comerciais e industriais (veja quadro à direita).


Ou seja, a tarifa aumentará de qualquer maneira, mas os aumentos -causados por reajustes anuais previstos nos contratos- serão 12,38% menores para os consumidores residenciais e até 41,12% maiores para os consumidores comerciais e industriais. Isso porque, mesmo com a extinção dos subsídios, as tarifas continuarão a ser corrigidas normalmente.


Energia em dólar


Os cálculos da Aneel foram feitos com base na tarifa média de 19 distribuidoras de energia. O estudo, de 2001, não havia sido divulgado pela agência, mas, como continua válido, foi incluído na nota técnica sobre a revisão tarifária da Eletropaulo.

O preço da energia aumenta principalmente por causa do reflexo do IGP-M -Índice Geral de Preços do Mercado que, por contrato, reajusta parte dos custos das distribuidoras- e do dólar, porque as distribuidoras compram energia dolarizada da hidrelétrica de Itaipu.


Os efeitos do processo de retirada do subsídio já foram sentidos no reajuste da CPFL (SP), Cemat (MT), Cemig (MG) e Enersul (MS). No caso da CPFL, os consumidores residenciais amargaram aumentos de 18,57%, enquanto os grandes consumidores tiveram reajustes maiores, de 20,15% a 24,56%. O mesmo deverá acontecer no reajuste da Eletropaulo, previsto para 4 de julho próximo.


Inflação

A retirada dos subsídios deveria acontecer em ritmo mais acelerado, mas o governo teve medo dos efeitos do aumento da energia para a indústria nas taxas de inflação. Por isso, resolveu amenizar o processo. Antes, a retirada gradual do subsídio seria dividida em partes iguais, com 25% de redução a cada ano.


Temendo elevação muito forte nos custos das indústrias e o consequente repasse para os preços, o governo decidiu que apenas 10% do subsídio acaba neste ano, 25% em 2004, 50% em 2005 e 75% em 2006. Na avaliação feita pelo governo, os efeitos benéficos do fim do subsídio para o consumidor residencial seriam menores do que os problemas causados pelo aumento da inflação.


Grandes consumidores

Os grandes consumidores de energia não estão conformados com o aumento ocasionado pelo fim do subsídio e ainda querem discutir a questão com a Aneel.


Reunidas na Abrace (Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia), as grandes indústrias sustentam que não há provas evidentes de que exista, de fato, subsídio. A Abrace congrega os 54 grupos industriais que consomem 20% do total de energia elétrica no país.


De acordo com José Roberto Giannotti, vice-presidente da associação, "não está claro que existe subsídio". Segundo ele, primeiro é preciso definir com clareza se existe ou não o subsídio, o seu tamanho e, depois, discutir se o país quer ou não mantê-lo.


Entre os efeitos negativos do fim do subsídio estaria o aumento do custo Brasil e a perda de competitividade da indústria nacional, em setores que são exportadores.


Para a Aneel não há discussão a respeito da existência ou não do subsídio. Segundo trecho da nota técnica sobre o revisão tarifária da Eletropaulo, o objetivo do processo é a "eliminação gradual dos subsídios cruzados existentes entre as classes consumidoras".





DE MALAS PRONTAS

Para americano, empresas estão no limite

Abandonar o país já é uma possibilidade


DE WASHINGTON

O vice-presidente da Câmara de Comércio dos EUA, Mark Smith, esteve no Brasil na semana passada para tratar dos interesses de 75 empresas americanas com negócios no pais -entre elas, as 11 pesquisadas pela Folha cujos balanços traçam avaliações pessimistas em relação ao país.

"Vim procurar todo tipo de gente, nos ministérios, no governo e no Congresso para ver o que podemos fazer. Infelizmente, estamos vendo um momento muito negativo, principalmente na área de infra-estrutura", afirma.

"Muitas companhias da área estão no limite de abandonar suas atividades no Brasil."

Smith esteve no Brasil com 15 empresários e nove congressistas norte-americanos. Leia a entrevista que concedeu, de Brasília, à Folha :

(FERNANDO CANZIAN)

Folha – A safra de balanços do primeiro trimestre das empresas americanas com investimentos no Brasil revela um quadro bem negativo. O que vai mal?

Mark Smith –
O Brasil está indo muito devagar. Há uma série de fatores e incertezas. A taxa de crescimento está muito baixa, os juros, muito altos, e a flutuação no câmbio prejudica muito. Nossos resultados são muito pequenos quando o valor das operações em reais são convertidos para dólares

Ainda há um interesse em relação ao Brasil, mas a tendência de aumento de investimentos caiu muito nos dois últimos anos. Agora, infelizmente, o que estamos vendo é um momento muito negativo, principalmente na área de infra-estrutura. Bilhões de dólares estão deixando de vir para o Brasil e isso não é bom.


Folha – Muita gente diz, no entanto, que há uma mudança positiva na percepção em relação ao Brasil. Não melhorou?

Smith –
Apesar de o Brasil estar caminhando em um trajetória positiva em termos macroeconômicos, ainda há muito trabalho a ser feito. O Brasil perdeu muito terreno no ano passado. Estamos olhando para o país agora no mesmo ponto em que estávamos antes das eleições.

Quando você tem uma moeda perdendo 40% de seu valor em um ano e o risco-país explodindo de 800 para 2.300 pontos, não podemos chamar isso de ambiente estável ou mesmo sustentável.

O Brasil precisa acabar com esses ciclos de altos e baixos. Eles não ajudam em nada a criar um ambiente onde o investidor saiba o que vai acontecer para poder colocar o dinheiro no país.


Folha – No caso das empresas, quais os problemas específicos?

Smith –
Existem enormes incertezas em relação aos negócios de várias companhias em muitos setores. A Monsanto, por exemplo, não tem segurança de como a questão dos produtos geneticamente modificados será tratada no Brasil. A AT&T está fechando suas operações por uma série de razões. A Bellsouth teve inúmeros problemas regulatórios não-resolvidos e dificuldades com seus parceiros no Brasil. Outros perderam muito dinheiro no Brasil. Seus negócios aqui estão seriamente ameaçados.

Se você olhar para o setor energético, ainda não houve uma recuperação das perdas impostas pelo racionamento de energia em 2001. Em toda a área de infra-estrutura, as companhias americanas estão perdendo uma quantidade monumental de dinheiro.

No setor de consumo em geral, tivemos períodos muito difíceis e estamos só estamos começando, ainda muito lentamente, a ver as coisas melhorarem um pouco. O que você viu nos balanços das empresas reflete simplesmente essas dificuldades que mencionei.


Folha – Muitas empresas migraram para a exportação. Não está funcionando?

Smith –
Nos últimos meses, os grandes investidores que temos aqui de fato transferiram parte de suas operações para a exportação. Mas, ironicamente, o crescimento relacionado às vendas externas agora está se tornando um novo desafio por causa da apreciação do real. Estamos vendo as coisas ficarem mais difíceis de novo.

A volatilidade no câmbio hoje é imensa e qualquer planejamento fica totalmente prejudicado. Tenho ouvido de uma série de empresas que exportam de telefones celulares e carros a aparelhos de ar-condicionado e microondas que suas operações estão agora em perigo por causa da apreciação do real.


Folha – O Brasil precisa de novos investimentos para crescer sem inflação e para continuar exportando. Vamos ter?

Smith –
Depende muito de cada setor. Nas áreas mais orientadas ao consumo é possível que haja um aumento. Mas isso só vai ocorrer a partir do momento em que a economia realmente se estabilizar e começar a crescer.

No setor de infra-estrutura, principalmente nos segmentos de energia elétrica e telefonia, enquanto não tivermos regras claras e novos modelos regulatórios, não haverá nenhum novo investimento.

Pior. Muitas dessas companhias estão na verdade no limite de abandonarem as suas atividades no país dependendo das decisões que venham a ser tomadas pelo governo.




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