Mandrake!


O ILUMINA capturou nos instantâneos ao lado o que acontecia no Brasil no exato momento em que o risco Brasil caia mais um pouco. Como já anunciamos aqui, o Risco Brasil e o Risco Cidadão são variáveis inversamente proporcionais. Fazemos nossas as palavras de Luis Nassif. É preciso ser mágico para achar tudo isso maravilhoso! O fantástico Superavit Primário, muito acima do exigido pelo FMI é feito às custas de vários Déficits também primários. O da foto é déficit de comida.


Fotos após incêndio da CEASA (JB)





Mandrake era aprendiz

LUÍS NASSIF – Folha de São Paulo 26/11
Vamos a alguns exemplos do malabarismo retórico a que foi reduzida a defesa do atual modelo econômico, até como subsídio para algum estudioso que pretenda, no futuro, analisar discurso econômico, ética e política.


Capital externo – multinacionais atuam no setor de bens duráveis, semiduráveis, serviços, transportes e infra-estrutura. Preferem muito mais setores não regulados aos regulados. O modelo não conseguiu atrair poupança externa, a não ser para privatização e compra de empresas. Em artigo no “Estado de S. Paulo”, o professor Rogério Werneck, da PUC-RJ, faz uma defesa candente do modelo econômico, desanca todos os demais setores do governo e atribui a ausência de capital externo à falta de rapidez na regulamentação de concessões. E por que o capital não entra nos demais setores, se o modelo é virtuoso? Por que o professor não analisa o peso dos juros e tributos na decisão de investir e os receios manifestos em relação à progressão da dívida pública -fruto da taxa de juros praticada?


Desvalorização cambial – em entrevista ao “Estado de S. Paulo”, o economista Eduardo Giannetti da Fonseca, ao repetir o ex-ministro Pedro Malan, sustenta que o governo não controla o câmbio real. A uma desvalorização cambial corresponde uma inflação interna que anula os efeitos do câmbio. Todas as evidências sobre desvalorizações cambiais no Brasil desde 1983 -inclusive nos períodos de superinflação e superindexação- comprovam o oposto. Por que Giannetti e Malan dizem o contrário? Por falta de conhecimento? Certamente, não.


Crise fiscal do Estado – naquela que talvez seja a obra-prima do pensamento cabeça de planilha, em artigo no “Valor”, o economista Fabio Giambiagi aborda a questão da “demanda por magia” pela mídia (a mídia que propõe a mudança do modelo, não a que acreditou que bastava abrir para crescer), garante que “o Brasil não tem um problema de modelo econômico” e sustenta que “o que o país tem -e isso afeta a percepção da população, especialmente nos grandes centros urbanos- é um grave problema de falta de segurança”. Algo a ver com a falta de verbas para segurança, assim como para saúde, educação, tecnologia? Claro que não, já que o modelo é virtuoso. “A solução passa por atacar o problema da impunidade e ter um sistema que aumente a probabilidade de o indivíduo: a) ser preso; b) ser condenado a uma pena elevada; e c) ficar de fato na prisão.”


Para resolver esse problema, provavelmente bastará um aditivo na lei ordenando que o criminoso se considere proibido de fugir quando faltar gasolina para o camburão. Ou que, na falta de recursos para penitenciárias, aceite se hospedar na casa de Giambiagi.


Ajuste fiscal – o secretário de Política Econômica, Marcos Lisboa, diz que o ajuste fiscal deste ano é virtuoso porque ocorreu com corte de despesas, e não aumento de impostos. As despesas cortadas foram em educação, saúde, tecnologia, infra-estrutura. Como são despesas essenciais, além de seu conteúdo fundamentalmente anti-social, criam-se passivos nessas áreas que terão que ser cobertos com muito mais recursos no futuro e mais atraso no presente.


Mandrake era aprendiz perto desse pessoal.





Eletrobrás deixa de ser obstáculo ao acordo entre a AES e o BNDES


CHICO SANTOS
DA SUCURSAL DO RIO
A Eletrobrás, holding estatal do setor elétrico, não será mais obstáculo à assinatura do acordo entre o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e a AES sobre a dívida de US$ 1,2 bilhão (sem encargos) que a empresa americana, dona da Eletropaulo, tem com o banco.


A estatal não deverá insistir no arresto das ações da Eletropaulo pertencentes à AES como garantia do pagamento de dívidas de aproximadamente R$ 550 milhões que a Eletronet tem com fornecedores. A Eletronet, empresa de transmissão de dados, é controlada pela AES (51% do capital) e pela Lightpar, do grupo Eletrobrás (49%).
A Eletronet estava em processo falimentar desde maio deste ano por decisão da Justiça do Rio, a pedido da própria empresa. Em junho, a massa falida obteve da Justiça o arresto das ações da Eletropaulo e da Cemig pertencentes à AES como garantia do pagamento das dívidas.


A decisão judicial atendia aos interesses da Eletrobrás. A estatal sustenta que a totalidade da dívida da Eletronet é de responsabilidade da AES. O argumento da estatal, contestado pela empresa americana, é que sua participação na sociedade não é financeira.
A Eletrobrás teria integralizado sua parte na sociedade só com a cessão de linhas de transmissão para que, ao longo delas, a AES instalasse os cabos de fibra ótica que formam a rede de transmissão de dados da Eletronet.


Na semana passada, a 4ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio suspendeu a falência da Eletronet, sob o argumento de que, como prestadora de serviço público, ela não poderia pedir a própria falência. A suspensão foi pedida pela Lucent, credora da Eletronet.


Ontem, a mesma instância judicial declarou “prejudicado” um recurso da AES contra o arresto das ações da Eletropaulo e da Cemig, considerando que, como a falência da Eletronet havia sido suspensa, o recurso da AES perdeu o objetivo.


O BNDES e a Eletrobrás vêm negociando uma saída para que a defesa dos interesses da empresa elétrica não prejudique os do banco, já que ambos são empresas federais. O BNDES quer fechar até dezembro o acordo pelo qual passará a ser dono de metade dos principais bens da AES no Brasil.


A solução formal entre o banco e a Eletrobrás ainda não foi anunciada. A Folha apurou que os advogados da Eletrobrás estudavam até o começo da noite de ontem uma fórmula para recorrer da suspensão da falência da Eletronet, mas desistindo do arresto dos bens da AES. Sem a falência, a Eletrobrás é sujeita a ser cobrada pelos débitos da empresa de cabos.


Em julho, o BNDES havia oferecido à Justiça títulos públicos para serem postos sob custódia judicial em substituição ao arresto das ações da Eletropaulo. A proposta, que não chegou a ser apreciada pela Justiça, foi uma saída para que a cobrança dos débitos da AES pudesse prosseguir.

Compartilhe

    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *