Moreira Franco: #Rumo à Eletrobras do futuro – Folha de São Paulo

 

Análise do ILUMINA: O artigo é tão absurdo que só mesmo contestando ao longo do próprio texto em vermelho.

A Eletrobras é a empresa que tem o maior volume de negócios em eletricidade do país, com potencial de se tornar uma das maiores e mais rentáveis empresas do setor no mundo.

Errado: A Eletrobras é a empresa de energia que mais serviços prestou à sociedade brasileira e tem o potencial de ser definitivamente destruída após um longo processo de fragilização de diversos governos. A frase revela que a única preocupação desse ministro é aumentar a receita da empresa colocando em segundo plano todas as outras atividades.
 
Mas, mesmo com a eficiente gestão atual, a empresa corre o risco de ser mais uma vez capturada por interesses de grupos de privilegiados, que desejam manter regalias, financiadas por meio de elevadas tarifas de energia ou de aportes de capital da União —só em 2016, o governo injetou R$ 3 bilhões para socorrer a Eletrobras.

Errado: Como já mostramos, a Eletrobras é a que tem o menor índice de empregado por MW quando comparada a diversas empresas internacionais. http://www.ilumina.org.br/perguntas-para-o-sr-wison-ferreira-presidente-da-eletrobras/ . Quanto às “regalias”, será que o ministro está se referindo às parcerias com o setor privado? As “elevadas” tarifas podem ser consultadas nos relatórios das subsidiárias e estão na Nota Técnica no 385/2012-SER/SRG/ANEEL que, com certeza, o autor nunca leu. Tarifa média de 10 grandes usinas hidroelétricas: R$ 7,67/MWh.

A empresa está diante de uma encruzilhada: priorizar os investimentos —levando energia a mais pessoas, a preços menores— ou dar as costas aos brasileiros, cobrando altas tarifas, que atendem a um grupo de privilegiados. O aparelhamento da empresa tem causado perda de valor e de relevância. E a empresa está sem capacidade de reação. Modernizar a Eletrobras não é uma escolha; é uma necessidade.

Errado: A proposta é elevar até R$ 250/MWh o custo de usinas cotizadas que, acrescidas de muitos dispêndios não relativos às usinas, mal chegam a R$ 40/MWh. Não há como não haver aumento de tarifa, pois além desse engodo, há déficits nas contas das bandeiras tarifárias, o risco hidrológico criado a partir do modelo apoiado pelo setor privado já se aproxima de R$ 9 bilhões e indenizações que seriam desnecessárias caso não fosse a MP 579 apoiada pelo ex secretário geral do MME, Paulo Pedrosa. Como se pode perceber, há uma estratégia destruidora.

Há duas formas de salvar a empresa. Caberá à sociedade, por meio do Congresso Nacional, fazer a escolha. A primeira implica bilionários aportes da União. Opção difícil para um país com déficit de R$ 159 bilhões e que precisa de recursos para áreas como educação, saúde e segurança.

Errado: Os R$ 159 bilhões, que escondem renúncias fiscais, isenções tributárias e política econômica equivocada são o verdadeiro problema. Mesmo sob ataque de diversos governos de diversas correntes políticas, a Eletrobras pagou R$ 14 bilhões como dividendos à união. Basta consultar dados do Banco Central.

A segunda opção consiste na geração de valor, por meio da gestão da empresa, para a volta do crescimento. Estamos falando da pulverização —ou democratização— do controle entre distintos donos, mantendo o poder do governo em decisões estratégicas, com a valorização das ações que ele já detém na empresa. 

Errado: A pulverização feita dessa forma exige rentabilidade instantânea da empresa sem nenhum novo investimento. Não há como gerenciar o controle pare evitar que haja um predomínio de óticas de curto prazo.

O presidente Michel Temer encaminhou projeto de lei que vai modernizar a Eletrobras, escolhendo o caminho da eficiência e da sustentabilidade em todas as suas vertentes: social, ambiental e econômica. Optou por estancar a sangria de recursos públicos, que vão pagar prejuízos e privilégios.

Errado: Sangria de recursos públicos ocorre em todas as áreas do governo pela manutenção de privilégios mesmo sob um cenário de desastre financeiro do país.

A única forma de evitar que o trabalhador, o consumidor e o contribuinte fiquem em um eterno ciclo de pagamento de passivos é justamente anular os instrumentos que dão origem a esses passivos. Não se trata de uma discussão financeira, e sim de um compromisso com o futuro. Defendemos um debate claro e transparente: 

1. A pulverização do capital deixa a Eletrobras menos exposta à corrupção, com boa governança. As principais empresas de energia no mundo são corporações, algumas atuantes no Brasil, como Enel, Engie, Iberdrola, AES e EDP. No mundo, empresas como Apple e Coca-Cola são corporações.

Errado: A Noruega, Canadá e Estados Unidos têm empresas controladas pelo estado. Não são corporações. Basta vontade política para estabelecer contratos de gestão entre o governo e a empresa definindo claramente os limites dessa relação. Mandatos fixos para diretores e punições diferenciadas para crimes de gestão pública.

2. Diversos estudos demonstram que a modernização não implica aumentos tarifários ao consumidor.

Errado: Onde estão esses estudos? Como se escreve um artigo para tratar de algo tão importante sem nenhuma referência?

3. Democratizando o controle da empresa e estabelecendo limites à formação de blocos de controle, evitamos que outra companhia assuma o controle. Essa é a forma de garantir que a Eletrobras seguirá como uma grande empresa brasileira, independente e autônoma.

Errado: Vender ações de empresas nada tem a ver com “democratização”. Chega a ser ridículo que esse termo venha associado à desestatização! Afinal, o que é o estado para o Sr. Moreira? Um ente antidemocrático? 

4. Esse modelo valorizará o capital do governo brasileiro na empresa. A diluição do controle vai atrair investidores para financiar a retomada do crescimento da empresa e vai assegurar a energia de que o Brasil precisa para crescer. 

Errado: Pura conjetura. Basta examinar a participação da Eletrobras em investimentos majoritariamente privados para perguntar o que irá mudar? O setor privado agora não precisará do incentivo do BNDES e das parcerias minoritárias da Eletrobras?

5. Tendo sua base de capital fortalecida e com governança, a Eletrobras ganhará musculatura financeira e será capaz de atrair talentos do setor.

Errado: Pura conjetura. Ninguém é capaz de prever o que irá acontecer além do aumento de preços. Os talentos do setor sempre estiveram na Eletrobras. A política de dispensa de funcionários sem critério de expertise está doando know how ao setor privado.

6. Uma Eletrobras forte pagará mais impostos e dividendos para o governo. Isso significa mais recursos para áreas como saúde, educação e segurança. Basta ver os exemplos da Embraer e da Vale.

Errado: Quanto custa um rio para um país? A Vale, que tirou o Rio Doce até do nome, não tem nada a ver? Desde quando fabricação de aviões tem alguma semelhança com a área de energia hidroelétrica e suas externalidades?

  1. A modernização da empresa significa também recursos para o rio São Francisco. Na proposta, a bacia do São Francisco terá um montante financeiro anual superior a todos os investimentos que a Eletrobras fez em meio ambiente em 2016.

Errado: Se haverá recursos para o S. Francisco, de onde virão? A proposta é apenas um subterfúgio para comprar apoio do nordeste. A morte do S. Francisco nada tem a ver com a Eletrobras.

O setor elétrico mundial avança com o desenvolvimento das energias renováveis e da livre participação do consumidor como gestor de sua própria conta de luz. Essa revolução traz ganhos a toda a sociedade, acolhendo empresas que se prepararam para a chegada desse futuro. O Brasil não pode ficar de fora dessa revolução pela qual passa todo o mundo.

Errado: A entrada de novas renováveis no nosso singular sistema exigirá mais planejamento e mais coordenação. A privatização da Eletrobras deixará o CEPEL fora do ambiente empresarial que possibilitou o desenvolvimento da metodologia vigente no setor. O Brasil ou ficará de fora ou ficará dependente de tecnologias estrangeiras.

A modernização da gestão da Eletrobras é um dos grandes debates de 2018. Não dá para esperar mais. Essa nova Eletrobras será melhor, mais forte e mais justa socialmente. Ganha a sociedade, ganha a empresa, ganha o Brasil.

Errado: Modernização é uma palavra vazia. Se privatização significasse garantia de bons serviços públicos, os ônibus, os trens, os metrôs, as estradas não gerariam tantos problemas. Antes de privatizar é preciso aprender a privatizar. O Brasil, com ministros que escrevem artigos como esse, evidentemente não sabe.


Moreira Franco

É ministro de Minas e Energia; filiado ao MDB-RJ, foi ministro da Secretaria-Geral da Presidência (2017-2018, gestão Temer), da Aviação Civil (2013-2015, gestão Dilma) e governador do Rio (1987-1991)

 

Compartilhe

      3 comentários para “Moreira Franco: #Rumo à Eletrobras do futuro – Folha de São Paulo

    1. pietro erber
      26 de abril de 2018 at 21:12

      VALE RESSALTAR O DENODADO ESFORÇO OFICIAL PARA DESVALORIZAR O QUE QUEREM VENDER, OU PULVERIZAR, SEJA LÁ O QUE ISSO POSSA SIGNIFICAR. Ë QUASE SINÔNIMO DE ANIQUILAR. QUANTO À DEMOCRATIZAÇÃO, VAMOS DEIXAR O CONCEITO PARA OUTRA OPORTUNIDADE. VENDER O CONTRÔLE PARA MEIA DÚZIA DE GRANDES OPERADORAS NAO DEMOCRATIZA NADA. E, AO FIM E AO CABO, QUEM CONTROLARIA A EMPRESA? O DEMOS, O POVO? REUNIÃO DA DIRETORIA E DO CONSELHO VIRA PLEBISCITO?
      A PRIORIDADE É VENDER AS DISTRIBUIDORAS DEFICITÁRIAS, DEFINIR O NOVO MODELO DO SETOR ELÉTRICO E NELE O PAPEL DA ELETROBRÁS E ENTÃO DEFINIR COMO DEVERÁ SER SEU CONTROLE, PARA QUE DESEMPENHE EFICIENTEMENTE A FUNÇÃO QUE LHE FOR DEFINIDA.

    2. Olavo Cabral Ramos Filho
      27 de abril de 2018 at 11:50

      Se contei certo o Ilumina apontou 13 erros do Angorá.

      Numero terrível !!

      A turma do governo ilegítimo tem verbalizado mentiras, cinismos e erros que somam muito mais que 13.

      O Angorá não lerá . Desde os tempos em que foi governador do nosso estado, foi pego e atividades nada
      edificantes. Continua nesse caminho sem parar.

      A partir de 1o. de janeiro de 2019 ….veremos.

    3. José Antonio Feijó de Melo
      29 de abril de 2018 at 10:34

      Ministros não costumam escrever artigos. Mas este, de tamanha incompetencia e imbecilidade, deve mesmo ter sido escrito pelo angorá. Poucas vezes se tem visto tantas mentiras e bobagens juntas num texto.

    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *