Notícias enviesadas

Roberto Pereira D’Araujo

O Brasil vive um período de destruição do que foi construído no passado. As políticas suicidas, a corrupção e o desmonte financeiro do estado praticados nos últimos 20 anos precisam mesmo ser anulados.

Entretanto, a forma como a grande mídia trata a questão leva a sociedade pensar que só há um método para solucionar o problema, a alienação de tudo o que foi construído na história brasileira.

Vejam, por exemplo, a forma rasa de como se noticia a lista das “estatais” brasileiras na reportagem abaixo.

https://g1.globo.com/economia/noticia/2019/06/07/governo-federal-tem-atualmente-134-estatais-veja-lista.ghtml

Uma longa tabela de nomes e siglas é publicada sem explicar o que são. No caso da Eletrobras, a maior parte da lista se refere a parcerias que a estatal foi obrigada a entrar, dada a falta de interesse do capital privado assumir sozinho esses empreendimentos.

Como já publicamos aqui, empréstimos do BNDES não foram suficientes. Foi também necessária a participação da Eletrobras, em muitos casos cedendo sua estrutura para parceiros que não dispõem de praticamente nenhuma.

Na realidade, a Eletrobras tem 4 subsidiárias: CHESF –Eletronorte – Furnas – Eletrosul.

As empresas Eletronuclear, Termobahia, Termomacaé Comercializadora, Termomacaé, CGTEE – foram sendo “empurradas” sobre a Eletrobras para solução de problemas que nunca foram originados na sua estrutura. Muito conveniente não explicar nada.

Ligado à Eletropar, participações da Eletrobras, está a enorme lista de siglas e nomes sem definição do que sejam. Assim, para quem lê, só fica a impressão absurda que o Brasil tem estatais demais.

Na realidade,

Arara Azul, AmGT, Bentevi, Brasil Ventos, Breitener, Breitener Jaraqui, Breitener Tambaqui, BSE, EDV IX, EDV V, EDV VI, EDV VII, EDV VIII, Eólica Chuí IX, Eólica Hermenegildo I,Eólica Hermenegildo II, Eólica Hermenegildo III, Fote, Mangue Seco 2, Ouro Verde I, Ouro Verde II, Ouro Verde III, TGO, TSBE TSLE, Ventos de Angelim, Ventos de Santa Rosa, Ventos de Uirapuru

São empreendimentos onde o setor privado não teve capacidade e iniciativa para assumir sozinho e com seu próprio capital essas obras. Ou seja, na notícia, a enorme lista de “estatais” é composta de empresas sob domínio privado.

O ápice do festival de sandices brasileiras foi a decisão do Supremo Tribunal Federal em liberar a venda das subsidiárias sem aprovação do congresso. No caso da Eletrobras, talvez por ignorância, aprovou-se a venda das usinas hidroelétricas de Furnas, Eletronorte e Chesf. Vende-se a geografia! Já a sede da Eletrobras, com suas mesas, cadeiras e armários, essas só com aprovação do congresso.

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      1 comentário para “Notícias enviesadas

    1. Carlos
      8 de junho de 2019 at 15:21

      Exatamente, prof. Roberto. É incrível como apostam na desinformação para cumprir a agenda de destruição das empresas brasileiras. O presidente ainda diz que foi uma decisão patriótica. O ministro diz que as tarifas de energia elétrica vão baixar. Que os preços que pagamos para o gás e a gasolina também vão baixar.

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