O real investimento privado

Roberto Pereira D´Araujo

Os dados abaixo deveriam constar de uma tabela fácil de ser acessada na página da ANEEL. Mas, no Brasil, discute-se privatização sem sequer termos uma agência reguladora que, no mínimo, disponibilize dados essenciais. A tabela abaixo foi obtida através da Wikipedia e de checagens nos sites das usinas citadas.

De usinas listadas abaixo, que somam 109.530 MW,

  • 54% dessa potência ainda é puramente investimento estatal,
  • 38% foi comprado de usinas já existentes estatais ou construídas com parceria de estatais.
  • Apenas 8% foi originado de investimento privado na origem.

Certamente podemos afirmar que 92% da potência hidroelétrica apresentada não existiria sem investimento estatal.

Para um país que anuncia investimento privado (sob várias formas) há 26 anos, o capital privado mostra uma independência muito contestável. Mesmo assim, com cidadãos ainda acreditando que a elevação da tarifa é culpa da Eletrobras e desprezando essa realidade, vamos continuar a enganar os brasileiros.

Usinas ainda estatais (59.084 MW)

Usinas privadas compradas prontas ou construídas com parceria estatal (41. 923 MW)

Usinas Privadas na Origem (8.523 MW)

  3 comentários para “O real investimento privado

  1. MAILSON DA SILVA NETO
    27 de julho de 2021 at 12:03

    Parabéns Roberto, essa informação é uma tapa com luva de pelica naqueles que advogam a supremacia dos investimos privados.
    Se o Brasil esperasse pelo setor privado estaríamos num profundo atraso e sem quaisquer desenvolvimento tecnológico na área.
    Temos que lutar para defender a Eletrobrás e se for caso retomar as hidrelétricas vendidas na bacia das almas. O Brasil precisa usar a energia barata desses usinas para alavancar a sua economia, assim como fez a China com a sua mão de obra barata na década de 70.

  2. Sérgio
    1 de agosto de 2021 at 12:46

    Como diz aquele ditado: “investimento bom é aquele que está pronto”.

    Típico do nosso Capitalismo a Brasileira, sem risco!!

  3. Silvio Santana
    24 de agosto de 2021 at 10:48

    Certamente não haveria como fazer hidrelétricas privadas uma vez que não se consegue liberação ambiental a não ser por propina ou QI (quem indica).
    Certamente iria dar muita diferença no custo das obras uma vez que as obras públicas são 10x mais dispendiosas, o que fica evidente corrupção, chamando atenção para obras já construídas e também para as futuras.
    Certamente a ligação dessa hidrelétrica ao sistema nacional acarretaria um prazo de pelo menos 10 anos uma vez que uma ligação classe”A” leva em média 1 ano para ser ligada.
    Assim sendo quem produz no Brasil não tem valor, a não ser para pagar muito imposto e então acabamos comprando da china dando emprego aos chineses em detrimento dos milhões de trabalhadores brasileiros que poderiam estar no mercado simplesmente diminuindo a carga tributária nacional.

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