Parece que a imprensa está acordando! Finalmente alguem denuncia o absurdo técnico do programa de termoelétricas, além do ILUMINA! Diz a reportagem "O Ministro ao perceber a demanda extra or ene …




Parece que a imprensa está acordando! Finalmente alguem denuncia o absurdo técnico do programa de termoelétricas, além do ILUMINA!


Diz a reportagem "O Ministro ao perceber a demanda extra or energia…" Caramba! Que percepção aguçada! Não fosse o ministro nem notariamos o aumento da demanda! Só gostariamos de saber qual o critério que define se a demanda é extra….


JB 24/7/2000



Energia elétrica 30% mais cara


Para afastar risco de blecaute, governo teve que elaborar plano de emergência com usinas termelétricas menos eficientes


MAIR PENA NETO


Foto de Armando Favaro


As dez primeiras usinas do Programa Prioritário de Termelétricas, que terão de entrar em funcionamento até o fim de 2001, gerando dois mil MW para atender à demanda de energia no país, vão operar em ciclo aberto, o que reduz a eficiência e aumenta o custo de geração. Desses dez empreendimentos, nove têm a participação da Petrobras, que entrou no programa como indutora do processo e vendedora do gás natural, por intermédio da Gaspetro.


Operar em ciclo aberto significa ter uma turbina a gás sem o processo de recuperação de calor. No ciclo fechado, que será adotado em todas as demais usinas a gás do programa prioritário, o vapor aquecido é aproveitado. Isso significa que uma usina operando em ciclo aberto vai consumir mais combustível para gerar determinada potência que as de ciclo fechado conseguem comprando menor quantidade de gás. "A eficiência cai", reconhece o presidente da Gaspetro, Luiz Rodolfo Landim. "O consumo de gás será 30% a 40% maior", estima.


Esta foi a forma encontrada para agilizar a colocação desta energia no mercado e iniciar o processo de construção de termelétricas, que vem enfrentando muitos obstáculos, principalmente em relação aos financiamentos. Os nove empreendimentos emergenciais nos quais a Petrobras está envolvida exigem investimentos de US$ 1,5 bilhão, que serão garantidos pelos próprios sócios. "Vamos iniciar os projetos sem garantia de que os bancos irão financiá-los", afirmou Landim, ressaltando que todos trabalham para ter um project finance ao longo da construção das usinas.


O Programa Prioritário de Termelétricas prevê a construção de 49 usinas, todas com sociedades acertadas. Mas, excluindo as dez emergenciais, a maioria ainda não fechou seus projetos de financiamento. Um dos principais problemas é o risco cambial que envolve o preço do gás, em dólar, e as tarifas a serem cobradas, em real. A Petrobras assumiu a variação do preço do gás por um ano, fixando-o em US$ 2,475 por milhão de BTU (padrão mundial de unidade de energia), mas o risco cambial continua sendo discutido. "Existem alternativas em debate. A Petrobras pode assumir integralmente o risco cambial, pode haver repasse direto ao consumidor ou contrato a futuro para se precaver das variações", disse o presidente da Gaspetro.


A Petrobras participa de 29 termelétricas do programa prioritário, com capital variando de 20% a 49%. Hoje, a empresa tem pré-contrato de fornecimento de gás com 26 termelétricas, que consumiriam 46 milhões de metros cúbicos por dia, gerando dez mil MW de potência. Até sexta-feira da semana que vem, a Gaspetro espera chegar a 33 pré-contratos de fornecimento de gás.



As críticas ao modelo


Em períodos de chuva regular, quando os reservatórios das usinas hidrelétricas estiverem cheios, as termelétricas programadas pelo governo vão elevar o preço da energia e obrigar as hidrelétricas a abrir suas comportas para verter o excedente de água.


"Como as termelétricas vão operar com um fator de carga elevado, elas não vão parar de produzir energia, que precisa ser comprada. A energia excedente será a das hidrelétricas, que precisarão jogar água fora", prevê o professor Edmilson Moutinho dos Santos, do Instituto de Eletrotécnica e Energia da USP, uma das autoridades no assunto no Brasil.


Outro agravante nos períodos hidrologicamente favoráveis será o preço da energia. O custo da energia termelétrica está em torno de US$ 35 o MW/h, enquanto a energia hidrelétrica mais cara, como a de Itaipu, está em US$ 31. Nas usinas de Furnas, já amortizadas, o custo de geração é ainda mais baixo. Os próprios empreendedores das termelétricas temem a concorrência de fontes mais baratas, o que também vem atrasando o programa do governo.


Ao perceber a demanda extra por energia, o Ministério das Minas e Energia partiu da necessidade de aumentar a oferta de geração em curto prazo para lançar um programa de 49 usinas termelétricas, que irão gerar 15 mil MW em quatro anos. Segundo o professor da USP, a velocidade que o governo quer dar ao programa de termelétricas é um fato negativo, e o modelo de turbinas a gás de grande porte operando em ciclo combinado – padrão eleito pela maioria dos investidores do programa prioritário – não permite agilidade. "A turbina a gás em si é ótima, porque pode trabalhar nas horas de pico, já que é ligada em três minutos. Mas o modelo escolhido pelo governo tem um ciclo a vapor com a mesma inércia de outras usinas".


Isso significa que as termelétricas a gás natural terão que operar com fator de carga de 70%, tanto para funcionar bem, quanto para pagar os investimentos elevados em sua construção. "As poucas térmicas existentes no Brasil operaram bastante nos últimos dois anos, mas o fator de carga foi de 30%, mesmo com falta de água", diz o professor.


Edmilson Moutinho dos Santos não é contrário às termelétricas, mas acha que o governo está errando no tempo do projeto. "O paradoxo está na aceleração do processo. O mercado não absorve a energia de 49 termelétricas em três anos. Por isso o investidor externo não está levando as usinas adiante. Ele sabe dos riscos", avalia.


O programa, entretanto, foi elaborado para não deixar o país às escuras quando a economia estiver crescendo a um ritmo de 4% ao ano, como o projetado para o próximo triênio. Ao elevar o patamar de produção, as indústrias consomem mais energia. Sem uma nova fonte para ofertar, a base energética atual não consegue suprir tal crescimento, segundo projeções do Operador Nacional do Sistema (ONS) – empresa privada responsável pelo controle do sistema elétrico.










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