Parede impenetrável: má fé ou ideologia?

A entrevista do ministro do apagão, economista Pedro Parente, n´O GLOBO de 15 de julho, pode causar irritação e repulsa. Nos anos da ditadura militar esse estado de espirito, causado pelos hábitos e comportamentos dos que detinham o poder na ocasião, nos levavam a algo muito mais angustiante: sentimento de pasmo e impotência. Hoje a sociedade repete. Ai conseguimos avançar razoavelmente: com menos impotência.


Acima do ministro, que é simplesmente alinhado, o presidente da República discursou com ênfase:
” Avançamos, mas não avançamos o suficiente na privatização do setor energético, porque o setor político se opôs, e o governo não teve a força suficiente para dar os passos necessários. Não avançamos o suficiente. E agora os mais incautos ainda pensam que a crise de energia é porque houve privatização. Não houve privatização do setor gerador praticamente nenhuma e a crise está aí.”


Pasmemo-nos, o que não seria inédito em Pindorama nos 464 anos antes da ditadura militar. Não importa o diagnóstico da absoluta maioria da entidades do movimento social e dos cidadãos, sobre as causas verdadeiras da crise elétrica. O presidente e a ekipeconômica ponteiam com a permanente arrogância. Os caminhos estão decididos e, definitivamente, nunca foram equivocados, avançaremos mais ainda. Para tal vale a mentira contínua – que alguns maravilham-se como a suprema sofisticação de presente e futuros pretensos estadistas – sobre pluviometrias inéditas e sobre todo o mais.


Parede aética impenetrável ; exarcebados hábitos totalitários de pensamento e de ação ; degradação da linguagem que sempre é acompanhada pela decadência da política (e vice-versa) ; má fé ideológica ; ideologia da má fé.


Olavo Cabral Ramos Filho

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