Política ou outra política?


Dispensar uma pessoa da respeitabilidade do Dr. Pinguelli do já combalido setor elétrico é lamentável. O ILUMINA vê com muita preocupação esse episódio, pois, mais do que um rearranjo político, pode ser um redirecionamento de uma política, o que é muito grave. Examinando o panorama do que ocorreu nesse setor nos últimos tempos, cujas consequências estaremos pagando por muitos anos, não se pode entender que racionalidade poderia justificartal substituição. Perde o posto logo um dos principaisdenunciantes das políticas que não serviram ao interesse da sociedade brasileira nos últimos 10 anos.Foi em nome dessa denúncia e da proposta de mudança que seelegeu o governo Lula.



Pinguelli deixa a Eletrobrás



Presidente da Eletronorte, indicado pelo PMDB, deverá assumir a presidência da estatal



Claudio de Souza



Arquivo JB




O presidente da Eletrobrás, “” />Luiz Pinguelli Rosa, confirmou ontem que está deixando o cargo. Há meses, vinham ocorrendo especulações sobre sua saída para dar lugar a um nome ligado ao PMDB para que o partido se mantivesse na base aliada do governo. Segundo Pinguelli, a ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff, e o chefe da Casa Civil, José Dirceu, o informaram de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pedira seu cargo.


– Os dois falaram que o presidente precisou do cargo por causa de negociações que estão em curso para a composição da base do governo.



Pinguelli afirmou não saber quem irá substituí-lo, mas fontes ligadas ao governo dizem que o novo presidente da Eletrobrás deverá ser o atual presidente da Eletronorte (uma das subsidiárias da Eletrobrás), Silas Rondeau, que seria indicação do presidente do Senado, José Sarney (PMDB).



Ao que tudo indica, a demissão de Pinguelli foi decidida quinta-feira em uma reunião do governo com representantes do PMDB, que cobravam cargos para continuar com o apoio no Congresso. Neste encontro, o presidente teria dito, segundo parlamentares presentes, que gostava muito de Pinguelli, mas que ele não dava nenhum voto no Senado.



– Não tenho votos no Senado, mas tenho bastante na área acadêmica – respondeu ontem o físico.



Pinguelli disse que voltará a dar aulas na Coordenação de Programas de Pós-graduação em Engenharia (Coppe) da UFRJ, onde é professor. Ele contou que sua saída da empresa começou a ser desenhada em janeiro, quando a diretoria financeira da estatal ficou vaga e Pinguelli quis escolher o substituto.



Pinguelli indicou um técnico para a área , mas o governo propôs uma indicação política. Diante do impasse, até hoje o cargo está vago e ocupado interinamente pelo diretor de projetos especiais da empresa, José Drummond Saraiva. De acordo com Pinguelli, seria melhor para a empresa que Drummond continuasse à frente da diretoria financeira do que haver nova indicação política para o cargo.



Pinguelli contou que durante a reforma ministerial, chegou a ser oferecido a um cargo no Ministério de Reforma Universitária, cuja criação estava em estudo pelo governo. Ele recusou o convite e o ministério acabou não existindo.



Em Brasília, a ministra Dilma Roussef, em Brasília, não quis comentar a mudança na estatal. O analista da consultoria Tendências, Sérgio Conti, lembrou que a Eletrobrás sempre foi usada em negociações políticas.



– A Eletrobrás sempre foi utilizada como moeda de troca, mais do que outras estatais, como a Petrobras – avaliou Conti.



A Eletrobrás controla as três maiores geradoras de energia do país (Furnas, Chesf e Eletronorte) e tem um orçamento de R$ 4,9 bilhões para 2004.



Ontem, as ações ordinárias da Eletrobrás (ON, com direito a voto) caíram 3,1% e as preferenciais (PNB), de maior liquidez, recuaram 0,6%. Analistas de mercado consideram, no entanto, que a queda não estava relacionada diretamente à demissão de Pinguelli, mas acompanhavam a desvalorização generalizada dos papéis do setor de energia elétrica.



O presidente da Eletrobrás disse ainda que vai continuar no cargo até que a nomeação de seu substituto seja aprovada em assembléia de acionistas da empresa. Na semana que vem, Pinguelli ainda representará a Eletrobrás em viagem aos Estados Unidos. Pinguelli participou da elaboração o novo modelo do setor elétrico e foi um dos colaboradores para as propostas de governo para o setor elétrico, durante a campanha de Lula.


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