Presidente de Furnas defende privatização da empresa – Globo

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Análise do ILUMINA: Apesar de não existir essa “modernidade” da privatização das empresas de energia no mundo, o Brasil retorna a essa já experimentada receita da década de 90, quando o estado brasileiro liquidou mais de 80 estatais e saiu com o dobro de endividamento público.

O ILUMINA, repetidamente, toca em alguns pontos que parecem estar sempre fora das considerações:

  • Vinte importantes países mantêm empresas públicas na energia. Dentre os 10 países líderes na energia hidroelétrica, nenhum tem seu setor elétrico totalmente privado. O Brasil será o ponto fora da curva.
  • Desde a adoção de privatização e mercantilização da eletricidade brasileira, a tarifa média dobrou de valor real.
  • O setor elétrico já é majoritariamente privado em todas as etapas e, se hoje a energia brasileira está entre as mais caras do mundo, culpar as estatais é não entender o que realmente aconteceu.
  • O ambiente mercantil do setor está longe de poder ser classificado como funcional e livre de conflitos, dado o elevado nível de judicialização.
  • Se Furnas reduziu sua “eficiência”, foi por ter sido usada para “ajudar” o setor privado, pois nem os empréstimos subsidiados do BNDES foram suficientes para convencer os “pujantes” investidores privados a exercer seu papel.
  • A frustrada intervenção tarifária do governo Dilma puniu as empresas do grupo Eletrobras com tarifas irrisórias e liberou o setor privado de um diagnóstico concreto sobre a elevação de preços. A primeira atitude do cenário privatista será a elevação do preço dessas usinas, confirmando a bizarra tese de que, no Brasil, se há prejuízo, ele é reservado para empresas públicas.
  • Não se trata de demonizar a privatização. Trata-se de reconhecer que o país ainda não desenvolveu mecanismos para garantir o interesse público em atividades estratégicas exploradas pelo setor privado. Haja vista o fato de que o estado brasileiro tem participação minoritária na Vale e foi incapaz de evitar os desastres de Mariana e Brumadinho.
  • A partir da análise de dados concretos recentes, é impossível acreditar que o problema fiscal do estado e a garantia de investimento estará resolvida.
  • Se o estado brasileiro tem defeitos insanáveis, a ponto de não poder ter empresas públicas, esses pecados se manifestam em muitas outras instituições , não apenas nas empresas. Portanto, vender estatais é como vender o martelo que, em mãos erradas e impunes, mata pessoas.

Como se pode notar na reportagem abaixo, os argumentos não causaram nenhuma mudança. A estratégia ainda parece ser a de reduzir o tamanho da empresa, como se ela fosse a culpada pela ineficiência do modelo vigente, incompleto, caro e arriscado.


Bruno Rosa

O presidente de Furnas, Luiz Carlos Ciocchi, defendeu a privatização do setor elétrico no país. Em sua opinião, o Estado não precisa ter o controle do capital das empresas no setor.  O executivo lembrou ainda que Furnas, uma subsidiária da Eletrobras e dona de 21 usinas hidrelétricas, vai se desfazer de empresas (Sociedades de Propósito Específicos, as SPEs) que não estão dando retorno financeiro.

— Mesmo considerando o caráter estratégico do setor elétrico e as dimensões continentais do país, eu não vejo porque o Estado tem que ser o controlador no capital. Ele pode ser o controlador por meio de mecanismos de voto e veto. Funciona bem em vários negócios – disse Ciochhi, que está há três meses no comando da empresa. — Hoje, com o mecanismo dos leilões, as questões estratégicas e de controle já estão mapeadas. No caso de uma necessidade identificada que não atraiu interessados em leilão, entra o papel do Estado, que, sem precisar ter uma empresa, pode licitar ou fazer uma PPP (parceria público privado).

Para aumentar a receita da companhia, Furnas vem implementando uma série de iniciativas para reduzir os custos, como a venda de parte das 24 SPEs, avaliou o executivo:

— É importante olhar principalmente para as SPEs, revendo quais são as participações que não estão dando retorno desejado e avaliar novas oportunidades. Algumas são estratégicas e dão retorno. Nesse caso, queremos manter ou ampliar nossa participação. As demais que não se encaixam neste perfil serão vendidas.

A companhia vai investir  R$ 1,4 bilhão em geração e transmissão de energia em 2020. Segundo Ciocchi, o objetivo é ampliar investimentos na geração de energia eólica e solar. É o mesmo patamar de investimento deste ano.

— Ano que vem, Furnas manterá o total de investimento a ser executado este ano, mas ampliará o investimento corporativo e investirá menos em Sociedades de Propósito Específico (SPEs) — desstacou Ciocchi.

Segundo o presidente de Furnas, a decisão de mudar a sede da companhia, de Botafogo para o Centro do Rio, foi motivada pela política de racionalização de custos e despesas da empresa.— Isso resultará na redução de mais de 50% dos gastos com aluguel e serviços. Atualmente 1.500 colaboradores trabalham na sede. Resistência à mudança sempre existe —destacou ele.

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