Privatizar, o Brasil não sabe fazer…

O Ilumina mostra, no vídeo abaixo, dados que contestam a visão de que a privatização de algumas atividades estatais tenha proporcionado os benefícios que o atual governo proclama ao propor um novo período de desestatizações. 

É preciso reconhecer que processos de privatização envolvem muitas políticas públicas que sequer foram estudadas no Brasil. Entre essas, o caso da Eletrobras chama a atenção, tal o nível de desinformação usado para justificar sua venda. A estatal tem, até hoje, sob sua responsabilidade políticas públicas e casos especiais, tais como Itaipu e Nucleares que não se encaixam em nenhum procedimento puramente financeiro.

Privatizar não pode se limitar a simples venda de ativos. Países com sistemas semelhantes jamais privatizaram totalmente seu setor. O Brasil tem muito mais razões para não fazê-lo.

 

 

  3 comentários para “Privatizar, o Brasil não sabe fazer…

  1. Nelson
    18 de agosto de 2020 at 0:31

    Parabéns ao ilumina. Excelente o vídeo. Vou divulgá-lo a quantos puder, para o máximo de pessoas possível. É pena, porém, que a grande maioria das pessoas “não dá bola”.

    Incrivelmente, temos, no Brasil, uma montoeira de pessoas capazes de, por exemplo, se enfurecer com os salários pagos aos funcionários públicos. Ainda que alguns salários sejam realmente muito exagerados e mereçam ajustes, os da grande maioria do funcionalismo, no entanto, não passam de salários normais e mesmo que não aparentem isso, estão, na verdade, abaixo do que deveriam valer.

    Um enfurecimento irracional que faz com que essas pessoas reajam, indignadas, afirmando que o salário do funcionalismo público é pago com os impostos que o governo lhes cobra. O que não deixa de ser verdade, em parte, pelo menos.

    Porém, quando governos como os de FHC, MiShell Temer, Jair Bolsonaro – até mesmo os do PT andaram fazendo isso – entregam nossas riquezas a preço vil, para dizer o menos, essas mesmas pessoas, que se enfureceram com os salários pagos a funcionários públicos, não demonstram o mínimo interesse.

    Como se tais riquezas não fossem delas também ou não tivessem sido criadas com os impostos por elas pagos. Como se a privatização não fosse “arder” nelas dali a pouco.

    Eu só discordo do título do vídeo “O Brasil não sabe fazer”.

    Primeiro. Porque, na minha visão as privatizações nunca tiveram o fim de garantir o que a propaganda prometia: oferecer ao povo produtos e serviços de melhor qualidade a preços e tarifas menores. O objetivo, nunca confessado, sempre foi o de abrir espaços para que o grande capital pudesse amealhar mais lucros.

    Premido em sua capacidade de ampliar lucros no setor de produção de mercadorias, devido à crise insolúvel em que se meteu o capitalismo, crise que é fruto da própria lógica do sistema, o grande capital passou a se assenhorear dos espaços públicos/estatais para recuperar sua taxa de ganhos. Passou a enxergar o setor de serviços e os que ainda estavam sob posse pública como a “salvação da lavoura”, a “válvula de escape” que garantirá sua sobrevivência por mais algumas décadas.

    É claro que a sobrevivência do grande capital se fará com desgraças sempre maiores para a grande maioria da população do planeta. E os dados mostram isso de forma contundente. Depois de mais de 40 anos de privatizações – talvez o principal componente do ideário neoliberal para a economia – o que temos no mundo é uma desigualdade abismal: 1% da humanidade já detém uma riqueza maior que os restantes 99%. Algo extremamente absurdo sob qualquer viés que se possa olhar.

    Segundo. Porque creio que não é questão de saber ou não saber fazer. No mundo inteiro – em países nos quais as coisas funcionam, como se costuma dizer, onde acreditamos que saibam fazer as coisas de forma mais adequada, Alemanha, França, Inglaterra, etc, vemos centenas e centenas de privatizações sendo revertidas e os setores ou serviços a serem reestatizados.

    Qual o motivo? Depois de caírem no conto neoliberal, os povos desses países passaram a notar que o tempo passava e o prometido pelos privatistas não se concretizava. Até que esses povos se convenceram de que não havia como a promessa ser cumprida.

    A meu ver, se levarmos em conta todas as variáveis envolvidas, não há milagre que faça com que uma empresa privada consiga oferecer um determinado serviço a preço mais justo e com melhor qualidade que uma empresa pública. A explicação tem a ver com a finalidade de uma empresa pública e a prioridade de uma empresa privada. E nem a mais rígida agência regulatória ou o mais rígido controle governamental vai conseguir mudar isso.

    Estou aqui a defender a estatização de tudo? Não. Só estou afirmando que, para o bem da esmagadora maioria da população de um país, inclusive para a grande maioria do empresariado privado, empresariado capitalista, que é formada de micro, pequenos e médios, há setores que têm que ser públicos.

    A entrega dos mesmos em mãos privadas só vai onerar o custo de vida das pessoas e o custo das empresas enquanto gera lucros fabulosos para uma ínfima minoria que não chega a comportar perto de 1% da população. O que só vai turbinar ainda mais os dados escandalosos da desigualdade mundial que citei acima.

    • Roberto D'Araujo
      18 de agosto de 2020 at 9:59

      Nelson

      Agradeço seu comentário e concordo com todos os aspectos que você lembra. Só chamo a atenção de que políticas simples poderiam ser adotadas para garantir pelo menos o comprometimento do capital privado com o futuro. Por exemplo: Quer comprar uma usina ou uma linha pronta, funcionando e faturando? O contrato de concessão amarra duas coisas: A usina pronta e uma outra no futuro. Análise de viabilidade realizada e firmada em contrato. Por acaso não cumpriu o contrato sem uma justificativa bem fundamentada? Perde a concessão da usina pronta. O grande problema nas privatizações de países como o Brasil é o fato de que precisamos cada vez mais energia e que os sucessivos governos acreditam num “coelhinho da pascoa” do capital privado.

  2. Nelson
    18 de agosto de 2020 at 0:50

    Há pouco, eu lia uma matéria publicada ontem que dá conta de que o governo de Jair Bolsonaro “vendeu”, por R$ 500 milhões, um parque eólico localizado aqui no sul do meu Rio Grande. Detalhe: segundo a matéria, a Eletrobrás investiu R$ 3,71 bilhões na construção do parque.

    Tal como aconteceu com inúmeras outras privatizações. Na construção da empresa, o investimento foi socializado. Tirou-se dinheiro de milhões e milhões de brasileiros por meio dos impostos para a construção do parque. Agora, depois de consolidado o empreendimento, entrega-se-o para um grande grupo privado por menos de 1/5 do que nele foi investido.

    Para mim, isso nada tem a ver com não saber fazer. Tem a ver com safadeza, com má fé mesmo. Tem a ver com pilhagem, com rapinagem. Tem a ver com butim. Quem fez esse negócio, assim como nas privatizações de FHC e de Temer, o fez sabendo muito bem o que estava a fazer.

    Eu costumo fazer uma analogia com os filmes de piratas. Nesses filmes, os piratas assaltam um navio, roubam suas riquezas e logo escapolem para seu esconderijo. Lá, em meio a muito rum, eles sentam-se para repartir o butim. Essa riqueza vai para o fulano, aquela para o sicrano, a outra para o beltrano e assim sucessivamente. Aglo muito parecido, se não idêntico, foi feito nos governos FHC e Temer. Assaltaram o poder e agora estão a repartir o butim entre eles. Esta estatal vai para o fulano, aquela reserva de água vai para o beltrano, o campo de petróleo tal vai para o sicrano, etc, etc.

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