Redução da conta de luz deixou rombo de R$ 4,5 bi para Petrobras – Folha de SP

A redução da conta de luz promovida pelo governo Dilma prejudicou as contas a Petrobras quase tanto quanto a corrupção. A estatal foi obrigada a reconhecer no seu balanço que pode não receber R$ 4,5 bilhões devidos pelo setor elétrico.

Comentário: Um elefante numa loja de louças não tem a intenção de quebrar nada, mas, o seu tamanho e o modo como se move, tornam sua passagem um desastre.

Pode parecer um exagero, mas a analogia é perfeita. Redução na conte de luz advinda de amortização de investimentos é sempre possível. Fizemos isso durante vários anos até 1995, quando o Brasil, apesar de ter um sistema físico radicalmente distinto, resolveu “imitar” o sistema inglês. Até esse momento, o elefante não tinha entrado em cena…talvez os análogos do reino animal sejam os macacos e os papagaios.

A partir de 2003, começa o reinado do desastrado elefante, pois, ao contrário do prometido na campanha e a partir da experiência do racionamento, começa o tempo do “não é assim que se faz”.  Entendam como se quebram as louças:

  1. O modelo brasileiro, que era regido pelo injustamente criticado custo do serviço, mudou para o injustamente endeusado sistema de mercado. Portanto, o que se praticou desde 2003 foi um conjunto de PREÇOS de energia. Não há sentido algum em se falar de tarifa de geração, uma vez que mesmo as estatais tinham PREÇOS determinados por leilões.
  2. Mas ai o elefante resolve olhar para trás e, em 2012, lembra que o sistema já foi regido por custo. Nessa virada, copos, taças, pratos e jarras se espatifam, porque, ao invés de olhar o que está contabilizado, resolve usar uma matemática contestável para dizer qual é o custo e a amortização.
  3. Num sistema de mercado, onde predominam PREÇOS, o elefante inventa TARIFAS. Pior! Tarifas por usina, coisa que não existe em nenhum lugar do planeta.
  4. Pior, em relação aos preços então vigentes, a tarifa das usinas passa a ser 93% mais baixa. Nem assim, a tarifa para o consumidor se reduz.
  5. Nessa manobra, a Eletrobrás, uma louça já fragilizada pelas maldades anteriores, leva um tombo de 70% do seu valor.
  6. A CDE, uma conta de subsídios criada no período dos macacos e papagaios, é retirada da responsabilidade dos consumidores pelo elefante. Era administrada pela Eletrobras, bizarrice sem sentido, mas, como seria para pagar a geração térmica da região norte, pega a Eletrobras sem um tostão.
  7. A Eletrobras, já super fragilizada, despenca sobre a louça Petrobras. Essa, com seus próprios elefantes, faz uma barulheira danada e o quebra-quebra da Eletrobras não é nem percebido.

E assim, a loja de louças, vira um monte de cacos de vidro onde trafegam, descalços, adivinhem quem? Os …..consumidores

 


RAQUEL LANDIM

SAMANTHA LIMA

A redução da conta de luz promovida pelo governo Dilma prejudicou as contas a Petrobras quase tanto quanto a corrupção. A estatal foi obrigada a reconhecer no seu balanço que pode não receber R$ 4,5 bilhões devidos pelo setor elétrico.

A perda –equivalente a 70% dos R$ 6,2 bilhões desviados segundo a Operação Lava Jato é uma das responsáveis pelo prejuízo da empresa no ano passado, o primeiro desde 1991.

A Petrobras fornece óleo e gás para que as usinas termelétricas da Eletrobras abasteçam o Norte do país. Depois das mudanças feitas por Dilma no setor elétrico, a Eletrobras ficou sem dinheiro para pagar a Petrobras.

Petrobras e Eletrobras não deram entrevista.

Nas notas explicativas do balanço divulgado na quarta-feira (22), a Petrobras diz que tem a receber R$ 12,8 bilhões das empresas do setor elétrico –R$ 7,9 bilhão da Eletrobras, R$ 3,8 bilhões da Cigás (distribuidora de gás do Amazonas) e R$ 1,1 bilhão de produtores independentes.

A Cigás informou à reportagem que atua só como distribuidora do gás, que é consumido pela Eletrobras Amazonas. Para a Cigás, essa dívida também é da Eletrobras.

Assim, a dívida da Eletrobras com a Petrobras sobe para R$ 11,7 bilhões, acima dos R$ 8,6 bilhões que a estatal do setor elétrico se comprometeu a pagar para a petroleira no fim do ano passado.

Segundo apurou a Folha, a Petrobras está pleiteando receber os R$ 4,5 bilhões restantes da Eletrobras e das demais empresas envolvidas, mas teve que fazer a provisão de perda porque parte do débito já está vencido.

A origem do problema está nos subsídios que a Eletrobras recebe para não onerar os consumidores da região Norte, que são abastecidos com energia mais cara das termelétricas.

Em 2013, ao reduzir o preço da energia, Dilma decidiu que esse subsídio não seria mais cobrado dos brasileiros na conta de luz, mas pago pelo Tesouro. Não deu certo.

 

O Tesouro ficou sem recursos e interrompeu os repasses para a Eletrobras, que, por sua vez, não pagou a Petrobras. A petroleira não poderia cortar o fornecimento de gás e óleo, porque deixaria o norte do país às escuras.

Em novembro do ano passado, o governo reajustou as tarifas de energia e transferiu a responsabilidade novamente para os consumidores.

Com a medida, a Petrobras diz no balanço que espera que a situação se normalize a partir deste mês.

 

  1 comentário para “Redução da conta de luz deixou rombo de R$ 4,5 bi para Petrobras – Folha de SP

  1. José Antonio Feijó de Melo
    25 de abril de 2015 at 23:23

    A matéria deveria ter sido mais precisa. O valor citado não pode ser considerado como perda pela Petrobras. Trata-se de um crédito perfeitamente regular, que mesmo eventualmente vencido é reconhecido pelo devedor que em momento oportuno certamente fará a sua liquidação, de uma forma ou de outro. É portanto um ativo realizável com segurança.
    Por outro lado, vale a pena citar aqui a verdadeira causa do problema, originado em um aspecto da MP 579 que parece passou despercebido por muitos, não por mim, que na época, em documento publicado no site do ILUMINA, alertei para o fato. Refiro-me à extinção da chamada CCC, o encargo cobrado nas contas que justamente viabilizava os recursos para o subsídio ao combustível para os sistemas isolados do Norte. Ocorre que no afã de “reduzir” a tarifa, a MP extinguiu a cobrança da CCC mas não extinguiu o subsídio, que pela MP passaria a ser coberto pelo “panelão” da CDE. Certamente os sábios “assessores” da PresidentA não contavam com o buraco resultante da exposição das distribuidoras e da necessidade de despacho de todo o parque térmico, que engoliu toda a CDE, empréstimos e mais empréstimos. Haja CDE para tudo isto.
    Agora, valeria perguntar: “Com que cara estão olhando para a PresidentA todos aqueles assessores que recomendaram a edição da MP 579?”

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