Represas em níveis baixos elevam custo da energia – Estadão

Análise do ILUMINA:

Os especialistas entrevistados na reportagem, todos representantes de interesses comercias, quando opinam sobre a grave situação atual, omitem informações.

Por exemplo, o presidente da Comerc (Cristopher Vlavianos), omite duas informações cruciais:

  • A indústria do mercado livre, que ele diz estar sofrendo, se aproveitou de anos de energia barata, como mostra o gráfico (dados oficiais da CCEE). Em 2011, véspera da crise atual, o preço do mercado chegou a R$ 12/MWh!

 

  • O ILUMINA pergunta ao entrevistado quantas usinas foram construídas para o atendimento do mercado livre? Resposta: Zero!
  • Enquanto o mercado livre se “lambuzava” de energia quase gratuita, a indústria fora desse nicho (realmente pequena) sofreu um aumento de 134% acima da inflação. Veja abaixo.

  • Já o Sr. Roberto Wagner da CNI não explica que nos anos chuvosos essa indústria, que hoje ele se “apieda”, preferia contratos de curto prazo. Em 2011, por exemplo, quase 30% dos contratos eram mensais. Por que o entrevistado não esclarece as razões?
  • O Sr. Claudio Salles do Acende Brasil exagera na “seca mais severa”. Vejam os dados:

  • Se os registros históricos da década de 50 se repetissem, já estaríamos em racionamento. Basta comparar as colunas vermelhas (década de 50) com as amarelas (5 últimos anos).
  • O Sr. Edvaldo Santana, que já foi diretor da ANEEL, poderia aproveitar e explicar como estamos com sobras de “Garantia Física”, um certificado aprovado e regulamentado pela agência (que ele dirigia!) com a situação atual de altos custos e ameaças de racionamento!!

Como se pode ver, com os reservatórios esgotados e custos de operação nas alturas, a GF ultrapassa a carga em mais de 12%! Segundo o modelo vigente, está sobrando energia! Nós pagamos por isso!

Enfim, a contrainformação continua de “vento em popa”. Pena que não hajam eólicas para gerar com esse vento.


 

André Borges e Anne Warth, O Estado de S.Paulo

03 Novembro 2017 | 22h15

BRASÍLIA – Os recentes sinais de melhora do ambiente econômico levaram o governo a reavaliar suas projeções de crescimento do PIB para 2018, elevando o crescimento do País de 2,5% para 3%. Mas o setor elétrico pode ser um entrave. A ocorrência de chuvas abaixo da média histórica e a persistente estiagem que atinge a Região Nordeste, situação que exige o acionamento constante das usinas térmicas – mais caras –, têm gerado um efeito cascata em toda a indústria, com potencial impacto sobre o ritmo da recuperação.

A cúpula do setor elétrico garante que, mesmo com o crescimento do PIB em 3%, não há risco de desabastecimento de energia no País, tanto por conta do potencial do parque instalado quanto das novas turbinas que entrarão em operação nos próximos meses. O impacto preocupante, portanto, não é operacional, mas financeiro, já que o preço da energia, que costuma ser um dos principais insumos para muitos setores, ameaça a velocidade da retomada estimada pelo governo.

 “Dos 62 mil megawatts de energia que o Brasil consome diariamente, cerca de 15% vão para indústrias de pequeno e médio porte. Diferentemente da grande indústria, que tem contratos de aquisição de energia baseados em acordos de longo prazo, essas empresas estão expostas a essas altas repentinas de preço e deverão sofrer com isso”, diz Cristopher Vlavianos, presidente da Comerc, gestora independente de energia.

Escalada. Os dados do IBGE confirmam a escalada de preços. Entre janeiro e setembro, enquanto a inflação acumula alta de 1,78%, o aumento da conta de luz já acumula alta de 5,8%. Em 2016, o preço da energia deu uma trégua e chegou a cair 10,66%, ante uma inflação de 6,29%, mas ainda assim não conseguiu equalizar os estragos do ano anterior, quando o preço disparou e a conta subiu 51%, ante uma inflação de 10,67%.

O cenário permanece crítico porque, mesmo que as chuvas de dezembro a março registrem um bom volume, não serão suficientes para restabelecer volumes razoáveis de água nos maiores reservatórios do País, como Sobradinho (Bahia), Serra da Mesa (Goiás), Três Marias e Furnas (Minas Gerais). Todos operam hoje com níveis mínimos históricos para essa época do ano.

Maior lago do Brasil agoniza com a seca

“Esse impacto do preço da conta de luz é pesado, porque afeta diretamente pequenas e médias indústrias que não estão protegidas por contratos de longo prazo, e ficam expostas a essa situação. E sabemos que, infelizmente, isso vai continuar algum tempo. O que vemos é pressão tarifária nos próximos dois anos, o que puxa a inflação e compromete a competitividade das empresas”, diz Roberto Wagner, especialista em política industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

O presidente do Instituto Acende Brasil, Claudio Sales, afirma que as decisões de investimento são avaliadas sob a perspectiva do longo prazo. Ele reconhece que a energia é relevante no processo produtivo, mas pondera que o aumento desse custo é conjuntural. “Estamos enfrentando a seca mais severa da história. Quando isso se reverter, o custo da energia também vai cair”, afirmou.

A política de transparência e de realismo tarifário adotada pelo governo, segundo Sales, tem trazido mais segurança ao investidor. “Essa postura é bem vista, porque mostra coerência. São as surpresas que ameaçam os investimentos”, disse.

Impacto. A indústria eletrointensiva é uma das mais afetadas pelo aumento do custo da energia. O superintendente da Associação Brasileira da Indústria do Vidro (Abividro), Lucien Belmonte, disse que a falta de chuvas não é o único problema. Ele destaca que os subsídios embutidos na conta de luz e as indenizações devidas a transmissoras de energia são itens que encarecem o insumo. “Antes o problema fosse apenas água.” A situação tem levado alguns setores da indústria a cogitar até a possibilidade de vender sua energia e deixar de produzir.

Para o presidente da Associação Brasileira dos Grandes Consumidores de Energia, Edvaldo Alves de Santana, a reforma do setor elétrico proposta pelo governo é uma forma de lidar com esses problemas. “A questão é que essa reforma é de difícil implementação e terá efeito no longo prazo, enquanto alguns problemas são urgentes e não podem esperar pelo amanhã.”

Compartilhe

      2 comentários para “Represas em níveis baixos elevam custo da energia – Estadão

    1. RUDERICO F PIMENTEL
      4 de novembro de 2017 at 9:47

      Farinha pouca, meu pirão primeiro…

    2. José Carlos Rosa e Silva de Abreu Vasconcelos
      6 de novembro de 2017 at 17:20

      Roberto,

      Com a festa do MWh barato cujo patrocinador até hoje não se apresentou e a repetição das vazões do período critico 52-56, estaríamos no racionamento mais severo que se tem noticia no mundo, mesmo considerando a violenta redução na carga que na verdade já é um racionamento patrocinado pela economia.

    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *