Setor elétrico brasileiro: Erros em sequência – Final…por enquanto.

Conclusões.

Certamente, quem não é especialista e conseguiu ler até aqui, dada a complexidade, ou ainda não compreendeu tudo ou está espantado com a quantidade de informações que não são veiculadas apesar de estarem na base do aumento tarifário.

Evolução da Tarifa Residencial e Industrial (mercado cativo) desde 1995.

O que o ILUMINA pode mostrar é que, tanto a alta tarifa brasileira, como o conturbado ambiente do mercado, como a derrocada da estatal Eletrobrás, como os baixos níveis de reservatórios e como o risco hidrológico bilionário tem uma origem estrutural explícita e conhecida dos técnicos do setor.

Metaforicamente, a sequência de eventos negativos evolui como se fosse peças de dominó, onde eventos anteriores definem os seguintes. A sequencia abaixo começa em 1995 e evolui até a data de hoje.

  1. Uma privatização pela metade e um modelo mercantil mimetizado e repleto de indefinições.
  2. Distribuidoras rejeitadas empurradas para a Eletrobrás.
  3. Investimentos das estatais interrompido.
  4. Racionamento.
  5. Preço de curto prazo explode.
  6. Contabilização no mercado interrompida, inadimplência e necessidade de intervenção do estado, inclusive com financiamento BNDES.
  7. Aumento tarifário para recompor receita das distribuidoras com a queda do consumo.
  8. Manutenção da descontratação (principalmente da Eletrobrás) apesar da queda da demanda.
  9. PLD assume valores mínimos e causa prejuízo às usinas hidroelétricas da Eletrobrás descontratadas, gerando e proibidas de atuar no mercado.
  10. Proliferação de encargos antes inexistentes.
  11. Crescimento acelerado do número de agentes no mercado livre atraídos pelos preços baixos.
  12. Contratos de curto prazo prevalecem em função dos preços formados com base no custo marginal de operação.
  13. Mercado livre não participa da sustentação da expansão com contratos de longo prazo.
  14. Mercado cativo assume sozinho o papel de contratante de longo prazo.
  15. Subsídios para consumidores especiais no mercado livre transpõe custos para o mercado cativo e para outros.
  16. Garantias físicas dão sinais de estarem superestimadas. Revisões apenas pontuais.
  17. Leilões de energia de reserva (encargo).
  18. Contratação de grande quantidade de térmicas.
  19. Implantação das parcerias com a Eletrobrás para sustentar a expansão.
  20. Tarifas continuam subindo.
  21. Adoção da MP 579 para reduzir tarifas às custas de ativos amortizados.
  22. Custos de O&M são definidos de forma exógena aos dados das usinas. Valores insuficientes para manutenção. Eletrobrás atingida.
  23. Risco hidrológico apresenta déficit bilionários nas usinas hidroelétricas. Cerca de R$ 20 bilhões dependentes de ações judiciais.
  24. Autofinanciamento do setor reduzido praticamente a zero.
  25. Tarifas continuam subindo.

Como é de se esperar, nem todos perderam no setor elétrico. Na realidade, durante muito tempo, por incrível que seja para uma atividade que está na base da economia, o setor só perdeu para os bancos no que tange o pagamento de dividendos.

Em resumo, o que foi exposto não deveria nos surpreender. Afinal, no que tange às tomadas, nós poderíamos ser conhecidos como a república dos benjamins.

Como a imensa maioria das residências e até estabelecimentos comerciais não têm aterramento, conseguimos implantar um formato de tomada que, além de criar o 3º pino que liga nada a coisa nenhuma pode exigir criativos adaptadores para ligar um simples aparelho.

Dá para perceber que a metáfora não é tão absurda. O nosso modelo de mercado é simplesmente uma forma “algébrica” desses confusos adaptadores.

Portanto, a nosso ver, o Brasil adota “jeitinhos” desde as usinas até as tomadas. Solução existe, o ILUMINA já apresentou sua opinião, mas, até hoje só percebemos visões parciais e fragmentadas por interesses setoriais. Debate? Zero!

 

 

Compartilhe

    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *