Só pode ser burrice – Artigo

Roberto Pereira D’Araujo

Uns dizem que é ideologia moderna, outros, conspiração, mas, tem tudo para ser apenas… burrice.

É evidente que a previdência precisa de reforma. Qualquer um pode perceber isso. O que ela não precisa é de políticas que agravem sua situação e apressem sua morte.

O que é incrível é que a nossa imprensa informa que planos de saúde privados, apesar de estarem cada vez mais caros, rejeitam planos individuais. Por que fazem isso? Porque qualquer um que lide com a lógica de seguros sabe que as pessoas não ficam doentes ao mesmo tempo. Também sabem que jovens adoecem menos do que velhos e, se uma empresa têm funcionários jovens e velhos, a companhia de seguros corre menos risco ao fazer um seguro em grupo. É simplesmente o reconhecimento de uma espécie de “solidariedade” entre idades. Pura matemática.

Toda essa situação é tratada pela nossa mídia como uma lógica incontestável. E é mesmo! Só que, ao analisar a nossa previdência, que é também um seguro, surpreendentemente, a filosofia adotada é oposta. Defende-se exatamente o que os planos de saúde rejeitam. Para a maioria dos analistas da imprensa, a previdência tem que ser uma poupança individual!!!

A previdência pode ser um misto de “solidariedade” e seguro individual, mas, aqui, o governo, talvez a pedido dos planos privados, lançou vários “mísseis” certeiros contra a previdência pública. Senão vejamos:

  • Milhões de “funcionários” com altos salários viraram “Pessoas Jurídicas”. Descontam muito pouco para a previdência, fazendo com que o déficit aumente.
  • A Lei 12.618/12 (do governo Dilma!) estabeleceu que um novo servidor público contribui com 11% de seu salário para o Regime Próprio de Previdência Social, até o limite de R$ 3.916,20 (teto). Portanto, um novo funcionário entra pagando pouco mais do que R$ 400/mês para a previdência do velho funcionário. Se quiser se aposentar com o salário integral, poupança individualista! Evidente aumento do déficit.
  • A atabalhoada reforma trabalhista desonerou as empresas de obrigações trabalhistas no curto prazo, mas onera toda a sociedade com o aumento do déficit da previdência no longo prazo. No fim da história todos pagam.

Mas, por que diabos o Ilumina está se metendo na previdência? Porque, por incrível que pareça, a mesma filosofia burra também foi aplicada no setor elétrico. Ué? Solidariedade elétrica?

No setor elétrico há dois efeitos muito semelhantes.

Num país de dimensões continentais, usinas hidroelétricas não sofrem secas ao mesmo tempo, portanto, quando uma não tem água, outra, a 2.000 km de distância pode ter. O que a “ineficiente” Eletrobras fez? Construiu um sistema da transmissão que formou um “seguro” entre as usinas.

  • E o que a ideologia, conspiração ou incompetência fez? Individualizou o seguro! Hoje usinas hidroelétricas têm “risco hidrológico” individuais! É ou não é burrice? Mas, pelo menos é burrice em inglês: Chama-se General Scaling Factor. Conta para pagarmos!

O outro efeito é exatamente a idade das usinas. No Brasil existem cerca de 180 grandes usinas e mais de 300 pequenas. O maior investimento desse tipo de geradora é a barragem. Se não houver um terremoto, ou não for construída com a incompetência da Samarco no Rio Doce, duram séculos. Portanto nada mais óbvio do que fazer com que usinas antigas gerem receita suficiente para financiar novas usinas. Dá pra ter um preço mais baixo e ainda se obtém o óbvio, seu “negócio” gera recursos para a expansão.

  • E o que a ideologia, conspiração ou incompetência fez? As usinas antigas foram usadas para tentar abaixar tarifas na marra. Não conseguiram fazer cócegas na alta tarifária e hoje não geram um real para a construção de novas. É como se as hidroelétricas antigas sofressem uma “laqueadura”. É ou não é burrice?

Só nos resta pedir desculpas aos burros. Esse animal ganhou uma fama imerecida e, se quisermos um símbolo para a falta de inteligência, o Brasil pode oferecer.

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      1 comentário para “Só pode ser burrice – Artigo

    1. José Antonio Feijó de Melo
      12 de junho de 2018 at 12:21

      Pois é Roberto
      Certamente deve haver um componente de burrice, mesmo. Aliás, alguém já disse que se burrice pagasse imposto, no Brasil nunca haveria déficit orçamentário.
      Entretanto, sabemos também que nisto tudo deve haver “muita sabedoria”. Aliás, é outra coisa que não falta no Brasil, “os sabidos”.

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