Última Chance V

Roberto Pereira D’Araujo

Um dos fatos cruciais sobre a privatização no Brasil é o grande desconhecimento de que, dada a estratégia que o país adotou desde a década de 90, o capital privado raramente atuou com total independência nesse curto histórico de 30 anos.

Qualquer pessoa com um pouco de paciência pode consultar a Wikipedia sobre a lista de usina hidroelétricas brasileiras.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_usinas_hidrel%C3%A9tricas_do_Brasil#:~:text=Eletronorte%2C%20CHESF%2C%20Neoenergia%2C%20CEMIG%2C%20Vale%20S.A.&text=Votorantim%20Energia%2C%20Engie%20Brasil%2C%20CEEE%2C%20Vale%20S.A.&text=Engie%20Brasil%2C%20Vale%20S.A.

Abaixo há uma figura parcial dessa grande tabela, pois seria impossível expor toda ela. Examinando as informações, não é difícil detectar que a grande maioria das hidroelétricas privadas:

  • Foram construídas por estatais e adquiridas pelo setor privado em leilões, ou…
  • Foram construídas em parceria ou consórcio com empresas estatais.

São 164 usinas, das quais, as primeiras 24 aparecem na figura como exemplo. As que estão marcadas em amarelo são usinas originalmente e puramente privadas. As com a célula em branco ou são de estatais ou são consórcios ou parcerias com estatais.

Essa é uma amostra da pouca independência do capital. Do total de aproximadamente 120 GW de hidroelétricas brasileiras, apenas 11 GW são originadas de capital privado sem ter sido adquiridas de usinas existentes ou consorciadas com alguma estatal.

Esse é um argumento que traduz um comportamento histórico que pode se repetir e que, apesar da relevância, ninguém verá exposto na grande mídia e até em discursos políticos no congresso.

Outra observação lamentável é que, essa base de dados, obtidas do Wikipedia mostrando as empresas concessionárias, não está disponível na página da ANEEL nem para hidroelétricas e nem para termoelétricas.

  1 comentário para “Última Chance V

  1. Joaquim F. de Carvalho
    2 de março de 2021 at 15:31

    O ministro da economia controla também os antigos ministérios da indústria e comércio, de minas e energia e do planejamento.
    No entanto, ele não tem plano algum, nem para a indústria, nem para o setor elétrico, muito menos para o desenvolvimente de novas fontes de energia.
    A única coisa que o ministro/banqueiro Guedes “planeja” é vender a Eletrobrás, por uma fração de seu real valor, possivelmente em benefício de algum “banco amigo”. Esse é o seu sonho.
    Acho que ele só espera conseguir isto, para sair do governo.

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