Uma assustadora realidade.

Roberto Pereira D´Araujo

Quando a imprensa mostra a situação dos reservatórios, geralmente não deixam claro a importância relativa de cada um deles. Aqui, vamos exemplificar com duas importantes bacias da região Sudeste e Centro Oeste a importância de cada reservatório e o % do estoque de energia em relação à própria bacia. Os percentuais são mesmo assustadores

Os reservatórios da Região Sudeste e Centro-Oeste representam 70% da capacidade de armazenagem de todas as usinas hidroelétricas brasileiras.

Esses 70% se compõe de reservatórios por bacias hidrográficas. O gráfico abaixo mostra essas proporções.

Como exemplo, vamos analisar apenas as duas principais bacias, a do Paranaíba e do Rio Grande. Representam 65 % da estocagem da bacia.

No Paranaíba, as principais usinas são Nova Ponte, Emborcação, Itumbiara, Serra do Facão, São Simão e Batalha. O gráfico abaixo mostra a altura dos cilindros representando a importância dos reservatórios na bacia. A parte azul representa o nível de água reservada acima do mínimo na bacia. Por exemplo, Nova Ponte está com cerca de 11% de nível, mas representa aproximadamente 11% da reserva da bacia. Portanto, para a bacia, representa apenas 1,3%.

A situação da bacia do Rio Grande é ainda mais impressionante. Por exemplo, Furnas representa 17% da capacidade de reserva da bacia. Como está com aproximadamente 16% de volume útil, portanto, em termos da bacia são apenas 2,8%.

Precisamos entender que esse assustador esvaziamento tem 4 causas:

  1. Comportamento de grande variância na hidrologia de rios tropicais. O histórico 1931 – 2020 mostra situações muito próximas á atual crise hídrica na década de 50.
  2. Efeitos do desmatamento sobre o comportamento das chuvas na região central do país.
  3. Falta de investimentos em novas usinas que fariam com que os reservatórios se esvaziassem mais lentamente. Ver postagem http://www.ilumina.org.br/eles-nao-querem-que-voce-saiba/
  4. Expansão térmica com preços muito acima dos níveis praticados em sistema de base predominante hidro. Térmicas caras, computadas na oferta, na realidade, ao serem substituídas por hidroelétricas na operação, esvaziam reservatórios.

 

  3 comentários para “Uma assustadora realidade.

  1. luis chiganer
    9 de setembro de 2021 at 12:44

    O planejamento erra aos desconsiderar que as energias renováveis podem e/ou são intermitentes, isto é, são sujeitas ao clima, variável de difícil previsão. Acharam que programas computacionais resolveriam o problema de planejamento. Muita matemática e pouca engenharia. Assim, a situação atual é fruto de um planejamento errôneo. Como o trabalho aponta faltou e falta investimento na geração.

  2. Sergio
    9 de setembro de 2021 at 21:05

    Faltou informar que existe uma Modelagem Matemática defasada, utilizada no Setor Elétrico, que define a Política de Operação do SIN, e que contribui para maximizar a geração hidráulica.

  3. Luiz Carlos Gabriel
    10 de setembro de 2021 at 11:30

    Saudações a todos,

    Realmente as novas renováveis são tratada principalmente como a solução para a crise hídrica. Não é bem assim. Na hora da verdade, como agora, quem de fato segura as pontas(literalmente) são as fontes de energia “firme” e despacháveis, ou sejam as térmicas poluentes(fósseis) ou não(nuclear), operando na base do SIN ou na complementação da geração hídrica. Ruim com elas pior sem elas.
    Apesar de caminhar na contramão dos compromissos climáticos assumidos pelo País na Cop 21, ante o cenário de escassez hídrica são nas usinas a gás, óleo e carvão que se espera mitigação do impacto no abastecimento. E mais, espera-se que haja geração térmica suficiente para atender as pontas do SIN pelo menos até novembro/dezembro, qdo começa o período úmido. Com a média de 10% de armazenamento dos reservatórios prevista para dezembro, pouco se poderá esperar de geração hídrica nas pontas, e aí está o risco de apagão se outras fontes tbm não suportarem as demandas de ponta.

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