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Ver Primeira reportagem à esquerda (trecho em vermelho):


O que foi dito à jornalista e aqui reafirmado pelo ILUMINA é que a avaliação do funcionamento das usinas ao nível equivalente de 10%, (algumas usinas estarão abaixo desse nível) é feita com modelos computacionais que simulam o comportamento de cada usina. Não há experiência concreta para esses níveis. Qualquer mudança do perfil da calha do reservatório decorrente de assoreamento poderá alterar o comportamento das turbinas em relação ao modelo. Nunca dissemos que o problema era a lama ou os peixes.


Lembramos que também fomos taxados de "catastróficos" quando já em 1997 previamos o que iria ocorrer.


Atenuar racionamento no Sudeste é improvável

Opinião é do presidente da ONS, Mário Santos, mesmo levando em conta adesão da população


SUELY CALDAS


A situação dos reservatórios nas usinas hidrelétricas do Sudeste e Centro-Oeste é crítica agora, mas ficará mais grave em novembro, para quando o Operador Nacional do Sistema (ONS) projeta queda do nível da água de 29,7% (hoje) para apenas 10%, mesmo com o racionamento prolongando-se até lá. No Nordeste, o quadro é ainda mais dramático. Atualmente, a água só alcança 27,81% da altura dos reservatórios e, em novembro, é esperado que caia para apenas 5%. As projeções constam de dois relatórios reservados a que o Estado teve acesso, elaborados pelo ONS e distribuídos para o ministro das Minas e Energia, diretor-geral da Aneel e dirigentes das empresas que integram o sistema interligado de energia elétrica, em reuniões realizadas em 12 de março e em 19 de abril deste ano. Em março, o ONS alertou todos para a gravidade do problema e propôs que o racionamento começasse em 1.º de maio passado. Apesar disso, só na reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), em 8 de maio, o governo decidiu recorrer ao regime de cotas.


Em entrevista ao Estado, na sexta-feira, o presidente do ONS, Mário Santos, afirmou que essas projeções não foram alteradas e mesmo com a surpreendente adesão da população do Sudeste ao racionamento não dá ainda para falar em atenuar a meta de 20% de economia de energia. "Suspender ou reduzir o racionamento até outubro é altamente improvável. Teria de chover muito. Entrar em regime de contingenciamento é difícil, mas sair dele é mais difícil ainda, porque a decisão terá de levar em conta não apenas o suprimento em 2001, mas também em 2002", afirma Santos. Ele lembra que, em 1987, o Nordeste viveu um racionamento que durou 13 meses. Em novembro, começa a estação úmida e, dependendo da intensidade das chuvas – se ocorrerem -, o governo vai avaliar se o regime de cotas deve ou não tomar novo rumo.


Embora reconheça haver riscos em trabalhar com margem de apenas 10% ou 5% de segurança, Santos explica que as empresas proprietárias das usinas garantem não haver impedimento para operar nestes níveis.Nesse sentido, ele descarta previsões catastróficas feitas por alguns especialistas, como Roberto d’Araujo, diretor do Ilumina (instituto criado por engenheiros aposentados de Furnas), que afirmou, no Senado, que ocorre desligamento automático do sistema quando a água chega ao nível de apenas 5% ou 10% de altura e expele peixes, lama, detritos. Santos contesta e explica que a sujeira fica acumulada no que chama de "volume morto" de água, localizado abaixo do nível de 10% de segurança.


"Com 10%, consigo atender o mercado com segurança. Abaixo disso, precisa chover muito e, se não chover, fui informado que entrarão em operação mais 2.700 megawatts (MW) de 15 usinas térmicas à gás até dezembro", racioc\na. Na verdade, segundo a Petrobrás, o aumento de oferta de energia nova a gás será de 2.024 MW até dezembro de 2001 e mais 936 MW em 2002.


O presidente do ONS está mais preocupado com o Nordeste, onde a economia de energia em todo o mês de maio foi de apenas 1%. "Nos estados nordestinos há concentração de indústrias eletro-intensivas e um colapso no suprimento traria prejuízos incalculáveis para a economia da região", alerta. Se o Nordeste não cortar a cota de 20%, a partir de amanhã, é muito provável que venha a sofrer apagões programados. (Estadão 3/6/2001)

Vaidades agravaram quadro

BRASÍLIA – Além da falta de investimentos, divergências políticas, técnicas e até vaidades pessoais acabaram por atrasar importantes obras que poderiam ter amenizado a crise de energia. Em 1996, numa reunião no Rio, Mário Santos, então diretor da Eletrobrás e atual presidente do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), avisou que o risco de racionamento de energia era grande. O então ministro das Minas e Energia, Raimundo Brito, ouviu o alerta e disse: ”Deixa de ser alarmista, Mário”.


Na semana passada, no hall de um hotel de Brasília, Santos desabafou com um amigo: ”Para azar do país e sorte deles, choveu no começo de 1997, 1998 e 1999. Se não, a crise teria estourado antes”. Outro exemplo foi a disputa entre David Zylbersztajn, diretor-geral da Agência Nacional de Petróleo (ANP) e genro do presidente Fernando Henrique Cardoso, com Rodolpho Tourinho, ex-ministro de Minas e Energia. Tourinho, pai do Programa Prioritário de Térmicas (PPT), defendia a participação da Petrobras como impulsionadora do projeto. Já Zylbersztajn queria limitar o avanço da estatal.


Zylberzstajn nunca bateu de frente com Tourinho. As brigas eram intermediadas por Afonso Henriques, amigo que o diretor da ANP pôs na Agência Nacional de Energia (Aneel). Em outubro do ano passado, Afonso Henriques criticou em público a proposta de Tourinho de indexação do gás boliviano ao dólar. Foi desautorizado por Mário José Abdo, diretor-geral da Aneel. Mas o estrago já estava feito. O projeto do gás parou e, das 49 térmicas programadas pelo governo, apenas oito saíram do papel.


A falta de tato do ex-ministro Rodolfo Tourinho levou-o a uma trombada com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o que praticamente paralisou muitos projetos do setor de energia. No fim de 2000, numa reunião no gabinete do ministério, Tourinho disse a Abdo: ”Não dá mais para continuarmos a trabalhar juntos. Não vou indicar você para um novo mandato na Aneel”. O tempo passou, Abdo permaneceu no cargo e Tourinho saiu do governo.


Outra briga que mostra como as áreas do governo não jogavam juntas no setor elétrico. Uma reunião no Palácio do Planalto, pôs de um lado a diretoria da Aneel e do outro, expoentes da equipe econômica: o ministro da Fazenda, Pedro Malan, e o ministro do Gabinete Civil, Pedro Parente. Os dois ministros criticaram a decisão da agência de conceder às distribuidoras reajustes de tarifas que chegaram a 20,9%. ”Isso põe em risco o programa de metas de inflação”, disparou Malan. ”O reajuste está no contrato”, disseram os diretores da Aneel. ”Desse jeito, vamos ter que resolver a pendência na Advocacia Geral da União”, afirmou Parente. ”Pois que assim seja”, devolveram os diretores. A equipe econômica acabou recuando e o reajuste foi dado. (F.T. e V.C.) (JB 3/6/2001)


Ajuste fiscal, o vilão do racionamento

Estudo do BNDES mostra que investimentos em energia, tolhidos pelas metas fixadas com o FMI, foram insuficientes


FERNANDO THOMPSON E VALDEREZ CAETANO


BRASÍLIA – Um estudo inédito de especialistas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) comprova: os investimentos na área de energética foram insuficientes para evitar a crise de energia que se abate sobre o país. O Jornal do Brasil teve acesso ao relatório ”O Cenário Macroeconômico e as Condições de Oferta de Energia Elétrica no Brasil”, no qual se demonstra que, entre 1995 e 2000, o consumo médio de energia cresceu 4,5% ao ano. Já a capacidade de geração de eletricidade cresceu apenas 3,8% ao ano.


O estudo, uma radiografia nua e crua do setor elétrico brasileiro, diz com todas as letras: ”Como não houve racionamento de energia no período, pode-se dizer que o sistema conviveu com uma situação de esgotamento da capacidade ociosa existente, ocasionada por projetos realizados nos períodos anteriores e que antecipam as necessidades de crescimento da demanda por vários anos”.


Mão dupla – Esse volume insuficiente de investimentos, aconteceu tanto na área pública como na iniciativa privada. Um agravante, segundo apontam críticos da atual política energética: a rigidez fiscal levou o governo a não tocar o ambicioso programa de obras previsto em 1996 pelo Ministério das Minas e Energia e apresentado em uma reunião no gabinete Civil, da qual participou Pedro Parente, então secretário-executivo do Ministério da Fazenda e atual presidente da Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica (GCE).


Parente confirma que participou da reunião, mas que o relatório previa a necessidade de instalação de 3 mil Megawatts de energia por ano entre os anos de 1997 e 2000. E segundo o ministro, a média de energia acrescida ao sistema elétrico brasileiro foi de 3.100 entre os anos de 1996 e 2000. Mas, como mostra o estudo do BNDES, esse valor foi insuficiente.


Atraso – O relatório do BNDES confirma que houve atrasos no programa de expansão tanto da base hidrelétrica quanto da base térmica. De acordo com o relatório, das 31 usinas do programa indicativo de licitação para 2000-2001, só 13 foram licitadas. No ano anterior, apenas a pequena usina de Ourinhos, em São Paulo, havia sido licitada.


O deputado federal Alberto Goldman (PSDB/SP), integrante da Comissão de Orçamento da Câmara, acusa: ”A política fiscal acabou drenando dinheiro das estatais para o caixa do governo, que tinha o compromisso de garantir o superávit primário acertado com o Fundo Monetário Internacional”.


Caixa reforçado – Os números da comissão comprovam. Em 1999, o superávit primário (sem contar gastos com juros) foi de R$ 29 bilhões. Desse total, as estatais representaram 0,67% do total. No ano passado, o superávit pulou para R$ 30 bilhões, e a contribuição das estatais para esse resultado foi ainda maior: 0,93%. Neste cenário duas empresas destacam-se na transferência de dividendos para o superávit do Tesouro: Petrobras e Eletrobrás.


Um ex-diretor da Eletrobrás conta que, em 1999, o ministro Martus Tavares relutou enviar ao Congresso um pedido de suplementação de verba para a Eletrobrás. O motivo: isso poderia estourar as metas de endividamento das estatais. O dinheiro, US$ 400 milhões, era importante para concluir as obras de Angra II. O ministro só enviou o pedido nos últimos dias do ano. Angra só entrou em operação em dezembro de 2000, seis meses depois do prazo previsto. Isso acabou forçando o rebaixamento de cerca de 4% dos lagos das represas da região Sudeste. Volume que poderia, hoje, amenizar o racionamento. (JB 3/6/2001)

Perda nos reservatórios cresce desde 97, diz presidente da ONS

A partir de 1997, as regiões Sudeste e Nordeste passaram a viver situação de risco crescente (ver gráficos). "Desde 97, é crescente a perda de águas nos reservatórios", informa o presidente do ONS, Mário Santos. É como se a cada ano as usinas "bebessem" parte da água reservada para os anos seguintes. Em todos os anos o gongo salvador foram as chuvas de verão que não faltaram, a não ser em 2001, quando São Pedro decidiu fazer greve. Choveu um pouco em dezembro de 2000 mas, desde janeiro, as cabeceiras dos rios que abastecem o sistema no Sudeste e Nordeste não viram chuvas e a situação foi ficando cada dia mais grave.


Em fevereiro último, em reunião com o ministro das Minas e Energia, o diretor-geral da Aneel e dirigentes das empresas de geração, transmissão e distribuição, Santos deu o alerta, mas todos decidiram esperar passar o carnaval e cair água do céu. Na reunião de 12 de março, o presidente do ONS elevou o tom do alerta: a ausência de chuvas e a redução do nível de água nos reservatórios projetava realidade preocupante: em novembro de 2001, mesmo com corte, a água dos reservatórios do Sudeste baixaria para 10% e do Nordeste para 5%. Santos propôs um corte linear da carga elétrica de 15%, para começar em 1.º de maio. "Como foi adiado um mês, o corte teve de aumentar para 20% e se começasse em julho passaria a ser 25%", afirma.


"Depois desta reunião de 12 de março, passei a avisar o ministério (de Minas e Energia) e a Aneel semanalmente e, no dia 25 de abril, disse que não daria mais para esperar", conta Santos, rejeitando acusações que surgiram na imprensa de que o ONS não havia advertido o governo. O pessimismo de Santos contrastava com o otimismo da direção da Aneel. "Decidimos trabalhar o risco com otimismo, contando com a certeza de que as chuvas cairiam em março e abril e os reservatórios encheriam nos níveis médios dos últimos 70 anos", afirma ao Estado Jaconias de Aguiar, diretor da Aneel. (S. C. com colaboração de Denise Chrispim Marin, de Brasília) (EStadão 3/6/201)


Falta de energia ameaça 180 mil empregos em SP

Alerta é da Associação dos Sindicatos das Micro e Pequenas Indústrias


Para cumprir a meta de redução de 15% do consumo de energia elétrica prevista no plano nacional de racionamento, sem uma estratégia emergencial para garantir a atividade produtiva, as 157 mil micro e pequenas indústrias (MPIs) do Estado de São Paulo perderiam cerca de 180 mil postos de trabalho. A previsão é da Associação Nacional dos Sindicatos de Micro e Pequenas Indústrias (Assimpi), que está negociando com o governo uma série de medidas para reverter essa tendência.


"Metade das MPIs do Estado não tem como economizar energia. Os empresários acreditaram no País e investiram, ao longo do ano passado, em maquinário e pessoal para aumentar a capacidade produtiva", afirma o presidente da Assimpi, Joseph Couri, lembrando que as MPIs representam 96% das empresas do País. "É utopia imaginar que é possível voltar aos mesmos patamares de consumo do ano passado sem prejuízos para as empresas."


Procel – Entre as propostas da entidade para contornar a possível crise no setor estaria um convênio com a Eletrobrás para levar às empresas de pequeno porte o Programa de Combate ao Desperdício de Energia Elétrica (Procel). "Ao repassar as atividades do Procel para os empresários, estaríamos oferecendo a eles alternativas para economizar energia sem grandes gastos", diz Couri.


A Assimpi também está negociando com o governo do Estado a redução dos impostos incidentes sobre geradores e equipamentos que possibilitem um melhor aproveitamento da eletricidade, a exemplo do que fez o governo federal.


De acordo com Couri, para facilitar ainda mais o acesso dos pequenos empresários aos geradores de energia, a entidade também está buscando linhas de crédito para a aquisição dos equipamentos. "O objetivo é conseguir que os agentes do sistema financeiro nacional facilitem ao máximo a compra dos equipamentos pelas empresas que não dispõem de recursos para adquirir eletricidade no Mercado Atacadista de Energia", diz o presidente da Assimpi.


O ideal, segundo Couri, é que os donos de MPIs possam financiar integralmente a compra de geradores, em pelo menos 96 pagamentos mensais, com carência de 12 meses. "Precisamos contar com todo o apoio possível e montar uma operação de guerra para salvar as pequenas empresas", afirma. (A. S.) (Estadão 3/6/2001)


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