Estratégia Energética está mal conduzida
4/5/2006

CRISE DO GÁS DEIXA DÚVIDAS NO AR

Até o Presidente Lula, que não costuma reconhecer os próprios erros, já declarou que a estratégia na área energética está errada. "Temos que admitir que o Brasil errou na estratégia", declarou.

Some-se a isso o fato de nossa diplomacia ter sido pega de surpresa pelo decreto de Evo Morales. Os "compañeros" Lula e Evo não se entenderam e estão batendo cabeça. O governo brasileiro parece que estava esperando um tratamento diferenciado, motivado por questões de proximidade ideológica.

O presidente boliviano por sua vez nada mais fez que cumprir as promessas de campanha, o que para outros presidentes costuma ser novidade. Os grupos mais à esquerda na Bolívia, como o PAYS-Pueblo Acción y Soberania, que participaram da eleição de Morales, pressionam bastante o presidente para que coloque em prática os compromissos assumidos com a população, especialmente a indígena.

Agora, com o decreto baixado, as empesas multinacionais, como a Petrobrás, terão 180 dias para fazerem acordos que garantam o fornecimento do gás e petróleo, assim como a manutenção dos preços acertados. Durante esse período a YPFB-Yacimientos Petroliferos Fiscales de Bolivia, receberá 32% da produção de cada planta, mais 18% de royalties.

O presidente da estatal brasileira já ameaçou, cancelando qualquer novo investimento da empresa na Bolívia, mas o Presidente Lula tenta fazer acordo. Segundo especialistas esta é a política do morde-assopra.

Ficou claro nesse episódio que existem dependências mútuas. O Brasil no momento depende do gás boliviano e a economia boliviana depende em grande escala dos pagamentos e investimentos feitos pelo Brasil. Trata-se portanto de colocar tudo na balança e encontrar o ponto de equilíbrio que atenda os interesses dos dois lados.

Outro ponto que acabou ficando claro é que o Brasil precisa diversificar suas fontes energéticas e não cometer o erro de planejamento estratégico que acabou trazendo de volta o racionamento, chamado de contingenciamento.

ILUMINA-Instituto de Desenvolvimento Estratégico do Setor Energético

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