Usina de Tapajós custará 69% mais que o previsto – Valor

Comentário: Assim como aconteceu com as usinas do Madeira e Belo Monte, a subavaliação de custos da usina de Tapajós serviu para um sórdido e irresponsável motivo: A “desculpa” para afirmar que os preços cobrados pelas usinas da Eletrobrás estavam exagerados e que “o povo” já teria pagado seus custos “muitas vezes”. Pura lorota que aumenta a desconfiança de uma espécie de conspiração para conseguir do governo a derrocada da Eletrobras, que nem era a responsável pela definição dos preços. Tudo obra do governo.

A estratégia está se mostrando de múltiplos efeitos: Os “caros” preços, que terminaram em 2013, não conseguiram se manter com os falhos leilões feitos pelo governo. Não saiu nada por menos de R$ 190/MWh, quase o dobro dos “abusivos” preços da Eletrobrás. Resultado? Distribuidoras descontratadas e expostas ao louco mercado livre brasileiro. 

O governo parece ter conseguido algo inimaginável. A derrocada da maior geradora da América Latina, a sensação de perda generalizada por todos os agentes, o endividamento dos consumidores e a continuidade da crise. 


 

Por Rodrigo Polito e Claudia Facchini | Do Rio e de São Paulo

Principal aposta do setor elétrico para os próximos anos, a hidrelétrica de São Luiz do Tapajós, no Pará, que deve ser leiloada entre o fim deste ano e 2015, teve a previsão de investimentos ampliada para R$ 30,6 bilhões. O valor, incluído no Estudo de Viabilidade Técnica e Econômica, entregue à Aneel e ainda não divulgado, é 69% superior à última estimativa oficial do governo, de R$ 18,1 bilhões.

O aumento se deve, em parte, à ampliação da capacidade instalada da usina, dos 6.133 megawatts (MW) previstos inicialmente para 8.040 MW. Decorre também de uma atualização do projeto, incluindo custo de mão de obra e de equipamentos, além de um mapeamento maior das compensações ambientais. A ampliação na capacidade equivale a uma usina pouco maior que a hidrelétrica de Teles Pires, de 1.820 MW, em construção no mesmo rio. Essa ampliação já vinha sendo avaliada há alguns meses pelo grupo de empresas elétricas e construtoras encarregado dos estudos preliminares do empreendimento. O novo número, de 8.040 MW, foi confirmado no relatório de impacto ambiental entregue ao Ibama em julho.

O novo projeto de São Luiz do Tapajós prevê a produção de energia firme de 4.012 MW médios. O volume é ligeiramente inferior ao previsto para a usina de Belo Monte, também no Pará, de 4.571 MW médios. De acordo com o Rima, São Luiz do Tapajós será uma usina a “fio d’água”, sem reservatório de acumulação, o que reduz o impacto no entorno da usina.

O Valor apurou que o governo tem buscado, dentro do possível, acelerar o desenvolvimento do projeto de São Luiz do Tapajós. O entendimento no Planalto é que o leilão da hidrelétrica pode beneficiar politicamente a presidente Dilma, mesmo que a usina só venha a ser licitada após a eleição presidencial, em outubro. O leilão de São Luiz do Tapajós seria para Dilma o que foi o leilão de Belo Monte para o ex-presidente Lula.

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Uma resposta

  1. Antes de atribuir o “sobrepreço” descoberto no orçamento da usina de Tapajos , como sequela direta das bizarrias
    do modelo mercantil/hibrido/ou que nome tenha, seria bem pertinente saber se o fato não seria uma revisão de orçamento
    da usina, coisa que tem acontecido desde 1960 como rotina na fase de passagem do projeto básico para o projeto executivo da parte
    hidrica-energética da usina

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