Governo tenta minimizar risco criado pela própria Dilma para setor elétrico – Folha de SP.

Comentário: A figura abaixo ilustra as trajetórias dos reservatórios da região sudeste e centro oeste caso todas as possibilidades de hidrologias históricas pudessem se repetir no período 1999 -2000. Não é exatamente o mesmo cenário, mas dá uma ideia do que significa um risco de racionamento de 5%. Assim como na figura, algumas trajetórias esvaziariam os reservatórios. No caso, 5% delas nos levariam ao racionamento.

Ora, então está tudo bem, já que esse máximo permitido foi apenas tangenciado….

Ledo engano! O que as autoridades não revelam é que, agora, essa “garantia” está sendo feita sob um custo de operação extremamente alto desde outubro de 2012, coincidentemente iniciado logo após a medida de redução tarifária ser anunciada. Isso é uma violação de regras!

Tão pomposa quanto a regra do risco máximo, está a exigência de que o sistema deve operar com um custo marginal de operação médio igual ao custo marginal de expansão (regra agora convenientemente oculta (*)). Essa regra quer dizer apenas uma obviedade: quando o custo de operar o sistema estiver acima do custo de construir uma nova usina, construa-se a nova usina!

Como o sistema já opera há mais de dois anos subvertendo essa regra, e ao que parece, continuará subvertendo em 2015, ao contrário das declarações oficiais, o sistema está em desequilíbrio solicitando novas usinas. Figurativamente, estamos como o bode da foto inicial. Não adianta somar garantias físicas, porque elas são um cálculo de escritório que está superavaliado.

(*) 17 de novembro de 2004 o CNPE estabeleceu, por meio da Resolução nº 1.


 

JULIA BORBA
DE BRASÍLIA

07/11/2014  16h53

A operação montada pelo governo para minimizar o atual risco de desabastecimento de energia para 2015 contraria uma resolução assinada pela própria presidente Dilma Rousseff em 2004, enquanto ministra de Minas e Energia.

O documento fixa em 5% a chance máxima de ocorrer falhas no abastecimento da população.

“O risco de insuficiência da oferta de energia elétrica no Sistema Interligado Nacional não poderá exceder a 5% em cada um dos subsistemas que o compõem”.

À época, Dilma era presidente do CNPE (Conselho Nacional de Política Energética), responsável pela criação e publicação da norma.

Além do percentual, o texto define os critérios gerais para expansão e planejamento do setor.

Nesta quarta-feira (5), pela primeira vez no ano, o índice alcançou o patamar máximo tolerado para as regiões Sudeste/Centro-Oeste, onde estão as principais bacias e reservatórios das usinas hidrelétricas.

Em tom tranquilizador, o secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, disse ontem que “não há risco nenhum de deficit” e que a “tolerância de 5% não é igual ao IPCA [Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, que mede a inflação]”.

Já o diretor-geral do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), Hermes Chipp, comentou que, “se der 5,2% ou 6% de risco, isso não significa que haverá racionamento, porque racionamento se faz em função da previsão de que não virá a água que você precisa”.

A resolução assinada pela presidente Dilma diz ainda que cabe ao próprio CNPE reavaliar o índice a cada cinco anos ou diante da “ocorrência de fatos relevantes” e propor “se necessário” a revisão do percentual estabelecido.

 

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