O apagão controlado, mas sem critério.

O que ocorreu em 19/01/2015 foi explicado através da seguinte nota do ONS

No dia 19 de janeiro, a partir das 14h55, mesmo com folga de geração no Sistema Interligado Nacional (SIN), restrições na transferência de energia das Regiões Norte e Nordeste para o Sudeste, aliadas à elevação da demanda no horário de pico, provocaram a redução na frequência elétrica.

Na sequência, ocorreu a perda de unidades geradoras nas usinas Angra I, Volta Grande, Amador Aguiar II, Sá Carvalho, Guilman Amorim, Canoas II, Viana e Linhares (Sudeste); Cana Brava e São Salvador (Centro-Oeste); Governador Ney Braga (Sul); totalizando 2.200 MW. Com isso, a frequência elétrica caiu a valores da ordem de 59 Hz, quando o normal é 60 Hz.

Visando restabelecer a frequência elétrica às suas condições normais, o ONS adotou medidas operativas em conjunto com os agentes distribuidores das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, impactando menos de 5% da carga do Sistema.

A partir das 15h45, a situação foi totalmente normalizada.

O que a nota não deixa explícito?

  1. A capacidade de atendimento à ponta está comprometida pelo deplecionamento dos reservatórios. A diminuição da pressão sobre as turbinas fazem com que os geradores elétricos percam eficiência.
  2. Essa situação faz com que a dependência de importação do norte se eleve na hora da ponta.
  3. A situação dos reservatórios é função da crise hídrica e da trajetória da reserva adotada nos anos passados.
  4. A queda de frequência é um aviso do sistema que não consegue manter a rotação dos geradores. É como um automóvel que não consegue subir uma ladeira e vai reduzindo a velocidade até parar.
  5. Não há um plano seletivo de corte de carga. Os cortes realizados foram feitos em serviços essenciais, como o transporte público.

O Ilumina entende que, na atual situação, há um problema estrutural sério no sistema. Esse problema gera efeitos que parecem conjunturais, mas, na realidade estão conectados ao déficit de suprimento do sistema.

Não reconhecer as deficiências só piora a situação.

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2 respostas

  1. Poderia nos dar uma visão sobre Reserva Girante? Ao ser notada a queda de freqüência de 60 para 59,5 essa reserva girante era em torno de 3%, ou menor?

  2. O problema do setor elétrico nacional é realmente estrutural e mantida a atual estrutura, fundamentada no ONS, EPE e ANEEL, a situação só tende a se agravar.

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