Perda de energia pode ser maior do que o estimado – O Globo

Comentário: Estamos reproduzindo aqui a reportagem do Globo pelo fato do ILUMINA ter colaborado no entendimento do problema.

Enquanto os consumidores são sobretaxados com bandeiras tarifárias e sofrem para economizar energia impondo um sacrifício às suas famílias, os postes das empresas distribuidoras mostram uma desordem que é incompatível com um padrão mínimo de eficiência energética.

As distribuidoras cobram dos consumidores a energia comprada, seja ela roubada, perdida ou efetivamente entregue. Como não há uma avaliação efetiva do que é roubado e do que é perdido, elas tendem a culpar os “gatos”. Evidentemente, defendendo seus interesses, chegam ao ponto de negar as leis de indução magnética da física.

Nem precisamos falar sobre oxidação, curtos circuitos, contatos mal feitos ou cabos subdimensionados. Estamos apontando um efeito invisível onde uma linha de distribuição, cuja tensão é de 13.8 kV, induz correntes em linhas paralelas, como mostra a figura abaixo.

Se não houvesse a corrente I2 no segundo cabo, as leis da física estariam invalidadas. A corrente induzida em linhas de comunicações dependem da distância dos cabos e da corrente que passa na linha de distribuição. É pequena, mas não é zero. Outra lei da física mostra que condutores têm uma resistência e, portanto, há uma perda proporcional ao quadrado da corrente que passa por ela.

Agora, basta imaginar os milhões de km de linhas de distribuição que compartilham postes com cabos de telefone tais com a da foto da reportagem para imaginar os kWh “escorrendo” em cada poste, para perceber que o “pequeno” pode se tornar grande.

O documento Sizing Electricity Losses in Transmission and Distribution Systems in Latin America and the Caribbean (Jiménez, Serebrisky, Mercado) facilmente encontrado na internet estima que o Brasil perde cerca de 35 TWh (cerca de 7% do total) por não ultrapassar o padrão 10%.

Em http://data.worldbank.org/indicator/EG.ELC.LOSS.ZS é possível checar dados de países com sistemas parecidos com o Brasileiro, por exemplo, Canadá, com perdas muito inferiores.


RIO – No momento em que as discussões sobre a crise do setor elétrico destacam a combinação de consumo em alta e níveis historicamente baixos dos reservatórios das hidrelétricas, especialistas voltam as atenções para uma das principais fontes de desperdício de energia no país: as perdas técnicas das distribuidoras. Analistas afirmam que o Brasil poderia economizar até 7% de toda a energia modernizando o sistema de entrega ao consumidor final.

Poste em Niterói: emaranhado de fios é uma das causas de desperdício – Hudson Pontes / Agência O Globo

Roberto D’Araujo, diretor do Instituto do Desenvolvimento do Setor Elétrico (Ilumina), avalia que as perdas no Brasil são pouco discutidas e poderiam, se resolvidas, anular o crescimento do consumo de dois anos seguidos. Para D’Araujo, grande parte do que se considera roubo de energia no Brasil é, na verdade, perda técnica no setor de distribuição:

— Os postes do Brasil são dispostos com emaranhados de fios. Estes fios, pela proximidade com a rede elétrica, geram perdas. Quando vemos desperdício na Cedae, isso fica nítido, é água escorrendo no chão. Se energia fosse líquida, nossos postes seriam molhados, de tantos problemas, inclusive nas áreas nobres do Rio e de São Paulo — disse o especialista, afirmando que a Califórnia conta com postes com fios aéreos e compartilhados, mas com distância mínima de um metro em relação aos cabos de telefonia, internet e televisão.

 

PERDAS CHEGAM A 13,5% NO PAÍS

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) estima que as perdas chegam a 13,5% da energia gerada em 2013, mas apenas 7,5% seriam perdas técnicas, o restante seria roubo. No mundo desenvolvido, as perdas técnicas somam 6%. Mas na Light, que atende o Rio e a região metropolitana, a perda chegou a 22,57%. Na Ampla, que abastece Niterói e o interior, somou 18,54%. Na Eletropaulo, de São Paulo, as perdas totais foram de 9,15% em 2013.

Governo lança campanha contra desperdício de energia elétrica

Luiz Pinguelli Rosa, diretor da Coppe/UFRJ, afirma que os INVESTIMENTOS na distribuição de energia das grandes cidades são antigos e geram perdas desnecessárias para as empresas.

— O sistema de distribuição do Brasil é muito antigo, mas os INVESTIMENTOS do setor são caros, ainda mais neste momento de alta de tarifas — disse ele, que só acredita em ampla modernização da distribuição com investimentos públicos ou com um programa de incentivo.

Nelson Leite, presidente da Associação Brasileira de Empresas Distribuidoras de Energia Elétrica (Abradee) discorda. Ele afirma que as empresas do setor estão próximas dos padrões mundiais.

— Seguimos rígidos padrões de qualidade, mesmo nos postes compartilhados há regras, não temos problemas de perdas técnicas —disse.

 

 

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