
Análise do ILUMINA: Essa entrevista é uma dessas coisas que só se vê no Brasil. Um Ministro do governo que dizimou a Eletrobras com medidas provisórias tecnicamente contestáveis e inúteis fala como se a empresa tivesse sido atacada por marcianos!
E fica tudo por isso mesmo!
Não vai adiantar muito repetir os números estarrecedores da remuneração das usinas da Eletrobras, segundo dados oficiais de notas técnicas da ANEEL, mas, em todo caso, aqui vai.
http://ilumina.org.br/para-que-serve-uma-empresa-estatal/
http://ilumina.org.br/eletrobras-como-matar-uma-estatal-rita-dias-brasil-debate/
O link abaixo mostra MWh sendo vendido por R$ 7,67. Menos de US$ 4/MWh.
http://ilumina.org.br/cvm-multa-uniao-por-conflito-de-interesses-na-eletrobras-o-globo/
Não se trata de defender a Eletrobras, se bem que essa poderia ser uma tese possível. Trata-se de não ostentar preços estapafúrdios sem nenhum efeito prático.
Anne Warth – O Estado de S.Paulo
BRASÍLIA – A privatização da distribuidora de energia de Goiás (Celg-D), em 30 de março, iniciará a ação do governo para solucionar o imbróglio das companhias de eletricidade federalizadas, que se arrasta há cerca de duas décadas, segundo o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga. Assim que o processo de venda da Celg entrar “no piloto automático”, disse, começará a ser definida a venda do controle de distribuidoras da Eletrobrás no Piauí, Alagoas, Acre e Rondônia, o que daria condições para a recuperação da estatal. Para Braga, o setor energético tem agora duas prioridades: a solução dos problemas de transmissão de eletricidade e medidas para destravar investimentos no setor de petróleo. A seguir, os principais trechos da entrevista:
Como está o processo de privatização da Celg-D?
No dia 30 de março queremos fazer a privatização da Celg-D. O BNDES já está na última fase do processo todo. Temos seis consórcios interessados, três já compraram o direito de acesso ao banco de dados da empresa. Não posso dar os nomes por razões de confidencialidade. Os chineses nunca aparecem com antecedência, mas conversam com todo mundo, principalmente com o setor público, e quando estamos a 72 horas dos leilões, eles entram atropelando. Há grupos estrangeiros já fazendo due diligence dentro da empresa, grupos europeus e fundos de investimentos americanos.
Qual o próximo passo?
Vamos iniciar o processo de privatização das distribuidoras Ceal (Alagoas), Cepisa (Piauí), Ceron (Rondônia) e Eletroacre (Acre). Vamos vender a Ceal e Cepisa juntas, num bloco, ou separadas. Temos de fazer um estudo para saber qual modelo resulta em maior valor agregado e melhor sinergia. Se tudo der certo, vamos fazer a venda do controle das distribuidoras neste ano ou até o início do ano que vem.
É possível recuperar a Eletrobrás?
Análise do Ilumina: Será que o ministro pensa que indenização de ativos é a mesma coisa do que tarifas com nível adequado para manter usinas e linhas operando?
Estamos na fase final de negociação com o Ministério da Fazenda com relação à indenização das linhas de transmissão anteriores ao ano 2000 (RBSE), e o maior beneficiado será a Eletrobrás. Já está aprovada a indenização da Eletrosul, de Furnas e está faltando apenas a da Chesf. Ao todo, isso deve chegar em algo como R$ 15 bilhões. Também queremos injetar um capital de R$ 6 bilhões, que é a segunda parcela do bônus de outorga do leilão das hidrelétricas amortizadas, para recuperar as distribuidoras antes que elas sejam vendidas. Se você vir o desenho que está se formando em torno da Eletrobrás, é um desenho em que a gente enxerga a luz no fim do túnel.
Como projetar novos leilões de transmissão diante dos últimos, com diversos lotes sem oferta?
Vamos ter realismo do ponto de vista remuneratório, portanto, vamos ter atratividade para o bom capital. Nesta semana, o TCU determinou o aumento do WACC (taxa interna de retorno) e da RAP (receita anual permitida) para as linhas de transmissão. Estamos discutindo muito com o TCU, com a Aneel, com o mercado, com o sistema financeiro. Temos de ter uma nova arquitetura financeira para financiamento, já que não será mais o BNDES, como foi no passado.
Como resolver os atrasos nas obras de linhas de transmissão?
Estamos em um esforço para resolver a questão dos atrasos nas obras de transmissão sob o ponto de vista de licenças ambientais. Estamos gastando uma certa energia, mas, se isso funcionar, vamos destravar as linhas Manaus-Boa Vista, Cruzeiro do Sul e várias situações regulatórias. Também não vamos mais ter descasamento entre as obras de geração e transmissão na energia eólica. Até 30 de julho, todo esse passivo estará resolvido, exceto por uma linha na Bahia que será entregue até dezembro. Além disso, queremos resolver a questão de terras para investidores estrangeiros no setor elétrico.
Uma resposta
Eduardo Braga é mais um titular absolutamente inexpressivo no MME, marionete da presidente. Para quem não distingue vagalume de fogo de artifício, nos resta torcer para que o ministro seja esmagado pela luz que viu no fim do túnel.