TCU vê risco financeiro em 74% das distribuidoras de energia – Folha de SP

 

Análise do ILUMINA:

Não há como não associar a imagem acima à coleção de problemas que o Brasil arrumou para si mesmo no setor elétrico.

  1. Fios energizados geram um campo magnético proporcional à sua corrente que induz outras correntes em cabos paralelos e próximos. Lei de Faraday. Apesar de serem correntes pequenas, há mais de 100 mil km de rede de distribuição nesse estado caótico e esses kWh perdidos não são desprezíveis.
  2. Essa confusão de cabos, além serem um risco para empregados da área de manutenção, atrasam reparos. A frequencia e duração dos “apaguinhos” é função dessa situação.
  3. Como os postes são alugados para empresas de telecomunicações, chega a ser inacreditável que a ANEEL e ANATEL permitam tal confusão, que afeta os dois serviços.
  4. Como não há fiscalização com mensuração das perdas decorrentes da bagunça, quando as distribuidoras alegam grandes perdas comerciais, é fácil incluir tudo na conta do roubo de energia e jogar na fatura do consumidor.
  5. Essa imagem é também um bom ícone do próprio modelo atual do setor. Um emaranhado de regras que se alteram a cada mês e que, com a ajuda da recessão econômica, conseguiu transitar de um quase racionamento a uma sobra de contratos que está deixando as distribuidoras nesse estado.

 

DIMMI AMORA

MACHADO DA COSTA

DE BRASÍLIA

Das 31 maiores distribuidoras de energia do país, responsáveis por 96% do faturamento do setor, 23 estão com risco elevado de insustentabilidade financeira.

Endividadas, elas não cumprem programas de investimento, pioram a qualidade do serviço e oneram usuários por ineficiência.

Porém essas empresas distribuíram R$ 3,4 bilhões em lucros e dividendos em 2014, mesmo as com prejuízo ou dívidas incompatíveis com o seu funcionamento.

O quadro do sistema de distribuição de energia do país foi detalhado em relatório de uma auditoria, pedida pelo ministro José Múcio, do TCU (Tribunal de Contas da União) ao qual a Folha teve acesso.

Com dados de 2014, técnicos avaliaram a saúde financeira das principais companhias que entregam energia no lar dos consumidores. Considerando índices que mostram a saúde financeira das companhias, eles apontam que 74% delas não estão enquadradas em critérios de sustentabilidade definidos pela própria Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica).

Sem caixa e com dívidas elevadas, a consequência é que as empresas não estão comprando máquinas e fazendo obras necessárias para que se garanta o fornecimento de energia de maneira adequada no futuro.

O relatório aponta forte correlação entre a queda dos investimentos e a mudança na lei do setor, feita em 2012, que tentou reduzir o preço da conta de luz. Além de não atingir seu objetivo, a alteração causou desequilíbrio à estatal Eletrobras, a principal investidora até então.

Pela falta de investimento, os auditores apontam que há risco no futuro, se o país voltar a crescer, de a energia não poder ser entregue (por uma saturação do sistema) e de elevação de preços.

O relatório aponta que as administrações das empresas, mesmo aquelas endividadas e até dando prejuízo, optam por distribuir dividendos ou lucros –quando há.

Para os auditores, o fato de as empresas distribuírem lucro e dividendos piora ainda mais o perfil da dívida delas, pois deixam de fazer obras e comprar equipamentos.

MEDIDAS URGENTES

O trabalho aponta que são necessárias medidas urgentes do Ministério de Minas e Energia, já que a tendência é a situação das distribuidoras piorar devido aos prejuízos com inadimplência, roubo e perdas técnicas e à chamada “sobra de energia”.

As perdas, de acordo com o relatório, foram de 24% da energia produzida, o que gerou um prejuízo de R$ 20,7 bilhões. Desse valor, R$ 19 bilhões foram cobrados diretamente dos consumidores que pagam. As distribuidoras têm que arcar com o restante.

OUTRO LADO

A Abradee (Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica) disse que o fato de a auditoria mostrar que a maioria das empresas está com a sustentabilidade comprometida prova que o problema não é de gestão e que é necessário mudar o modelo de negócios.

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