O jornalista Carlos Alberto Sardenberg, do jornal O GLOBO, publicou o artigo do link abaixo.

https://oglobo.globo.com/opiniao/a-eletrobras-de-quem-mesmo-21739479
Respeitosamente, enviamos uma resposta:
Prezado Sardenberg:
Você conhece o assunto melhor do que eu. Só o déficit de arrecadação do 1º semestre do governo soma R$ 38 bilhões, quase duas Eletrobras. Para mim, ou tapamos definitivamente o ralo, ou vamos vender a Amazônia e não vai resolver.
Sobre os donos da Eletrobras, parece que a partir de um momento da história, diversos partidos políticos, de diversas ideologias, tentam estratégias destrutivas. Senão, vejamos:
- O governo FHC proibiu investimentos para paralisa-la e vende-la. Com usinas prontas e faturando “on sale”, quem iria construir novas? Tivemos o maior racionamento da história sem guerras ou desastres naturais, pois o ano hidrológico de 2001, ao contrário do propalado, foi uma seca mediana. A região Sul não teve racionamento e verteu água! Uma linha entre Paraná e São Paulo (Ibiuna-Bateias) poderia ter aliviado a nossa penúria no Sudeste. Por que não foi feita? Porque o setor privado não se interessou. Quem construiu a linha depois do racionamento? Furnas.
- No início do governo Lula, sob uma queda de 15% da carga do sistema, o governo decidiu reduzir os contratos (25%/ano) da Eletrobras. Para que? Para implantar o mercado livre, um projeto do governo FHC. Como as usinas são hidroelétricas, continuaram gerando por ordem do ONS e sendo remuneradas por menos de R$ 10/MWh. Essa é a singularidade brasileira. Essa energia quase gratuita fez a festa no mercado livre e provocou prejuízos durante 3 anos à Eletrobras. Portanto, a MP 579 não foi o único e nem o primeiro tiro no pé. Do lado do mercado livre, grandes ganhos privados.
- E as SPEs (Sociedades de Propósito Específico)? O nosso “pujante” setor privado, que, para alguns, vai salvar o Brasil, não contente com os subsídios do BNDES, só investiram com a ajuda da Eletrobras como parceira minoritária. Prejuízos públicos, lucros privados.
- A lei 12783/2013 desprezou registros contábeis aprovados pela ANEEL e auditores, preferindo adotar modelos matemáticos altamente contestáveis no seu lugar. Como exemplo, as usinas da CHESF cedem energia por menos de R$ 10/MWh! Procure saber se há algum exemplo semelhante no planeta Terra.
- Os consumidores não têm a mínima ideia sobre isso. Não existe empresa de energia que consiga funcionar com esses níveis de preço. É preciso lembrar que, mesmo com essa energia quase gratuita, a tarifa residencial final gira no entorno de R$ 800/MWh, a 5ª tarifa mais cara do planeta. E ainda temos de assistir autoridades falando em ineficiências!!
- O que está por trás dessa alta tarifária? Claro, impostos, encargos, todos criados pós a mercantilização de 1995. Mas principalmente, altos lucros que, com a escolha da Dilma, permaneceram intocados. Mais uma vez, lucros privados prejuízos públicos.
- Assim, os donos da Eletrobras têm sido diversos políticos, mas sempre de mãos dadas com interesses privados.
- Apesar disso tudo, desde a criação da Eletrobras em 1962, pulamos de 5.000 MW para mais de 120.000 MW. O sistema integrado brasileiro e a operação interligada é uma arquitetura brasileira nascida dentro da Eletrobras. Usinas hidroelétricas não são meras fábricas de kWh, como são as térmicas ou as eólicas. Por trás das turbinas há reservatórios cuja área equivalem a várias baias de Guanabara. Será que alguém sabe que ações são realizadas pelas empresas da Eletrobras nesses lagos? A Eletrobras tem o maior centro de pesquisa em energia elétrica e colabora tecnicamente com diveras universidades brasileiras e internacionais.
Portanto, é triste ver um país vender geografia, história, know-how e achar que está tudo bem.
O que precisamos refletir é a razão dessa sanha destrutiva e inútil que tomou conta da sociedade brasileira.
Atenciosamente
Roberto Pereira D’Araujo
Diretor do ILUMINA
7 respostas
Excelente! Conte comigo para “viralizar” essa resposta.
Querem nós tornar um país de miseráveis,onde só a zona rural funcionará e olhe lá.Mas e urbana,como ficará com energia de baixa qualidade,irão quebrar as indústrias.
Senhor Roberto : Plenamente de acordo com suas afirmações. Acrescento : 1. O saldo da dívida publica brasileira consolidada ( formada desde tempos idos) é da ordem de 73% do PIB. O PIB brasileiro é da ordem de 7 trilhões ( o equivalente a aproximadamente a 2 trilhões de dólares, ou 1/8 do PIB Americano)). Portanto a divida publica é de aproximadamente 5,11 trilhões. Calculando uma taxa de juros de 10% ao ano temos uma despesa de 511 bilhões que deverão ser pagos anualmente como remuneração aos detentores dos Títulos do Tesouro Nacional. Não estou ( por motivos óbvios) descontando os eventuais retornos provenientes de dividendos das Estatais ou de pagamento de juros , porventura devidos pelo BNDES ao Tesouro. Evidentemente que com um déficit primário orçado em 159 bilhões o Tesouro, para pagar os juros devidos aos seus credores, está se financiando mediante a emissão de novos títulos da divida publica , num sistema equivalente ao golpe utilizado pelos espertalhões nas chamadas Piramides financeiras. Somando o déficit primário ( 159 bi) mais o déficit operacional (juros da divida/511 bi) temos um déficit total da ordem de 670 bi o que equivale a quase 10% do PIB. Entendo que nem vendendo a Amazônia ( creio que os chineses dopam a parada), a situação se resolve. Estes dados devem, evidentemente, serem checados, pois os estou colocando no papel de cabeça. Como vemos a venda da Eletrobras seria um pingo d’ água no oceano. Há evidentemente uma inversão de valores onde o Governo tenta desesperadamente atacar os efeitos sem dar atenção para as causas. 2. Não devemos olvidar que os ativos do Sistema Eletrobras, são concessões de serviço publico ( isto é importantíssimo) e estão na sua maior parte com percentuais elevadíssimos de depreciação acumulada o que significa que a sua Reintegração ao capital do Acionista está em fase final. Bens com estas característica (totalmente depreciados) devem continuar sob a guarda do Concessionário sob a forma de Patrimônio da União sob Regime Especial de Utilização, sendo sua operação/manutenção e taxa de administração combinados previamente com o Poder Concedente. 2. Finalmente, s.m.j., o Código de Águas não foi derrogado. Foi estabelecido por um Decreto-Lei do tempo do Estado Novo (1934) e tem força de Lei Complementar.
Odone:
Grato por sua análise! Estamos tentando informar à sociedade a inutilidade desse festival de privatizações. Muitos se iludem.
Roberto
Subscrevo integralmente este artigo.
Que bom seria se este Senhor lesse o texto e refletisse sobre ele? Mas não tenho a menor esperança de que isto aconteça.
Estes articulistas se julgam donos de verdades que de fato eles nem conhecem o mínimo que seja.
Boa resposta, Roberto, bastante esclarecedora, mas…..o Sr. Carlos Alberto Sardenberg é muito primário e não vai entender nada.
Quem sabe, a resposta chegue a outros leitores, além dos da página do Ilumina, é nossa esperança.
Luiz Pereira
Perfeito é um crime de lesa pátria essa nova Privataria!