Em primeiro lugar, gostaria de informar que a minha participação foi por indicação do Professor Ildo Sauer, da USP, impossibilitado de comparecer.
Apesar dos 90 minutos de duração, o programa é muito dinâmico e o tempo passa rápido. Pela variedade de assuntos abordados, só consegui informar uns 20% dos itens essenciais na questão da privatização da Eletrobras.
Continuo afirmando que há muita desinformação mesmo entre os especialistas que lá estavam. Poucos conhecem em detalhes o modelo mercantil vigente que, na minha opinião, é uma das mais fortes causas da fragilização da Eletrobras.
Infelizmente, o sentimento dominante na sociedade é confundir as empresas estatais com o próprio estado, preferindo focar os malfeitos e esquecer os benefícios.
Entre os pontos que não consegui abordar:
- Mostrar que o preço de referência no mercado livre brasileiro já apresentou oscilação de 7.000 %, o que, por si só já deveria ser suficiente para um grande diagnóstico e nada foi feito.
- Relacionar que, ao provocar altas tarifárias recordes, a lei 12.783/2013 tentou inutilmente compensar. A Eletrobras foi seriamente atingida aumentando ainda mais sua fragilização que não se iniciou nesse equívoco.
- Informar que, sob hidrologia exuberante, o preço do mercado livre é irrisório e incentivador de contratos de curto prazo. Sob hidrologia baixa é capaz de causar altas dívidas acompanhadas de inadimplência e judicialização.
- Informar que ainda há cerca de R$ 100 bilhões de “esqueletos” desse sistema.
- Informar sobre o aumento tarifário que resultará da descotização e privatização conjuntas.
- Mencionar que as receitas impostas às usinas simplesmente ignoraram que hidroelétricas são verdadeiros objetos geográficos com vários rebatimentos regionais.
- Mencionar que, nos últimos 20 anos a Eletrobras teve 13 presidentes!
- Lembrar que, antes de 1995, a Eletrobras fazia o papel do ONS, CCEE e EPE, que, hoje, também são custos do sistema.
- Mencionar a importância do CEPEL na verdadeira revolução tecnológica que ainda vamos assistir.
Peço desculpas por não ter conseguido transmitir tudo o que é necessário para recuperar todas as informações que deveriam ser de conhecimento público.
Roberto Pereira D’Araujo
10 respostas
Roberto,
Segundo o ex ministro Mendonça de Barros, o governo não permitiu que a Eletrobrás investisse na construção da LT que minimizaria o racionamento para não aumentar do déficit do governo, só que ao fazer isso o governo agravou significativamente o racionamento de 2001, provocando perdas generalizadas para a economia, ele que se considera inteligente confessou o crime contra o Brasil.
Mendonça de Barros: sofista
Augusto Nunes: decepcionante
O outro professor da FGV: “cavando” uma consultoria com toda certeza
A população precisa de informações concretas sobre o setor e sobre a atuação da Eletrobras, que não será privatizada e sim se tornará estatal chinesa.
Caro Roberto, infelizmente não consegui acompanhar ao vivo e, portanto, me somar aos contrários à “privataria” no Twitter. Somente agora há pouco consegui assisti a gravação. Apesar de pequena, o que é natural em um debate como esse e com tantos convidados, parabéns pela sua participação. Como sempre, muito lúcida.
Quanto ao Mendonça de Barros, não se podia esperar outra coisa de quem tem espírito entreguista e puramente mercantil. Sinceramente a dele chamando aeroportos de meros “Shopping Centers” e se negando a citar o papel estratégico que estes desempenham, por exemplo, no controle de entradas e saídas de mercadorias e pessoas foi de dar dó.
Roberto,
Pena que você só tenha conseguido tratar de 20% dos tópicos que desejava sobre a proposta de privatização da Eletrobrás..
Entretanto , suas intervensões foram precisas . Deixaram sem argumentos o Sr Mendonça Barros, o porta voz da DEPENDÊNCIA.
O argumento do Sr. Mendonça Barros sobre a champanhe Don Peringnon, servida pelos gestores
da Vale estatal, é, como esperado desse senhor, , um argumento pulha.
Resta constatar o tempo que vivemos :
Um governo ilegítimo que aderiu a um positivismo macabro : O DESAMOR POR PRINCIPIO, A DESORDEM POR BASE, O RETROCESSO POR FIM.
Aceitar , sem reagir radicalmente, às posições do Mendonço Barros , foi um equívoco sem volta.
Roberto
Assisti o programa. Fiquei decepcionado com o “Mediador” Augusto Nunes, que assumiu uma posição parcial, privilegiando as intervenções do Sr. Mendonça de Barros, absolutamente dono das verdades, que falava o tempo que quisesse e sempre interrompia você e o Prof Feldman, que tiveram de fato tempos reduzidíssimos para expor seus pensamentos, principalmente você.
Quando o Mendonça, por mais de uma vez, exaltou o “sucesso” da privatização da VALE, falando inclusive do custo para o povo da champanhe que lhe serviram em Carajás, lamentei que ninguém tenha lembrado de ressaltar uma grande obra da VALE privatizada, “o desastre de Mariana”.
Claro que pensei em falar, mas, durante o intervalo ele ficou muito irritado e resolvi não falar sobre o que não era do setor elétrico. Mas, o pior não é isso. O programa tem um acompanhamento pelo Twitter. É triste ver que a maioria de assistentes é da opinião do privatiza tudo. Somos uma sociedade desinformada e desarticulada. Somos a vítima perfeita!
Roberto.Um ponto curioso no debate quando Vc colocou que se tudo que é Estata e é passível de corrupção e como tal deve ser privatizado então privatiza o Congresso e tudo q é público. A questão envolve business. E aqui entre nós o ex ministro Mendonça de Barros não deixava vc E o prof Feldman terminarem o raciocínio. Incomodou. Falta um debate sobre estratégia de governo. E a privatização está nesse contexto.O que é estratégico? O que deve já passar para iniciativa privada.
Exatamente. O Mendonça de Barros é no mínimo mal educado. Ou está cavando uma contratação para viabilizar a ESTATIZAÇÃO CHINESA da empresa.