Santo Antônio desrespeita limite operacional e prejudica Jirau – Jornal da Energia 20/02/14


Comentário: O estudo de divisão de quedas pode ser considerado como o be-a-bá dos estudos de aproveitamentos de potenciais hidroelétricos. É inacreditável que uma barbeiragem como essa esteja acontecendo em pleno século XXI.

Além de revelar uma incompetência, o fato mostra o grau de fragmentação do setor. Tanto nas atribuições dos órgãos quanto na falta de sentido de ter no mesmo rio consórcios que se digladiam por erros de projetos. Se tivéssemos ao menos entendido que, sob uma mentalidade puramente competitiva, seria mais prudente que se adotasse a concessão por bacias, seria fácil evitar tais trapalhadas.

Estamos andando de marcha ré! Por pior que seja a fama das estatais, tal situação jamais aconteceria.

Ainda mais ridículo é que a Eletrobrás está nos dois projetos como minoritária. Furnas está em Sto Antônio e Eletrosul em Jirau. Depois da MP579 a Eletrobras já está suficientemente depauperada para ter ainda que suportar as despesas de dois escritórios de advocacia sem saber de que lado está seu interesse.


Por Wagner Freire

A reportagem do Jornal da Energia teve acesso a um documento em que o consórcio construtor da usina de Jirau, Energia Sustentável do Brasil (ESBR), afirma que a hidrelétrica de Santo Antônio (3.580MW) está desrespeitando o limite operacional estabelecido pelo projeto e que isso está ocasionados diversos impactos às estruturas da UHE Jirau (3.750MW). As usinas estão localizadas no rio Madeira, dentro do estado de Rondônia.

A notificação, datada de 6 de fevereiro, foi endereçada ao presidente da Santo Antônio Energia, Eduardo de Melo Pinto, com copia à Agência Nacional de Águas (ANA), ao Ibama, à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e ao Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).

Segundo a ESBR, a altura máxima suportada por Jirau é de 74,8 metros em relação ao reservatório da usina de Santo Antônio.

“As estruturas da UHE Jirau foram projetadas considerando uma cota máxima do remanso do reservatório da UHE Santo Antônio de 74,8M a jusante do barramento da UHE Jirau”, detalha o documento. Esse nível de água garantiria o atendimento aos requisitos as normas técnicas brasileiras e aos critérios de projeto no que diz respeito à segurança e estabilidade de Jirau.

Porém, a UHE Santo Antônio estaria operando com um reservatório que, no início de fevereiro, estaria acima do limite autorizado na licença de operação. Ao não respeitar esse limite, alega a ESBR, prejuízos estariam sendo causados ao empreendimento de Jirau.

“Tal fato (…) está ocasionando diversos impactos nas estruturas do empreendimento e demais existentes no canteiro de obras, incluindo infiltração na ensecadeira da 2ª fase da casa de força da margem direita e danos nos Sistemas de Transposição de Peixes, no atracadouro da margem esquerda, nos pátios provisórios de equipamentos, dentre outros”, afirma a ESBR.

A ESBR alerta para o perigo eminente de se causar danos irreversíveis a casa de força da margem direita, onde estão instaladas 28 unidades geradoras, caso ocorra o rompimento da ensecadeira à jusante, e consequente inundação de toda a casa de força, devido à pressão a qual não está dimensionada.

“Em decorrência deste eminente perigo, de forma preventiva, nossos diretores e gerentes já entraram em contato com seus gerentes e diretor para antecipar ações necessárias ao imediato deplecionamento do reservatório da UHE Santo Antônio”, diz a notificação. “É extremamente necessário que a operação da UHE Santo Antônio respeite o estabelecido pelo Ibama e pela ANA, de forma a não causar impacto na UHE Jirau”, completa.

Esta situação traz à tona a disputa entre os dois consórcios na Aneel, em que ambos exigem o aumento da cota de seus reservatórios e o que garante, para um ou para outro, uma receita extra ao longo de suas concessões. Porém, o aumento da cota da UHE de Santo Antônio diminuiria a geração de energia da usina de Jirau.

Procuradas pela reportagem, nenhuma das duas empresas quiseram se manifestar sobre o assunto.

 

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Uma resposta

  1. Além desses absurdo relatados no comentário, mostra a riqueza que existe no Brasil, enquanto falta água na bacia do São Francisco para reencher Sobradinho, a vazão que vem acorrendo no rio Madeira somente neste mês ja teria praticamente reenchido Sobradinho.

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